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Indícios

PF investiga atuação coordenada entre bancos para ocultar dívidas das Americanas

Operação Disclousure cumpre mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Operação Disclousure cumpre mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro. (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

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A decisão que embasou a segunda fase da Operação Disclosure, da Polícia Federal, aponta indícios de uma possível atuação coordenada entre os bancos Itaú e Santander para omitir informações sobre operações financeiras da Americanas durante o processo de auditoria da varejista. A informação consta em decisão da juíza Giovana Calmon, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, obtida pelo UOL.

A operação foi deflagrada em 25 de junho e investiga suspeitas relacionadas à fraude contábil bilionária revelada pela Americanas em janeiro de 2023.

Na decisão, a magistrada autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão e reproduz mensagens trocadas entre executivos das instituições financeiras e o então diretor financeiro da empresa, Fabio Abrate. Segundo a juíza, os diálogos indicam que o posicionamento de um banco seria determinante para que o outro adotasse o mesmo procedimento solicitado pela antiga administração da varejista.

De acordo com a investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, os bancos teriam emitido cartas de circularização — documentos enviados às auditorias para confirmar saldos e operações financeiras — sem registrar determinadas operações de risco sacado contratadas pela Americanas.

Nesse modelo de operação, a instituição financeira antecipa recursos aos fornecedores e a empresa assume posteriormente a dívida com o banco. Para os investigadores, a omissão dessas informações teria permitido esconder parte do endividamento da companhia tanto da auditoria externa quanto do mercado.

A decisão judicial destaca uma troca de mensagens em que representantes da Americanas solicitam a um executivo do Itaú que determinadas informações sejam retiradas das cartas enviadas aos auditores. Em outra conversa reproduzida no processo, um interlocutor afirma que o Santander somente faria a alteração caso o Itaú adotasse o mesmo procedimento.

Para a juíza Giovana Calmon, o conteúdo das mensagens constitui indícios de uma possível atuação coordenada entre as instituições financeiras para atender às solicitações da antiga diretoria da varejista. A decisão, contudo, integra a fase investigativa do caso e não representa conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.

Bancos negam irregularidades

Em manifestação à imprensa, o Itaú afirmou que também foi vítima da fraude contábil praticada na Americanas, que sofreu perdas bilionárias e que já demonstrou à Justiça a regularidade da atuação de seus funcionários. O banco acrescentou que recusou pedidos da antiga gestão da empresa para alterar as cartas de circularização.

O Santander, por sua vez, declarou que igualmente foi vítima das fraudes investigadas e afirmou que a realização de operações bancárias com a Americanas não implica participação nas irregularidades apuradas pelas autoridades.

Até o momento, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal não divulgaram novas informações sobre o andamento da investigação. Também não houve manifestação pública da Americanas sobre o conteúdo da decisão judicial.

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