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Loja de móveis em Curitiba: setor teve o maior aumento nas vendas em janeiro, e analistas acreditam que novas medidas macroprudenciais poderiam estar voltadas a esse mercado | Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
Loja de móveis em Curitiba: setor teve o maior aumento nas vendas em janeiro, e analistas acreditam que novas medidas macroprudenciais poderiam estar voltadas a esse mercado| Foto: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
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Nem todos os setores do comércio foram afetados pelas medidas macroprudenciais adotadas no fim do ano pelo Banco Central, que restringem a oferta de crédito. A série com ajuste sazonal da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE registrou um aumento de 1,2% nas vendas em janeiro deste ano, na comparação com dezembro de 2010. No entanto, o volume de vendas do comércio varejista ampliado, que inclui dois setores a mais (materiais de construção e veículos) além dos oito já pesquisados na PMC, mostrou queda de 0,2% no mesmo período. Na comparação com janeiro do ano passado, as vendas do varejo tiveram alta de 8,3% em janeiro deste ano. O volume de vendas do comércio varejista ampliado subiu 11,2%, informou ontem a instituição.

Em janeiro, o volume de vendas no varejo cresceu em seis das dez atividades pesquisadas. O economista Reinaldo Pereira, da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, disse que a taxa positiva foi beneficiada pelo bom momento no comércio varejista brasileiro. "Tivemos um resultado no ano passado próximo de zero, uma estabilidade. Estamos vendo agora esta variação importante, mostrando o crescimento do comércio, mesmo com os aumentos de juros e as medidas macroprudenciais", afirmou. "Pode ser que para abril ou maio as medidas tomadas pelo governo comecem a surtir efeito, mas até agora não há impacto", acrescentou.

Análise

"Por um lado o consumo continua mostrando fôlego, em virtude de um mercado de trabalho ainda forte, apesar do aumento da taxa de desemprego dessazonalizada nas últimas duas leituras; por outro lado, esta confirma a efetividade das medidas macroprudenciais adotadas pelo BC em desaquecer a demanda, evidenciada pela queda do varejo ampliado", escreveu o estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno, em relatório. "Assim, avaliamos que o cenário doméstico corrobora a aposta de adoção de mais medidas macroprudenciais por parte do BC, seguidas por uma alta final de 0,50 ponto porcentual da taxa Selic. Olhando para o cenário externo, no entanto, avaliamos que os riscos são de que o BC já dê por encerrado o ciclo de aperto monetário, ou efetue uma alta apenas residual de 0,25 ponto porcentual da Selic, dependendo dos desdobramentos do desastre nuclear no Japão", complementou, já descrevendo seus cenários para a sequência da política monetária adotada pelo Banco Central.

No Banco ABC Brasil, o economista Felipe França também chamou atenção para a queda do segmento de veículos e motos. "Ao contrário dos móveis e eletrodomésticos, aqui vemos claramente o impacto das medidas macroprudenciais, já que uma das medidas adotadas foi o aumento da exigibilidade de capital nos empréstimos para aquisição de veículos", opinou. "No mais, acreditamos que os fundamentos que têm sustentado o comércio varejista, como emprego e renda elevados, devam continuar dando dinamismo à atividade, ainda que devamos observar uma acomodação decorrente do aumento real nulo no salário mínimo, das medidas macroprudenciais e política monetária mais restritiva", acrescentou França.

Para a equipe do Banco Fator, liderada pelo economista-chefe, José Francisco de Lima Gonçalves, o número ainda pequeno de segmentos da PMC que foram atingidos pelas medidas macroprudenciais e a mais recente ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizam que novas medidas, como as do fim de 2010 para a restrição do crédito, poderão ser anunciadas, só que de uma forma mais dirigida. "As medidas macroprudenciais tomadas pelo BC no começo de dezembro afetaram parte do comércio varejista, com desaceleração ocorrendo em diversos grupos (com destaque para materiais para escritório e veículos). No entanto, essas medidas não parecem ter afetado o segmento de móveis e eletrodomésticos, que não apenas seguiu crescendo a taxas robustas, como acelerou no mês de janeiro", salientaram os analistas do Fator. "De acordo com a ata da reunião mais recente do Copom, novas medidas macroprudenciais podem ser adotadas no futuro. Caso elas sejam tomadas, é bem possível que dessa vez elas tenham como foco o crédito para aquisição de móveis e eletrodomésticos, devido a esse comportamento", sugeriram.

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