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Crise dos combustíveis

Petrobras admite surpresa com escalada do petróleo e ainda não definiu reação

Magda Chambriard
Magda Chambriard afirma que estatal não previa barril a US$ 116,93 em outubro e diz que empresa discute medidas diante dos efeitos da guerra. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

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A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, admitiu que a estatal não estava preparada para a nova escalada do preço internacional do petróleo, que chegou a US$ 116,93 por barril neste sábado (24). Segundo ela, a expectativa era de queda nas cotações após uma alta registrada em meados do ano e de que a guerra envolvendo Estados Unidos e Irã tivesse curta duração.

A presidente afirmou que a companhia já começou a discutir como reagir à alta, mas ainda não definiu quais medidas serão adotadas.

“Quando o preço do petróleo foi para US$ 120 em meados do ano, todas as expectativas eram de que ele decrescesse. E que a guerra [no Irã] durasse pouco. Ninguém imaginou que nós íamos ter um final de outubro com o barril a US$ 116”, afirmou em entrevista ao jornal O Globo.

Magda Chambriard também defendeu que a Petrobras evite repetir erros de sua política de preços adotada em 2018 e 2019, quando acompanhava de perto as cotações internacionais. Segundo ela, a estratégia acabou provocando perda de mercado e de receitas para a companhia.

“Fomos perseguir pari passu os preços internacionais e, no final, buscando ganhar muito dinheiro, acabamos perdendo dinheiro e market share, que foi difícil recuperar depois”, afirmou.

A executiva sinalizou que a estatal considera os efeitos comerciais de uma eventual mudança nos preços dos combustíveis diante da pressão internacional.

Magda Chambriard ainda atribuiu parte da disparada dos preços aos impactos da guerra sobre a infraestrutura mundial de refino e o transporte de combustíveis.

“O que a gente viu com a guerra entre Estados Unidos e Irã foi uma destruição de refino no mundo, com um salto no spread do diesel”, declarou.

Magda Chambriard também destacou o aumento do custo do transporte marítimo, provocado por restrições nas rotas de navegação e pela necessidade de trajetos mais longos para abastecer os mercados. Na avaliação da presidente, a combinação desses fatores colocou em risco a segurança energética e elevou a pressão sobre o fornecimento de diesel e gás.

Diante desse cenário, a presidente defendeu ampliar a produção nacional de petróleo e buscar novos compradores internacionais. Como exemplo, citou a primeira venda de petróleo bruto da Petrobras ao Japão, mercado com o qual a estatal ainda não havia concretizado negócios.

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