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Economia

Mercado Barato

“Coloco as compras de supermercado na conta dos gastos fixos. Por exemplo, deixo R$ 450 para o mês, e é isso que vou gastar com compras naquele mês.” Sara Dietz, enfermeira e obsessiva por checar o preço dos produtos que vai comprar (na foto, ela está ao lado da mãe, Elli) | Jonathan Campos/ Gazeta do Povo
“Coloco as compras de supermercado na conta dos gastos fixos. Por exemplo, deixo R$ 450 para o mês, e é isso que vou gastar com compras naquele mês.” Sara Dietz, enfermeira e obsessiva por checar o preço dos produtos que vai comprar (na foto, ela está ao lado da mãe, Elli) (Foto: Jonathan Campos/ Gazeta do Povo)

PESQUISEA primeira tarefa de quem vai às compras é decidir aonde ir. Tirar 10 minutos para fazer uma pesquisa on-line e então escolher o destino pode valer a pena. Diariamente, a prefeitura de Curitiba oferece informações sobre o preço de mais de 300 itens básicos de consumo em 16 supermercados da cidade. A reportagem encontrou diferenças de preços acima de 200% – casos da cebola e da banana. Segundo o coordenador do serviço, Henry Paulo Lira, o item mais pesquisado pelos consumidores é o leite. "O leite longa vida é o mais procurado. Como as pessoas costumam comprar uma caixa com 12 unidades, a diferença nos preços pode ser significativa." O Disque Economia é atualizado todos os dias úteis, por volta das 14 horas. Pela manhã, a equipe percorre os estabelecimentos para conferir o preço dos produtos. Em média, a prefeitura recebe 2,5 mil consultas por mês. O site é o http://disqueeconomia.curitiba.pr.gov.br/ ou pelo telefone 3262-6564.

VÁ SEM FOMEA segunda dica também é para antes de se chegar ao supermercado. Trata-se de uma regra de ouro para o consumidor: não saia de estômago vazio. A fome afeta a percepção de gostosura dos alimentos, e a possibilidade de gastar com produtos que não são necessários é maior. Por isso é importante tentar evitar a ida ao mercado pouco antes da hora do almoço.

FAÇA UMA LISTATerceira tarefa, também feita antes do início das compras: fazer uma lista com os produtos em falta na casa. A tarefa pode ser chata e pouco prática para os menos organizados, mas é essencial para evitar o desperdício. "A lista é uma das partes mais importantes para economizar. Sem ela, o consumidor chega ao mercado e fica pensando: ‘será que preciso disso?’, ‘será que tinha isso em casa?’, e aí ele acaba levando algo que não precisava. O melhor negócio é deixar uma lista sempre à vista, grudada na geladeira, e se policiar para ir escrevendo ali sempre que algum produto estiver acabando", diz Eugenio Foganholo, diretor da Mixxer, consultoria especializada em varejo e bens de consumo.

O LUGAR DOS PRODUTOSOs produtos não estão distribuídos ao acaso pelo supermercado. Há uma lógica do varejista para que você compre o máximo possível – ou pelo menos o produto mais caro das opções oferecidas. Uma regra que eles adoram: colocar na linha de visão os produtos que eles têm interesse em vender. Para se prevenir, basta exercitar os olhos. "Fique atentos às prateleiras de cima e de baixo. Compare bem os preços em todas as gôndolas. Produtos similares e mais baratos costumam ficar afastados do centro da gôndola", diz Henry Lira, do Disque Economia. Da mesma forma, os doces mais cobiçados pelas crianças ficam abaixo do centro da prateleira, na altura de visão dos pequenos. "O ideal mesmo seria não levar as crianças na hora da compra, porque o poder de persuasão delas pode ser enorme quando querem alguma coisa."

MARCA PRÓPRIABuscando oferecer preços mais atraentes, alguns supermercados vendem produtos de marca própria. Normalmente, a única tarefa do varejo é embala-los com a sua marca – ou seja, o fabricante é o mesmo de um produto de marca conhecida. O açúcar Qualitá, por exemplo, do Grupo Pão de Açúcar, é produzido exatamente no mesmo lugar do Açúcar Caravelas: na Fazenda Bela Vista, em Ariranha, São Paulo. A prática das marcas próprias é bastante comum nas grandes redes varejistas. Só o Walmart, por exemplo, possui mais de 3 mil itens com selo personalizado.

PRODUTIVIDADEUm papel higiênico de 60 ou de 50 metros – qual vale mais a pena? A dúvida é comum. "É preciso ter noção daquilo que, do ponto de vista do consumidor, tem a melhor relação preço-qualidade. Um exemplo hipotético: um detergente líquido que custa a metade do preço de um outro mas, às vezes, o mais barato não rende a metade do mais caro. Quer dizer, o custo é baixo, mas na relação preço-qualidade valeria a pena levar o mais caro", afirma Foganholo, da Mixxer. No caso do papel higiênico de rolo de tamanho diferente, uma calculadora pode ajudar. Nos iPhones, há programas feitos exclusivamente para calcular o custo-benefício dos produtos no supermercado. É o caso do AppBox Light, um aplicativo grátis que pode ser baixado no aparelho, e que basta o consumidor colocar o volume do produto (litros ou peso, por exemplo) e o preço para que o programa identifique qual é a opção mais barata.

ORÇAMENTOA enfermeira Sara Dietz, de 27 anos, aprendeu cedo a procurar os melhores preços. A mãe, Elli, é alemã, e sempre foi turrona com o orçamento. "Com sete filhos, acho que não tinha como ser diferente", diz Sara. A procura por preços baratos é uma obsessão da dupla. Uma dica de Sara é sair de casa com uma quantia fixa a ser gasta. "Eu saio com R$ 150, por exemplo. É isso que vou gastar naquela compra. Claro, caso eu perceba alguma promoção, pode ser que valha a pena comprar algo que não estava previsto. Quando há leite de pacote em promoção, ligo para minha mãe para saber se ela precisa. Aí já levo duas caixas, porque sei que aquele preço está barato e vale a pena." Mãe e filha são tão sensíveis ao preço dos produtos que costumam comprar presentes com antecedência. Uma panela em promoção? Elas compram e aguardam a oportunidade para dar de presente.

COMPRA DO MÊSEconomistas gostam de lembrar que o tempo é o bem mais escasso. Ir até o mercado a cada promoção avistada não faria sentido, visto que muitas vezes o desconto no produto acaba sendo perdido com o tempo gasto ou o custo do transporte. "Outro problema de fazer uma grande compra é que há o risco de desperdício na compra de produtos perecíveis. Para a compra de produtos de limpeza, se há uma promoção, vale a pena levar mais do que se precisa naquele momento. Mas para frutas, verduras e carnes, isso não vale", diz o especialista em varejo Eugênio Foganholo.

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