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Comércio Exterior

Quando é hora de importar e adaptar produtos

Enquanto diversos setores da economia paranaense amargam a queda das exportações, a MGS Indústria e Comércio de Plásticos, de Pinhais (região metropolitana de Curitiba), comemora uma expansão de 90% nas vendas externas nos últimos três anos. Em toda a América Latina, os únicos países que não compram os produtos da MGS são o México e as Guianas. É bem verdade que o volume exportado corresponde a apenas 10% da produção, que varia entre 100 e 120 toneladas por mês, mas os planos da empresa são de elevar esse porcentual nos próximos anos. As soluções encontradas pela MGS para crescer lá fora, mesmo com o dólar baixo, estão entre as medidas que o setor produtivo pode adotar para conquistar – e manter – o mercado internacional.

O gerente de exportação e importação da empresa, Marcelo Nalon, conta o segredo: "Estamos aumentando a compra de matéria-prima do exterior. Hoje mesmo estou negociando uma importação da Coréia do Sul, com preços 30% mais baixos que no mercado brasileiro. Assim, reduzimos nossos custos", diz Nalon. Segundo ele, a MGS – que detém 60% do mercado brasileiro e 1% do mercado mundial de plásticos de engenharia, que substituem o aço em máquinas industriais –, utiliza o mecanismo "draw-back": compra matéria-prima lá fora, industrializa no Brasil e vende o produto final ao exterior, sem precisar pagar os impostos referentes a essa operação.

A MGS também adotou uma política mais flexível nas cobranças dos clientes internacionais. A empresa, que até algum tempo atrás exigia pagamento antecipado – afastando possíveis compradores – oferece hoje até 90 dias de prazo. "Outra estratégia determinante foi nos moldarmos ao cliente, e não o contrário", diz Nalon. "Para alguns mercados, como o colombiano, que exige dimensões no padrão norte-americano, mudamos as dimensões do nosso produto."

Gustavo Machado, um dos diretores da consultoria GT Internacional, diz que o setor de alimentos e bebidas é um dos mais promissores para a exportação. "Trata-se de aproveitar a imagem que o Brasil tem lá fora, como produtor agrícola, de frutas, de determinados tipos de bebidas", explica. Ele explica que desenvolver produtos com a "marca Brasil", com investimento em design e tecnologia, aumenta a margem de lucro da empresa. Pelo simples fato de que ela vai exportar algo que poucos fazem, a corrosiva competição por preço baixo é muito menor, ou mesmo inexistente.

Quem aposta nessa idéia é a empresa paulistana MME Industrial e Comercial, que planeja exportar a partir de 2007 a cachaça "premium" Caytata, em várias versões: envelhecida, com guaraná, com infusão de anis e outras. "Ela será vendida somente no mercado internacional. Surgiu da idéia de criar um produto diferenciado, para entrar em alguns mercados bem específicos, como o japonês", explica o proprietário da empresa, Erick Miyasaki. (FJ)

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