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O fim da temporada de balanços do terceiro trimestre deixou claro que as grandes varejistas de moda estão com dificuldade de convencer o consumidor a renovar o guarda-roupa em tempos de crescimento econômico perto de zero. Das quatro maiores redes de confecções listadas na Bolsa, apenas a Renner registrou alta nas vendas em lojas abertas há mais de um ano entre julho e setembro. As demais – Riachuelo, Hering e Marisa – viram retração no indicador.

Segundo o IBGE, as vendas do comércio como um todo andaram para trás em julho e agosto. No entanto, analistas afirmam que problemas internos também afetam os resultados das redes. Dificuldades com coleções, definição de preços ou projetos de expansão ajudam a explicar os resultados do terceiro trimestre. O balanço das empresas ainda inclui impacto residual da Copa do Mundo, que afetou as vendas em julho.

Fortemente atrelada à classe C, a Marisa foi a única empresa que, além de ter visto suas lojas venderem menos entre julho e setembro, também registrou prejuízo líquido – a empresa perdeu R$ 18,4 milhões no período. "Existe um componente de execução no balanço da Marisa", disse o analista de varejo da Votorantim Corretora, Luiz Cesta. Isso quer dizer que, além de ter de enfrentar um cenário macroeconômico desfavorável, a empresa também não conseguiu entregar uma coleção que agradasse à clientela, reduzindo as visitas às lojas.

No caso da Riachuelo, parte do Grupo Guararapes, a queda nas vendas das lojas abertas há mais de um ano foi a primeira desde 2006, ano em que a empresa começou a incluir o indicador no balanço. A retração de 2,7% significou também um forte contraste em relação à expansão de 10% do mesmo período de 2013. Segundo relatório dos analistas Guilherme Assis e Victor Falzoni, do Banco Brasil Plural, um dos componentes que contribuíram para a piora do resultado foi a desaceleração nas vendas nas regiões Norte e Nordeste, às quais a companhia tem forte exposição.

No entanto, uma fonte de mercado ouvida lembra que a empresa também está empreendendo um forte programa de expansão – serão 40 unidades novas em 2014, ritmo parecido com o do ano passado. A abertura de novas lojas pode afetar, em alguns casos, o desempenho de pontos de venda já estabelecidos. "A empresa está também fazendo um forte movimento de sofisticação, que custa caro", disse a fonte.

Caminho da cautela

Enquanto concorrentes mantêm acelerados projetos de expansão, a Hering opta pelo caminho da cautela. No mês passado, a empresa anunciou que abrirá 75 novas unidades em 2014, contra as cem lojas inicialmente previstas. Entre as principais varejistas, a Hering é a que vem apresentando resultados decepcionantes há mais tempo.

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