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O ministro Dario Durigan, da Fazenda, afirmou nesta terça-feira (27) que o mercado financeiro teve uma forte reação negativa na véspera apenas por ter perdido o candidato em que tinha apostado na vitória – o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – mas que espera um “nível de racionalidade” com medidas que o governo reeleito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já está anunciando.
Na véspera, a bolsa de valores precisou acionar o chamado “circuit breaker” dado à sangria das negociações após a vitória de Lula no segundo turno da eleição ser oficialmente confirmada. Para tentar conter esse desarranjo, Durigan afirmou que passou o dia em contato com agentes do mercado financeiro e que foi montada uma ação coordenada do Ministério da Fazenda com o Tesouro Nacional e o Banco Central, que fez uma operação de recompra de títulos públicos para reequilibrar a oferta, em torno de R$ 10 bilhões.
“É uma questão de posição. O mercado estava apostando numa vitória eleitoral, armou posição num determinado candidato, o presidente Lula numa vitória histórica desbancou a expectativa do mercado e, acho, que o mercado troca agora de posições”, afirmou Durigan a jornalistas ao chegar no ministério.
O ministro afirmou, ainda, que o governo monitora o andamento das operações do mercado financeiro, não descarta novas intervenções, e que a equipe econômica segue em busca do centro da meta da fiscal para o próximo ano, que será pressionada pelas medidas eleitoreiras anunciadas por Lula.
Nesta terça-feira (27), a bolsa abriu o pregão em alta de 0,15%, enquanto que o dólar recuou 1,02% cotado a R$ 5,34. Na véspera, no fechamento, o índice Ibovespa despencou 13,88%, enquanto que a moeda norte-americana terminou o dia em R$ 5,42 após ter chegado a R$ 5,60.
"Hoje a gente já está vendo o câmbio cedendo pela manhã, o que mostra que nós estamos já entrando num momento de racionalidade, sem querer estipular o limite de preço, o padrão de preço, mas já estamos vendo uma atuação com racionalidade", completou.
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Ainda na entrevista a jornalistas, Dario Durigan afirmou que o governo está atento às reações e que o momento é de acomodação do mercado financeiro à reeleição de Lula. Novas medidas de controle das contas públicas devem ser anunciadas.
"Nós vamos dizer e dar todos os instrumentos para que a gente não tenha dúvida jurídica que a gente vai perseguir o centro da meta [fiscal]. Mas existem outras medidas que estão sendo avaliadas, então agora nós temos uma etapa", afirmou Durigan.
Dario Durigan afirmou, ainda, que deve enviar ainda nesta semana, ao Congresso Nacional, a proposta que regulamentará o Imposto Seletivo -- ou "imposto do pecado" -- da reforma tributária. A medida vem sendo cobrada pelo mercado financeiro e pela oposição há semanas.
A lista inclui bebidas alcoólicas, refrigerantes e cigarros, além de alguns veículos, extração de bens minerais, loterias, apostas e jogos de fantasy sports. O objetivo do governo é, no futuro, encarecer produtos ou atividades que causam danos à saúde ou ao meio ambiente.
Mercado temeroso com contas públicas
A expectativa é de que a instabilidade no mercado financeiro continue até que haja maior clareza sobre os nomes que vão compor a equipe econômica e as metas fiscais do novo mandato. Especialistas explicam que a confiança dos investidores precisará ser reconstruída com medidas concretas, e não apenas discursos.
O mercado aguarda sinais de um compromisso real com o controle da dívida pública e o ajuste fiscal. Até que essas definições ocorram, o câmbio e a Bolsa devem continuar reagindo de forma volátil a cada nova informação política, enquanto os investidores tentam antecipar a real capacidade de entrega do governo.








