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O pix, que desde 2020 revolucionou pagamentos instantâneos no Brasil, passa por novas atualizações de segurança. As mudanças foram sugeridas pelo Banco Central (BC) no início do ano, e as novas diretrizes vêm sendo aplicadas pelas instituições financeiras com o objetivo de combater golpes e recuperar valores transferidos indevidamente.
A principal novidade é o Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0), que permite o rastreio do dinheiro em "múltiplas camadas", aumentando as chances de reaver fundos desviados. O BC estabeleceu essa regra como um requisito mínimo de segurança para as instituições.
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Fim da "pulverização" de valores?
A implementação do MED 2.0 soluciona uma das maiores limitações do sistema anterior. Antigamente, o rastreamento parava na primeira conta que recebia o dinheiro. Agora, os bancos conseguem monitorar o fluxo financeiro mesmo que o montante seja distribuído entre diversas contas sucessivas — estratégia comum de organizações criminosas para "lavar" o dinheiro de golpes.
Bloqueio cautelar e análise
Complementarmente, os bancos intensificaram o chamado bloqueio cautelar. Transações consideradas atípicas para o perfil do cliente — como valores elevados em horários alternativos — podem ficar retidas por até 72 horas.
Durante o período, o banco mantém o valor congelado e decide se libera o recurso ao recebedor ou se o estorna à conta de origem, impedindo saques imediatos em casos de suspeita de fraude.
Limites em novos dispositivos
Para dificultar a ação de invasores, as regras de acesso por dispositivos não cadastrados foram endurecidas:
Novos aparelhos: Ao utilizar um novo celular ou tablet, o limite de transferência é reduzido automaticamente para R$ 200 por operação e R$ 1.000 diários.
Liberação: os limites restritos permanecem até que o dispositivo passe por validação biométrica ou reconhecimento de segurança completo.
Alteração de limites: O cliente pode reduzir seus limites a qualquer momento com efeito imediato. No entanto, solicitações para aumento de limite levam pelo menos 24 horas para serem aprovadas, visando evitar transferências sob coação.
O processo de devolução também se tornou mais ágil, com prazo estimado de até 11 dias após a contestação oficial da vítima. Embora a adoção tenha sido facultativa no fim de 2025, a regra tornou-se obrigatória para todos os bancos em 2 de fevereiro de 2026.
Pix na mira dos EUA
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) divulgou um relatório sobre a investigação comercial em andamento contra o Brasil, no qual aponta práticas que descreveu como desleais entre os países.
O método de pagamento instantâneo seria um obstáculo pelo fato de o BC "deter, operar e regular". Segundo o relatório, "partes interessadas americanas expressaram preocupação com o fato de o Banco Central do Brasil conceder tratamento preferencial ao pix", em detrimento de soluções de empresas americanas.








