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Estação de Tratamento de Esgoto Belém, em Curitiba, produz cerca de 110 toneladas de lodo por dia | João Henrique Stahlke/Divulgação Sanepar
Estação de Tratamento de Esgoto Belém, em Curitiba, produz cerca de 110 toneladas de lodo por dia| Foto: João Henrique Stahlke/Divulgação Sanepar

Pedido de informações

Oposição na Assembleia questiona ausência de licitação na operação

O líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa, Tadeu Veneri, apresentou um pedido de informações para a Sanepar sobre a associação com a Cattalini Bioenergia. O objetivo é saber se houve a realização de uma licitação para a escolha da empresa parceira no negócio.

No pedido, Veneri questiona porque não houve licitação para a constituição da nova empresa e se existiu previsão legal para a formação da sociedade. Também pede à Sanepar que informe qual é a projeção de arrecadação da empresa e requer cópias dos pareceres jurídicos e técnicos sobre a formação da nova empresa.

Segundo Veneri, uma das questões é saber como a CS Bioenergia vai conseguir alavancar financiamentos para viabilizar seus negócios. "Queremos saber o retorno previsto e a previsão de receitas da nova companhia", acrescenta. A Sanepar tem 30 dias para responder aos questionamentos.

Segundo a área jurídica da companhia, não houve licitação porque não teria havido concorrência interessada e também porque a lei de incentivo ao desenvolvimento de novas tecnologias permite que a empresa execute parcerias sem a necessidade de licitação.

Projeto piloto

Empresa investe na geração de energia com resíduos desde 2008

A Sanepar vem pesquisando há tempos a utilização do lodo na geração de energia. Desde 2008, a empresa mantém um projeto piloto em Foz do Iguaçu, na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Ouro Verde. A energia gerada, de 25 quilowatts (KW), é toda usada na própria estação. A tecnologia, que é comum na Europa, ganhou fôlego nos últimos cinco anos no país. Além da Sanepar, a Copasa, de Minas Gerais, e a Sabesp, de São Paulo, têm projetos de geração de energia a partir do lodo.

Segundo Péricles Weber, diretor de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, desde 2011 a área de resíduos passou a ter uma importância estratégica para a companhia de saneamento. Foi criada uma equipe específica para a área, que ganhou status de novo segmento de negócios. Em parceria com a Copel e o Lactec, a empresa toca um projeto de estudo na área de biogás com recursos de R$ 7 milhões do governo alemão.

A ETE Belém foi escolhida para o projeto com a Cattalini Bioenergia porque além de ser a maior das 240 estações de tratamento de esgoto da empresa no estado, é a que mais se encaixa economicamente dentro da tecnologia que está sendo implantada. No total, o sistema da Sanepar gera 70 mil toneladas de lodo por ano.

A Companhia Paranaense de Saneamento (Sanepar) e a Cattalini Bioenergia acertaram a criação de uma nova empresa, a CS Bioenergia S.A, que vai explorar e dar destinação final ao lodo gerado nas estações de tratamento de esgoto. O objetivo é a produção de biogás e geração de energia.

As duas empresas formaram uma sociedade de propósito específico (SPE), que nasce com capital social de R$ 5,2 milhões. A Sanepar tem 40% do negócio, e a Cattalini, 60%. A nova empresa vai investir R$ 55 milhões na construção de uma planta de biogás, que deve ficar pronta dentro de um ano.

A unidade vai ficar ao lado da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Belém, a maior da Sanepar, que produz 110 toneladas de lodo (530 mil metros cúbicos) por dia. O lodo, juntamente com resíduos sólidos orgânicos de grandes geradores, como shoppings, supermercados e Ceasa, será transformado em energia, por meio do processo de biodigestão anaeróbia, que produz um biogás composto de 62% de metano e 38% de CO2.

Inicialmente a capacidade de geração será de 2,8 megawatts (MW), energia suficiente para atender a demanda de 28 mil casas populares, segundo o diretor de meio ambiente e ação social da Sanepar, Péricles Weber. A energia será comercializada no mercado livre.

A unidade de biodigestão será capaz de atender também a ampliação da ETE, que está recebendo investimentos de R$ 80 milhões e vai passar a gerar 690 metros cúbicos por dia de lodo. "Com isso cobrimos essa demanda até 2022", diz Weber. Em uma segunda fase, entre 2022 e 2044, a unidade poderá receber recursos de R$ 29 milhões e totalizar a geração de 4,6 MW.

Atualmente, grande parte do lodo gerado pela ETE é transformado em adubo, mas a operação tem um custo alto de logística e depende da sazonalidade da demanda do produto. "Com a nova unidade vamos reduzir em R$ 1 milhão nossos custos operacionais por ano nessa operação", diz Weber. Ainda assim, a nova unidade deve destinar cerca de 20 toneladas para a fabricação de adubo.

Dos R$ 55 milhões previstos no projeto, até 95% serão captados via financiamentos. Segundo os executivos, o potencial é vender a energia gerada a pelo menos R$ 170 o MW.

Oportunidades

Criada no fim de 2011, a Cattalini Bioenergia tem uma parceria com a austríaca Entec, que vai fornecer a engenharia do projeto da sociedade com a Sanepar. O objetivo da empresa é ter pelo menos cinco unidades para tratamento de resíduos no país entre dois e três anos, com investimentos de R$ 300 milhões, segundo Giuseppe Nappa, superintendente da Cattalini.

Conforme Sergio Vidoto, diretor comercial, a intenção também é aproveitar as oportunidades de negócios com a nova lei de resíduos sólidos, de 2010, que estabelece que os municípios terão de acabar com os lixões a céu aberto até agosto desse ano.

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