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Privacidade

O susto de achar seus dados pessoais na internet

O sigilo de informações como endereço, telefone e CPF é garantido pelo Código de Defesa do Consumidor e pela Constituição Federal, mas há que não respeite isso

Edmar Gervásio e seus dados no Google: ação contra montadora por revelar dados confidenciais | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Edmar Gervásio e seus dados no Google: ação contra montadora por revelar dados confidenciais (Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

Foi em uma busca rotineira no Google que o administrador Edmar Gervásio descobriu que todos os seus dados cadastrais estavam disponíveis na internet – inclusive CPF, RG, endereço e até o número do seu telefone celular. "Levei um susto. E além de meu nome, há os dados de várias outras pessoas", conta Gervásio. Os dados estão armazenados em um site – ao que parece, promocional – da montadora Renault, de quem o administrador comprou um veículo em julho de 2007. Junto com as de Gervásio, estão as informações de outros 2 mil clientes da montadora, segundo uma busca feita no Google no final de janeiro.

A divulgação dos dados cadastrais, de acordo com a advogada e mestre em direito do consumidor Ana Cláudia Loyola da Rocha, vai contra o Código de Defesa do Consumidor, que prevê em seu artigo 43 que a abertura de cadastro tem de ser comunicada por escrito ao cliente. "Se tem que autorizar para abrir, tem que autorizar para divulgar." Ana Cláudia lembra ainda que a própria Constituição Federal estabelece, em seu artigo 5, que são invioláveis a vida privada e a intimidade das pessoas, e assegura indenização por danos morais em casos como esse. "Se o consumidor não foi consultado sobre a divulgação de seus dados, cabe uma medida judicial para suspender a exibição e até mesmo uma indenização por qualquer dano que possa ter sido causado."

O administrador pretende levar a cabo a sugestão da advogada. Ao descobrir que seus dados estavam na internet, Gervásio entrou em contato com a montadora e abriu um protocolo solicitando a retirada das informações, mas nada foi feito. "Disseram que iam ver imediatamente, mas os dados ainda estão lá." Foi só depois do contato da reportagem da Gazeta do Povo que a montadora retirou as informações do consumidor do ar – embora ainda seja possível encontrar as de outros 400 clientes na página do Google.

"Vou entrar com um processo contra eles, porque acho que é uma tremenda irresponsabilidade. Era tão simples; passei todos os detalhes e eles não fizeram nada." A reportagem pediu à montadora esclarecimentos sobre por que os dados haviam sido colocados na internet, e se o cliente havia autorizado a divulgação das informações, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.

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