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Negócio

Pão de Açúcar adquire o controle da Casas Bahia

Empresa resultante da fusão será o maior empregador privado do país, com 137 mil funcionários. Em faturamento, só perderá para Petrobras, Vale, Gerdau e AmBev

Confira: fusão é a maior do varejo brasileiro |
Confira: fusão é a maior do varejo brasileiro (Foto: )

O Pão de Açúcar adquiriu ontem o controle da Casas Bahia em uma transação que não envolveu desembolso de dinheiro. A operação, que depende de aprovação dos órgãos de defesa da concorrência, transforma o grupo na quinta maior empresa do país em faturamento bruto, com R$ 40 bilhões. Nesse quesito, perde apenas para Petrobras, Vale, Gerdau e AmBev. O Pão de Açúcar, co-controlado pelo grupo francês Casino, também se transforma no maior empregador privado do Brasil, com 137 mil funcionários.O negócio ocorre num momento de aceleração de fusões de grandes grupos econômicos no Brasil e em que a alta da renda e do emprego impulsiona o varejo no país. A união reforça a atuação do grupo Pão de Açúcar no segmento de bens duráveis (móveis e eletrônicos) e amplia sua presença junto ao consumidor de baixa renda. Com a força da Casas Bahia em São Paulo, concorrentes temem que a concentração em eletrônicos possa chegar a 70% no estado."Essa é uma operação em que todos ganham", declarou o presidente do Conselho de Administração do Pão de Açúcar, Abílio Diniz. "Somos originários de alimentação, estamos crescendo em não alimentos. A Casas Bahia é uma grande oportunidade para nós, e essa é também uma grande oportunidade para eles", afirmou.

Pelo acordo, assinado ontem às 6 horas da manhã, Pão de Açúcar e Casas Bahia se tornaram sócios em uma nova empresa, que será dona da Globex, rede de bens duráveis que hoje é subsidiária integral do Grupo Pão de Açúcar e dona da rede Ponto Frio. Para ficar com o controle da nova empresa, o Pão de Açúcar entrou com a rede Ponto Frio, avaliada na operação em R$ 1,23 bilhão, e com a rede Extra Eletro, avaliada em R$ 120 milhões.

A Casas Bahia entrou com ativos e passivos operacionais, incluindo 25% da fábrica de móveis Bartira e uma dívida líquida de curto prazo no valor de R$ 950 milhões. Já contabilizada a dívida, a parte da Casas Bahia (49%) foi avaliada em R$ 1,290 bilhão. A nova empresa nasce avaliada em R$ 2,6 bilhões. Não entraram na operação, permanecendo com a família Klein, a propriedade dos imóveis e dos centros de distribuição, 75% da Bartira e mais quase R$ 1 bilhão em créditos recebíveis.

A família Klein vai receber pelos aluguéis das 513 lojas por um prazo de dez anos prorrogável por mais dez (que renderão R$ 130 milhões/ano) e também ficou com um contrato de fornecimento de móveis por três anos, uma conta de R$ 18 milhões ano.

Iniciativa

As conversas duraram menos de três meses e começaram por iniciativa de Diniz. "Eu liguei para o Michael (Klein) e fiz a proposta", afirmou. Segundo o presidente do Pão de Açúcar, Cláudio Galeazzi, a velocidade com que o negócio foi feito tem a ver com o "momento de forte crescimento do Brasil".

Para Pércio Souza, sócio-fundador da consultoria Estater, que coordenou as conversas entre as duas partes, o negócio pode ser considerado uma evolução. "No mundo todo há uma tendência de consolidação. Com isso, a empresa se fortalece e pode praticar preços melhores", disse, depois de apresentar o negócio ao lado de Diniz e Klein na sede do Pão de Açúcar.

Michael Klein ficará na presidência do Conselho de Administração da nova empresa, e seu filho Raphael Klein será o presidente executivo, com mandato de dois anos. O Conselho terá nove integrantes, cinco indicados pelo Pão de Açúcar e quatro pela Casas Bahia.

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