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Antes de iniciar um curso de curta duração, os chamados cursos tecnológicos, muitos alunos se questionam: terminado o curso, será possível fazer uma pós-graduação? Os diretores das instituições de ensino que oferecem cursos deste tipo garantem que os alunos podem sim fazer uma especialização, um mestrado ou um doutorado, sem problema algum. "Não há qualquer restrição, desde que o curso realizado satisfaça as regras da pós pretendida", afirma o diretor adjunto de Pós-Graduação e Pesquisa do Cefet-PR, Luiz Nacamura.

É importante lembrar, no entanto, que não se deve confundir um curso técnico com um tecnológico. Os tecnológicos são cursos superiores de graduação enquanto os cursos técnicos são em nível de Ensino Médio e não permitem ao formando continuar seus estudos em cursos de pós-graduação.

De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), o número de cursos de graduação com grau acadêmico de tecnólogo cresceu 213,7%, de 2000 a 2003, como mostram os dados do Censo da Educação Superior 2003. Enquanto em 2000 havia 364 cursos no Brasil, em 2003 este número passou para 1.142. Nas instituições federais, o aumento foi ainda maior (215%): de 60 cursos em 2000 para 189 cursos em 2003.

Os cursos tecnológicos foram criados em virtude da edição da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, e legislações complementares. A LDB previa o fim da integração do Ensino Médio ao técnico, modelo chamado de integrado. Como opção, havia a oferta do ensino técnico em paralelo ao médio (concomitante) ou após a conclusão do Ensino Médio (seqüencial).

Necessidades do mercado

Em resumo, os cursos de graduação tecnológicos são de nível superior, de curta duração (dois a três anos), com foco nas necessidades do mercado, abertos a concluintes do Ensino Médio ou equivalente e aos que já têm diploma universitário e querem se especializar.

Eles foram criados para responder à demanda por preparação, formação e aprimoramento educacional e profissional. Os cursos tecnológicos são focados dentro de um determinado campo de atuação e voltados para a educação profissional o que faz com que sejam mais profundos se comparados com os cursos tradicionais de graduação, mais generalistas.

Segundo o diretor Ronaldo Vinícius Casagrande, do Centro Tecnológico Opet, a LDB determina que os cursos tecnológicos são cursos de graduação e dão o direito de fazer qualquer pós-graduação. "Para os cursos de especialização, não existe qualquer tipo de restrição", garante.

Já para os cursos de mestrados e doutorados, Casagrande observa que apesar da permissão da lei, algumas instituições de ensino, entretanto, podem exigir certos requisitos que podem acabar impedindo a realização da pós-graduação. "Mestrado e doutorado geralmente são cursos para quem busca ter uma carreira mais científica. Enquanto o ensino tecnológico tem o foco mais voltado para o mercado de trabalho, a pós-graduação tem o foco voltado para a pesquisa científica. Em função dos objetivos é que algumas instituições colocam algumas restrições", lembra.

Para Casagrande, após cursar um tecnológico, o ideal é que o aluno faça uma especialização. "O aluno não deve buscar fazer uma especialização na mesma especificidade que o curso tecnológico. O melhor é fazer outra área que dê uma visão mais abrangente para suprir a falta de generalização que tem um curso tecnológico", aconselha.

Em Curitiba, diversas instituições oferecem cursos tecnológicos. Entre outras, estão: Cefet-PR, Opet, Uniandrade, Spei, Ceninter, Ensitec.

Diferenças

Casagrande traça algumas diferenças entre os tecnológicos e os de graduação. "Os cursos tecnológicos têm o foco totalmente voltado para o mercado de trabalho. Ele é direcionado a uma especificidade. Os que têm procurado um curso deste tipo são aqueles que já tem um vínculo com o mercado de trabalho. A média de idade é de 30 anos, são pessoas que já têm uma bagagem de mercado. Já os de graduação são cursos que, por princípio, devem focar a ciência e não o mercado de trabalho; são cursos mais generalistas e a média de idade é de pessoas mais novas, geralmente 18 e 19 anos", explica.

Talvez a principal diferença dos cursos de Educação Tecnológica em relação aos de graduação esteja na proposta de formar especialistas, enquanto os demais cursos superiores objetivam formas generalistas.

Concurso público

O coordenador dos cursos de Informática da Spei, Orlei Pombeiro, lembra que muitos acreditam que os cursos tecnológicos são inferiores ou que correspondem ao ensino médio. "O aluno que cursar um tecnológico terá o diploma reconhecido pelo MEC como ensino superior. Ele vai para o mercado de trabalho e, ao galgar novos cargos, sentirá a necessidade de dar continuidade à sua formação. Ele poderá optar por fazer outra graduação no nível de bacharelado, eliminando as disciplinas que já cursou ou optar por uma pós na área escolhida".

Pombeiro lembra ainda que outra dúvida bastante comum é se o aluno que fez um curso tecnológico pode prestar concurso público. O coordenador afirma que se o edital explicar que é necessário ter curso superior, não há problema algum já que o curso é reconhecido pelo MEC como tal.

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