Ministro Pimentel diz que cadastro no Simples vai minimizar perdas com crise| Foto: Elza Fiuza/ABr

Perda de ritmo vai atrapalhar, diz professor

Cristina Rios

Para o economista Marcio Cruz, professor do departamento de economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a queda no déficit da Previdência Social é fruto da combinação de crescimento econômico e do avanço do emprego formal nos últimos anos. "O INSS, embora ainda sofra os efeitos de regras inadequadas para fazer frente ao aumento da expectativa de vida da população, se beneficiou do momento econômico favorável", diz. O cenário, no entanto, deve mudar em 2009 por conta da crise econômica, segundo Cruz. A expectativa de um crescimento menor do emprego formal e da perda do ritmo da atividade econômica devem ter reflexo nos indicadores de arrecadação.

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O déficit da Previdência Social caiu em 2008 pela primeira vez em treze anos e ficou em R$ 36,206 bilhões, contra uma previsão inicial de R$ 43,9 bilhões. O valor não considera a inflação e é resultado de uma arrecadação de R$ 163,355 bilhões e de uma despesa de R$ 199,562 bilhões com o pagamento das aposentadorias e pensões.

O desempenho da economia no ano passado e o aumento do emprego com carteira assinada foram os principais fatores para melhoria das contas do INSS. Porém, com a crise financeira internacional, esse cenário não deverá se repetir em 2009. A projeção do Ministério da Previdência para o ano é de déficit de R$ 41,1 bilhões – resultado de uma receita de R$ 186 bilhões e uma despesa de R$ 227,1 bilhões.

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Em janeiro, porém, o déficit da Previdência deverá voltar a subir, motivado por vários fatores, como o fechamento de 654.946 postos de trabalho no mês passado; a prorrogação do recolhimento dos impostos pelas empresas incluídas no Simples e a concentração de pagamento de precatórios.

Ao divulgar os dados, o ministro da Previdência, José Pimentel, disse que a adesão ao Simples, em média 15 mil empresas por dia em janeiro, e a formalização dos microemprendedores a partir de junho vão compensar eventuais perdas. "As dificuldades estão nas filiais de multinacionais instaladas no país, como as montadoras, que são obrigadas a mandar lucros para suas matrizes no exterior e cortar custos por causa da crise", minimizou Pimentel. "No Simples, são mais de 3 milhões de empresas com produção voltada para o mercado nacional, e não temos notícias de arrefecimento forte da demanda interna."