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O recém-nomeado presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Para ele,  a nova equipe precisa ser  capaz de reduzir a inflação de 9,32% para 4,5%. | Marcelo Camargo/Agência Brasil
O recém-nomeado presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Para ele, a nova equipe precisa ser capaz de reduzir a inflação de 9,32% para 4,5%.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os novos diretores do Banco Central (BC), indicados na última segunda-feira (13) pelo recém-nomeado presidente da autoridade monetária, Ilan Goldfajn, têm perfil mais ortodoxo e devem ser menos tolerantes com as altas da inflação no país.

A análise é de economistas do mercado financeiro e membros da academia consultados na última semana pela Agência Estado. Os profissionais começam a trabalhar somente após passarem pelo crivo do Senado, que deve ser fornecido em breve.

Para os entrevistados, o que já é possível adiantar é que os novos representantes estão mais para “falcões” – ou hawkishes, no jargão inglês – do que para “pombos” – ou dovishes. Os “falcões” têm por característica o fato de serem menos complacentes com a alta da inflação. Os “pombos”, por outro lado, costumam tolerar melhor a alta dos preços.

Para a diretoria de Política Econômica, Ilan escolheu Carlos Viana de Carvalho, que entra no lugar de Altamir Lopes. Luiz Edson Feltrim, que acumulava as diretorias de Administração e Relacionamento Institucional e Cidadania, agora vai comandar a de Administração. O atual procurador-geral do BC, Isaac Sidney Ferreira passa a dirigir o setor de Relacionamento Institucional e Cidadania. No lugar de Aldo Mendes, Reinaldo Le Grazie fica como o novo diretor de Política Monetária. Já Tiago Couto Berriel assume a direção de Assuntos Internacionais, no lugar de Tony Volpon. Permanecem nos cargos Anthero de Moraes Meirelles (diretor de Fiscalização), Sidnei Corrêa Marques (Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito Rural) e Otávio Ribeiro Dâmaso (Regulação).

O tom dos discursos de Ilan, desde que foi indicado, em maio deste ano, tem sido de pouca tolerância com a alta dos juros. Segundo ele, a nova equipe deve ser capaz de “vencer desafios”, como, por exemplo, reduzir a inflação – acumulada em 9,32% nos últimos 12 meses – para 4,5%.

As previsões pessimistas para a inflação tendem a se transformar, automaticamente, em aumento de preços, já que empresários costumam embutir nos custos o que os economistas apostam que vai acontecer. Uma das missões do grupo, segundo o presidente, é ancorar essas expectativas.

Todos os nomes também integram o Copom (Comitê de Política Monetária), que agora passa de oito para nove pessoas.

Percepções de especialistas

Para o professor Márcio Garcia, da PUC-Rio, o grupo é bem preparado e tem como diferencial a mescla entre atuação no mercado e na academia. “A ideia fixa que esses profissionais precisam ter é a de colocar a inflação na meta no tempo devido”, comenta.

Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves, a nova composição da diretoria traz de volta a “cara de mercado” à composição do Banco Central. A exceção ocorreu na era de Alexandre Tombini, quando o grupo foi formado majoritariamente por servidores de carreira do Banco.

Um experiente economista do mercado financeiro, que preferiu não se identificar, ponderou que, “apesar de parecerem alinhados, só será possível fazer uma avaliação melhor da condição depois que as primeiras reuniões na mesa do Copom acontecerem”.

Até o fim do ano, haverá mais quatro decisões do colegiado sobre os rumos dos juros no Brasil, atualmente em 14,25% ao ano.

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