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Consumo

O produto encolheu e o preço ficou o mesmo? Essa prática tem um nome

Fenômeno chamado de “shrinkflation” reduz tamanho de produtos sem necessariamente afetar preços praticados. Mesmo com previsão legal, consumidor precisa ficar atento

  • Jacqueline Lafloufa, especial para a Gazeta do Povo
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Já reparou como tem surgido versões menores de alguns produtos nos supermercados? As novidades vão de bebidas em tamanhos reduzidos a pacotes com menos bolachas dentro.

Esse fenômeno de redução de tamanhos ganhou um nome: "shrinkflation", ou “reduflação” em tradução livre. A palavra, que mistura as palavras “redução” e “inflação”, remete ao fato de que nem sempre os fabricantes reajustam proporcionalmente os preços dos produtos que são reduzidos, mantendo os níveis de inflação estáveis, já que o custo da "cesta de compras" ​do consumidor se mantém praticamente o mesmo, ainda que ele possa estar levando​ um volume menor de itens ​para casa.

Na Grã-Bretanha, mais de 2500 produtos tiveram seus tamanhos reduzidos desde janeiro de 2012, sem que necessariamente houvesse reajuste dos preços praticados, segundo informações do Escritório Britânico de Estatísticas.

A preocupação dos analistas britânicos é que a prática possa ser potencialmente inflacionária. No entanto, dado o pequeno volume relativo de produtos reduzidos, os efeitos dela na inflação do país não puderam ser ​considerados impactantes.

A redução de tamanhos também acontece com alguma frequência nos supermercados brasileiros. "Muitas vezes, essa estratégia é [usada] para dizer que não ocorreu aumento de preço em relação aos concorrentes, mas objetivamente esses produtos estão sofrendo um aumento de preço indireto", explica Ione Amorim, economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

No Brasil, qualquer redução na quantidade de um produto que já esteja disponível no mercado deve ser informada ao consumidor de forma clara, precisa e ostensiva. Segundo a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), a comunicação precisa ser feita na própria embalagem ou rótulo do produto, por no mínimo três meses, com dados sobre a quantidade existente antes e depois da mudança, tanto em termos absolutos quanto percentuais.

​​Redução de custos ou maior conveniência?

Um caso internacional bastante emblemático foi a redução de tamanho do chocolate Toblerone, que causou revolta entre os consumidores britânicos. O chocolate em barra, que é comercializado no Reino Unido, foi reformulado para ficar mais leve, espaçando mais os tradicionais pedaços triangulares do doce, de forma a reduzir a quantidade do produto sem necessariamente reduzir a embalagem.

Os fãs da marca reclamaram bastante nas redes sociais. A Toblerone respondeu, em sua página do Facebook, que se tratava de uma decisão que visava a manutenção do valor do chocolate, já que os ingredientes haviam sofrido aumento.


Toblerone fans, we have some information on the size of our UK chocolate bars. Please see the following...

Posted by Toblerone on Saturday, October 15, 2016

No entanto, nem sempre essa decisão dos fabricantes é feita apenas para conter custos ou se caracteriza como uma reduflação. Marcas também reformulam seus produtos em tamanhos menores visando uma maior conveniência para os consumidores, explica o professor de economia da USP, Claudio Lucinda.​

​"A ideia de alterar as dimensões do produto esta relacionada com a necessidade de otimizar a lucratividade do produto", atesta Lucinda, lembrando que nem sempre os tamanhos praticados atualmente pelo mercado são convenientes para alguns grupos de consumidores. "Um exemplo é o aumento do número de domicílios com apenas um morador. Nestes casos, embalagens menores podem ter um apelo maior, aumentando as vendas", contextualiza ele.

Procurada pela Gazeta do Povo, a Nestlé ressaltou que as alterações na gramatura de algumas das suas linhas de produtos segue uma tendência global de mercado, com os consumidores requisitando produtos em menor quantidade por embalagem. A Coca-Cola também cita a mesma tendência: segundo a marca de bebidas, na América do Norte houve um crescimento de 6,6% na procura por minilatas e embalagens menores, na comparação com 2016. Segundo a assessoria da empresa, 44% dos produtos são oferecidos em embalagens de 250 ml ou menos, para se adequar melhor à rotina do consumidor.

Lucinda também não vê relação direta entre redução de tamanhos de produtos e a reduflação. "São conceitos bem diferentes, e esse fenômeno [da reduflação] não é nem tão sincronizado e nem tão continuado ao longo do tempo", analisa o professor, em consonância com o que perceberam os analistas britânicos. E ele ainda completa: "Não necessariamente uma embalagem para uma porção 50% menor é 50% mais barata. Consumidores e produtores devem ser capazes de tomar suas decisões".

Ione Amorim, do Idec, reforça a importância do consumidor se manter vigilante e não se iludir com cartazes de divulgação, já que alguns fabricantes contam com a distração e o encantamento que pode ser causado pela embalagem. "Observe as quantidades informadas nas embalagens dos produtos que são consumidos com mais frequência, comparando com as marcas concorrentes. Se tiver dúvidas, pesquise imagens dos produtos na internet", sugere.

Caso identifique mudanças sem correspondência no preço, Amorim lembra que os consumidores podem denunciar as empresas no Procon ou no site consumidor.gov.br. "Qualquer redução de quantidade que não sofrer redução proporcional de preço deve ser considerada inadequada. O consumidor deve observar as empresas mais multadas pela prática de maquiagem de embalagem e preço, e considerar a troca de marcas", orienta a economista.

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