O desaquecimento da economia brasileira não seria culpa apenas de um aumento da Selic, e sim da soma de uma série de fatores, como a esperada redução das exportações em caso de desaceleração no resto do mundo. Mas, historicamente, elevações na taxa de juros, usada para combater a inflação, tiveram o efeito colateral de limitar o crescimento econômico.

Nos últimos dez anos, a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foi superior a 4% apenas duas vezes, em 2000 e 2004. Em ambas, o crescimento foi seguido de uma forte desaceleração no ano seguinte. Quase sempre porque, para conter a euforia dos consumidores, o BC aumentou a Selic.

O problema é que juro em alta não inibe apenas o consumo, mas também desestimula a indústria a investir. Sem expandir sua capacidade de produção, as empresas têm mais dificuldade para atender à demanda quando esta volta a crescer. Resultado: preços sobem e, novamente, usa-se o mesmo remédio de sempre – o juro –, dando seqüência a um ciclo que, muito apropriadamente, foi apelidado de "vôo da galinha", por ter fôlego curto.

Para o economista Sérgio Vale, da MB Associados, o crescimento em 2007 deverá ser forte, independentemente do que ocorrer com a economia norte-americana. "A perspectiva é de um avanço de 4,9%, e dificilmente ficará muito longe disso", diz. Mas, segundo ele, as estimativas para 2008 apontam que a expansão não será maior que 4,8% – índice que já embute a expectativa de que o Banco Central vai interromper, por pelo menos duas reuniões, o processo de queda da taxa Selic.

Se a crise for feia nos EUA, o crescimento brasileiro tende a ser ainda menor, e pode significar um ponto final no recente ciclo de expansão do emprego e da renda. Nos últimos 12 meses, a massa salarial brasileira (conjunto de todos os salários) subiu mais de 4%, e o desemprego caiu de 10,7% para 9,5%. (FJ)

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