A suspeita de que bois em fazendas do Paraná estão com febre aftosa atingiu o agronegócio do estado como um soco na boca do estômago. Enfraquecido pela seca que provocou quebra de 20% na safra de verão e decepcionado com as cotações dos grãos nos últimos meses, o setor encara agora o risco de ver embargadas as vendas de carnes bovina e suína. Se confirmado o foco da doença em alguma das propriedades isoladas, frigoríficos e criadores podem perder contratos e ver o preço da carne desabar.

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O setor agrícola do Paraná está passando por um ajuste para se adequar a condições de mercado mais duras do que em 2004. A correção de rota deveria ocorrer apenas com os produtores de grãos, em especial soja, milho e trigo – os mesmos agricultores que em 2003 e 2004 comemoraram safras recordes e bons preços, e hoje amargam safra e cotações menores. Agora, eles podem ser acompanhados por criadores de bois e porcos. Na semana passada, frigoríficos que exportam carne bovina, como o Garantia, de Maringá, já tiveram de parar o abate.

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"Este ano vai ser bom para a gente esquecer", afirma Luiz Lourenço, presidente da Cocamar, cooperativa de Maringá que tem mais de 7 mil filiados. "Na área em que atuamos, a quebra na safra de grãos foi de 24%. Muitos pequenos cerealistas quebraram e a inadimplência entre os produtores aumentou."

A valorização do real funcionou como uma armadilha para o setor agrícola, pois a compra de insumos ocorreu quando o dólar estava na faixa dos R$ 3,20 e a safra foi vendida com cotações abaixo de R$ 2,60. Com isso, os preços foram deprimidos e o rendimento no campo minguou. O faturamento da Cocamar, por exemplo, deve cair de R$ 1,215 bilhão em 2004, para R$ 1,1 bilhão neste ano. Segundo estimativa da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), o Valor Bruto da Produção (VBP) dos principais grãos do estado caiu de R$ 12 bilhões em 2004 para R$ 7,5 bilhões, uma retração de 37%. A diferença, R$ 4,5 bilhões, foi o que deixou de circular na economia do estado.