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Safari

PF mira contrabando em embaixadas

  • PorO Globo/Globo Online
  • 10/03/2006 05:21

Atualizado em 10/03/06, às 19h09

Seis pessoas foram presas nesta sexta-feira na Operação Safari, que a Polícia Federal e a Receita deflagraram em Brasília para desarticular uma quadrilha acusada de contrabando de uísque, perfumes e produtos eletrônicos. A PF acredita que pelo menos um diplomata brasileiro esteja envolvido no esquema. Segundo o delegado Paulo Moreira, que chefia a operação, as notas dadas pelo Itamaraty autorizando a compra dos produtos pelas embaixadas eram assinadas por um diplomata.

Segundo a PF, o esquema envolvia cinco embaixadas - três africanas e duas do Oriente Médio -, servidores do Ministério das Relações Exteriores, contrabandistas e funcionários da Brasif, empresa que tem a exclusividade das vendas para embaixadas.

Entre os presos está o servidor do Itamaraty Hamilton Ferreira dos Reis, preso no próprio ministério. Ele trabalha na Coordenação Geral de Privilégios e Imunidades, setor responsável por emitir as notas que autorizam as embaixadas a fazerem as compras na Brasif. Segundo a PF, Hamilton recebia o pagamento por seus serviços em caixas de uísque e ainda não se sabe se ele também recebia dinheiro da quadrilha. A PF tem imagens do servidor recebendo caixas de uísque.

Pelo menos 20 funcionários das cinco embaixadas estariam envolvidos no esquema, mas não podem ser presos pela PF porque têm imunidade penal no Brasil. Por isso, a PF pedirá ao Itamaraty que informe a seus países de origem para que sejam tomadas as providências.

A PF detectou um acréscimo excessivo das compras dessas embaixadas nos últimos quatro meses. Uma pequena embaixada africana comprou 900 litros de uísque em um mês, quando o consumo médio de uma embaixada maior, como a americana, é de 90. Só nesse período acompanhado pela PF, as vendas chegaram a US$ 500 mil e US$ 100 mil em impostos teriam deixado de ser recolhidos.

Operação Safari da PF Também foram presos três contrabandistas - Ângela Rodrigues, Alzair de Aquino e Zuhair Murdashi - e dois funcionários da Brasif - Jonas da Silva Garcez e Manoel da Costa. Os seis vão responder por formação de quadrilha, contrabando, corrupção passiva e corrupção ativa e podem pegar até 10 anos de cadeia.

Na casa de um dos contrabandistas foram encontrados mil vidros de perfume vendidos a R$ 300 cada um. Segundo a PF, uma garrafa de uísque era comprada a US$ 9 (cerca de R$ 19) e vendida a R$ 45 para altos funcionários públicos, empresários e políticos de Distrito Federal e Goiás. Em dez meses, as cinco embaixadas compraram 25 mil litros de uísque.

De acordo com a PF, a quadrilha pode ter contrabandeado mais de R$ 3 milhões nos três anos que o grupo agia em Brasília. O esquema funcionava da seguinte forma: o servidor da embaixada emprestava o nome para os bandidos fazerem compras sem impostos na empresa importadora. Os criminosos revendiam os produtos de primeira linha, livremente, com altíssimos lucros entre os clientes de alto poder aquisitivo. Os próprios contrabandistas mantinham contato com os funcionários da importadora envolvidos e pediam a emissão de notas ocasionais e notas programadas (notas para a venda de mercadoria a pessoas que têm imunidade tributária).

Por sua vez, os criminosos levavam pessoalmente as notas até um servidor do Ministério das Relações Exteriores, que providenciava a autorização de compra em nome de várias pessoas que têm imunidade e que serviam de fachada para a compra.

As investigações começaram há cerca de dois anos, depois que um fiscal da Receita Federal no aeroporto de Brasília desconfiou do repentino aumento de importação de alguns produtos como uísque, perfume e eletroeletrônicos por funcionários de algumas embaixadas. A partir daí, a Receita acionou o Ministério Público e a PF, que chegaram à organização.

- O grupo fornecia esses produtos contrabandeados não apenas para pessoas comuns. Esses produtos eram vendidos também em bares, boates e restaurantes. Nosso trabalho agora é identiifcar quem são os compradores. isso é concorrência desleal - afirmou um funcionario do serviço de inteligência da Receita.

Entre os clientes da quadrilha, haveria uma longa lista de servidores da Câmara e do Senado.

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