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Comportamento

Não morra de susto: pesquise antes

Os serviços funerários são tabelados em Curitiba, mas empresas mostram que podem fugir do comum nos “extras” e aumentar a conta

  • Camille Bropp Cardoso
Cemitério Memorial Graciosa, em Quatro Barras. Jazigos podem ser parcelados em até 36 vezes, sem entrada |
Cemitério Memorial Graciosa, em Quatro Barras. Jazigos podem ser parcelados em até 36 vezes, sem entrada
 
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Não morra de susto: pesquise antes

Trata-se de um mercado silencioso, não muito afeito à pesquisa de preços, mas que exige muito cuidado para não estourar o orçamento de quem precisa dele, assim, de uma hora para outra. Na Grande Curitiba, a reportagem da Gazeta do Povo encontrou uma diferença de até 470% entre itens básicos – jazigos e taxa de manutenção anual do cemitério, por exemplo –, sem contar os extras. De flores a mais à revoada de pombos, a criatividade das empresas do ramo, a maioria de caráter familiar, vai longe.

INFOGRÁFICO: Veja os preços oferecidos pelas funerárias

Em Curitiba, os custos de caixões e serviços funerários seguem oficialmente uma tabela estabelecida pela Prefeitura – que, aliás, subiu 16% em julho. São tabelados os preços de 14 caixões, além de serviços essenciais como o quilômetro rodado do traslado e a ornamentação dos caixões. Por outro lado, os cemitérios particulares (pelo menos 19 atuam na região) são o nicho mais livre do ramo fúnebre e, consequentemente, o mais diversificado. “É livre mercado completo”, afirma Robson Posnik, presidente do Sindicato dos Cemitérios Particulares do Paraná (Sincepar).

Considerando a área padrão de um jazigo (2,05 de comprimento por 85 centímetros de largura), o custo do metro quadrado vai de R$ 4.017 a R$ 25.862 – segundo cálculo em cinco cemitérios particulares da região. O tamanho do lote onde o jazigo está instalado é que faz a maior diferença. É uma fator que entrega as diferenças sociais a um olhar mais atento. Há desde lotes estreitos – jazigos separados um do outro por centímetros –, até jardins privativos cercados de R$ 45 mil.

E não se gasta apenas na compra do lote: os cemitérios cobram uma taxa para a manutenção da área. É uma espécie de condomínio perpétuo que pode custar de R$ 240 a R$ 4 mil anuais. Aliás, os cemitérios cobram por serviços sobre os quais a maioria dos clientes só toma consciência na hora da compra. É o caso do sepultamento em si, que varia de R$ 430 a R$ 650; ou do custo de placas e lápides, um dos produtos cujo preço mais oscila.

Já os crematórios da região buscam quebrar os preconceitos da clientela com dois fatores: preço e serviços diferenciados. O Perpétuo Socorro, em Campo Lago, por exemplo, aposta em preço. A tabela é enxuta, mas atrativa: a cremação custa de R$ 1,5 mil a R$ 1,8 mil (este último inclui capela e cerimônia). As urnas para guardar as cinzas custam de R$ 50 a R$ 3 mil. “O objetivo do crematório, quando foi aberto, era popularizar a cremação, considerada coisa de rico”, conta o administrador Édson Luiz Mattos.

Nesse mercado, nem tudo pode ser parcelado

Alguns cemitérios topam negociar, mas não são todos – o mesmo ocorre com funerárias, escolhidas por sorteio para cada cliente. Boa parte das empresas afirmam não aceitar cartão de crédito. Ou seja, sepultar alguém na Grande Curitiba pede que a família tenha dinheiro em caixa disponível. Muitas famílias acabam se endividando, conta o diretor do Cemitério Parque Memorial Graciosa, Ermínio Malatesta.

“Costumamos falar que existem três perfis de clientes. Há os de classe alta, que passam um cheque e pagam de vez; a classe B, mais complicada para negociar porque estão sempre endividados; e a classe C, que fica perdida, precisa emprestar dinheiro, vender carro. Para eles, interessa muito o parcelamento”, conta ele, que oferece jazigos em Quatro Barras em até 36 vezes, com entrada.

Financiamentos (sempre com entrada) têm sido um chamariz das empresas para não perder a clientela endividada. A maioria das negociações é de dez a 48 parcelas. O Cemitério Parque São Pedro, no Umbará, já chegou a aceitar 60 parcelas. O que impediu o negócio foi a inflação, conta o administrador Ronaldo Vanzo. “Tentamos deixar a parcela mais acessível, mas a inflação não ajudou. Como as parcelas do carnê são fixas, não dava para corrigir depois”, afirma ele.

Locação

Outro serviço que surgiu da necessidade da clientela foi o aluguel de jazigos. O sepultamento dura o tempo de três anos – o prazo de legislação da cidade para ocorrer a exumação do corpo. Findo o tempo, a família está comprometida a exumar o cadáver e armazenar os restos mortais em um ossuário. O aluguel custa cerca de R$ 1,5 mil; exumação e ossuário, de R$ 2,2 mil a R$ 3,3 mil. Mas nem todas as empresas aderiram ao serviço. “É comum as pessoas desaparecerem. Não pagam o aluguel nem removem o corpo”, afirma Malatesta.

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