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Catarina Yamaguchi  encontrou  no voluntariado a oportunidade de ajudar os outros e desenvolver habilidades profissionais. | Arquivo pessoal/
Catarina Yamaguchi encontrou no voluntariado a oportunidade de ajudar os outros e desenvolver habilidades profissionais.| Foto: Arquivo pessoal/

Habilidade para lidar com imprevistos, boa liderança, criatividade para encontrar soluções e capacidade de trabalhar bem em equipe são algumas das características procuradas por recrutadores em qualquer setor da economia. Enquanto alguns abrem a carteira e gastam com várias sessões de orientação de carreira para desenvolver essas aptidões, outros fazem isso de graça. Com o trabalho voluntário, qualquer um pode melhorar como profissional investindo apenas seu tempo.

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Analista de sistemas do banco Itaú, Catarina Yamaguchi foi buscar, há cerca de dez anos, ações de voluntariado junto ao programa social desenvolvido pela própria empresa e encontrou mais do que esperava. Além de ter melhorado sua comunicação, virou craque em planejamento.

Ela começou de mansinho, buscando opções relacionadas a sua área de atuação. Depois de dar oficinas de informática e desenvolver sites voluntariamente, viu que estava pronta para dar um passo além. Hoje, mobiliza colegas e amigos para oficinas de leitura e contação de histórias em escolas. “Eu aprendi muito a tocar projetos, organizar pessoas e isso se reflete no meu trabalho”, conta. “É bem importante que a empresa se interesse por isso e incentive os profissionais. No mínimo, o voluntariado vai ajudar no desenvolvimento das pessoas”.

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Novas habilidades e mais engajamento

No caso de Catarina, o vínculo com a empresa passou segurança e foi um bom guia de por onde começar – aspecto que pode confundir muita gente que deseja participar de atividades voluntárias, mas não sabe como dar o primeiro passo.

“A gente tem uma responsabilidade e um potencial de comunicar e engajar as pessoas que é muito importante”, diz a coordenadora de Mobilização Social da Fundação Itaú Social, Cláudia Sintoni. Com foco em educação, o objetivo da Fundação Itaú Social é aumentar a qualidade da escola pública.

Cláudia explica porque a companhia se preocupa com esse tema: “Em primeiro lugar, o voluntariado faz parte da identidade do banco de ‘gente que se preocupa com gente’. Depois, vêm as competências que os profissionais desenvolvem – como trabalho em equipe e liderança”.

Além disso, o estudo Além do Bem – fruto de uma parceria entre o Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV) no Brasil, a Santo Caos Consultoria e o Bank of America Merrill Lynch – mostrou que o voluntariado corporativo aumenta em 16% o engajamento dos funcionários. Isso acontece por uma série de fatores: os funcionários acabam trabalhando em equipes, conhecem outros funcionários que não conheceriam antes, ganham novas habilidades e melhoram a sua comunicação. Isso se reflete em satisfação com o trabalho, afirma associada do UNV Monica Villarindo.

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Atuando junto ao UNV há mais de uma década, Monica já coordenou projetos da ONU no Afeganistão e no Timor-Leste e garante que a atuação voluntária pode contar muitos pontos na hora de concorrer a uma vaga. “O trabalho voluntário é importante não só pelo senso de cidadania e porque a gente precisa transformar o mundo. Ele também é um adicional para uma carreira de sucesso”.

Como colocar o voluntariado no currículo?

No exterior, mais especificamente nos Estados Unidos, esse tipo de atividade é um diferencial desde o processo seletivo para ingresso em cursos de graduação e se estende ao longo da carreira. Por aqui, as empresas estão começando a levar isso em consideração, porém, para se destacar é importante saber demonstrar os motivos pelos quais a experiência com trabalho voluntário foi relevante.

“O trabalho voluntário faz diferença se for relevante - se você tiver feito por um grande período de tempo, que não tenha sido pontual”, aponta gerente de recrutamento da Robert Half, Larissa Laibida.

Entre os bons exemplos citados por ela estão a implementação de projetos e trabalhos de longo prazo fora do país. “É preciso ver o que essa experiência diz sobre você para o recrutador”.

Para isso, a atividade não precisa ser dentro da sua área de atuação, já que, ainda que não sejam técnicas, as soft skills adquiridas com o voluntariado são essenciais a qualquer profissional.

“Aproveitar a oportunidade de voluntariado para desenvolver competências e viver experiências, que talvez não fossem acessíveis no ambiente profissional a curto prazo (como a vivência da liderança de pessoas e o gerenciamento de projetos) é uma ótima forma de investimento em desenvolvimento”, aconselha Leonardo Gomes, responsável pelos processos seletivos da Fundação Estudar.

Fazer o bem faz bem

Muita gente acaba deixando o voluntariado para depois por falta de tempo, mas o período entre dois empregos ou a aposentadoria podem ser a oportunidade perfeita para doar um pouco de energia para o benefício de outros. Larissa Laibida destaca que, além de passar uma boa impressão no currículo, um contador que, por exemplo, resolveu dar aulas de matemática para crianças carentes enquanto estava desempregado também melhora sua autoestima.

Outra possibilidade é a vivida por Miriam Midori, que atua há mais de 10 anos no Centro de Ação Voluntária (CAV), em Curitiba. Ela só conseguiu encaixar o voluntariado na agenda quando se aposentou - e não quis mais tirar. Trabalhando principalmente como palestrante, é a ex-professora que faz o primeiro contato com aqueles que procuram o CAV para voluntariar-se.

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“Na faixa etária que eu estou, tenho muito conhecimento e acho que tenho que compartilhar”, conta. Além das palestras para iniciantes, também divide o que sabe sobre liderança, comunicação interpessoal e qualidade de vida no envelhecimento. “No trabalho voluntário, você mais recebe do que dá. É muito gratificante”.

Monica Villarindo acredita que é preciso tirar o estigma do assistencialismo do voluntariado e buscar atividades que causem transformações na sociedade. “Não é uma questão de trabalhar de graça. É trabalhar para si mesmo, para a comunidade, para a sua família para que todos tenham mais qualidade de vida. Todos têm uma obrigação de participar de alguma forma”, diz. Para ela, basta nos perguntarmos: o que eu estou fazendo para melhorar o meu entorno?

Quem quer ser voluntário, mas não sabe por onde começar, pode encontrar informações sobre programas de voluntariado no site da ONU Brasil e do Centro de Ação Voluntária.

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