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Amanda Rossi foi encontrada morta dentro do campus da Unopar | Roberto Custódio/JL
Amanda Rossi foi encontrada morta dentro do campus da Unopar| Foto: Roberto Custódio/JL

Depois de vários anos sem fazer novos investimentos, a indústria de papel está retomando projetos de ampliação de capacidade no Paraná. Embaladas pelo crescimento do mercado interno e pelos bons preços internacionais, que ajudam a compensar o dólar fraco nas exportações, empresas como Klabin, Norske Skog, Santa Maria, Cocelpa, Sepac e Ibema estão colocando em prática novos projetos industriais que juntos deverão somar investimentos de cerca de R$ 3 bilhões até 2010.

Segundo maior produtor nacional de papel, atrás somente de São Paulo, o Paraná deve registrar um crescimento de 7% a 8% ao ano, segundo Odair Ceschin, presidente do Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose do Paraná (Sinpacel). O setor, que movimentou R$ 2,8 bilhões no ano passado, emprega 12 mil pessoas e reúne 459 indústrias no estado.

"Há pelo menos 15 anos não se verificava um mercado tão aquecido como o que vemos hoje", diz Marco Tuoto, analista da STCP Engenharia de Projetos, de Curitiba, especializada no setor florestal. De acordo com ele, uma combinação de fatores explica o novo ciclo de investimentos. Além do aumento da demanda e dos bons preços internacionais, há liquidez e oferta maior de crédito no mercado. "Soma-se a isso o fato de grandes empresas brasileiras estarem investindo em expansão para se tornarem mais fortes e para não se tornarem alvo de aquisições", diz.

De longe o maior projeto na área de papel dos últimos anos, o investimento de R$ 2,2 bilhões da Klabin na fábrica de Telêmaco Borba, na região central do Paraná, vai possibilitar a produção de mais 350 mil toneladas de papel-cartão da empresa, e elevar sua produção total para 2 milhões de toneladas por ano em 2008. "As vendas desse tipo de produto estão aquecidas sobretuto em países emergentes, onde o consumo está crescendo", diz Francisco Razzolini, diretor de projeto, que revela que a companhia estuda novas ampliações a partir de 2010. Da produção estimada, 85% serão exportados, principalmente para Europa, Estados Unidos, América Latina e Ásia. A Klabin já fechou, por exemplo, contrato para fornecimento de papel para cinco unidades da fabricante de embalagens cartonadas Tetra Pak, entre elas na Argentina e em Cingapura.

A norueguesa Norske Skog, segunda maior fabricante mundial de papel imprensa e única do setor no Brasil, está colocando em prática um projeto que vai permitir dobrar sua capacidade de produção na fábrica brasileira, localizada em Jaguariaíva. Orçado em US$ 210 milhões, o projeto vai elevar a capacidade de produção de 185 mil toneladas para 385 mil toneladas por ano a partir do segundo trimestre de 2009. A empresa vai adaptar e modernizar uma máquina que estava inativa na Europa e que já começou a ser importada para o Brasil, segundo Afonso Noronha, vice-presidente de relações externas da companhia. O executivo estima um crescimento de 4% nas vendas em 2007, mas acredita que há um grande potencial de expansão do mercado nacional. O Brasil importa 70% do seu consumo de papel imprensa – estimado em 500 mil toneladas – de países como Canadá, França, Noruega, Holanda e Chile. Com a nova máquina, o grupo espera reduzir as importações a 30%.

Depois de investir R$ 130 milhões na instalação de uma nova máquina de papel-cartão em 2001, a Ibema Companhia Brasileira de Papel, com sede em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, já estuda uma nova ampliação, que deve elevar sua produção em 30% a partir de 2009 e absorver R$ 10 milhões. Hoje a produção está em 90 mil toneladas por ano. A Ibema espera um crescimento de 14% para 2007, quando deve atingir uma receita de R$ 205 milhões.

Com foco no aumento do consumo no mercado interno, a Sepac Serrados e Pasta de Celulose, especializada em papel "tissue" – como papel higiênico e toalha de papel – está investindo R$ 100 milhões para dobrar a capacidade de produção de 100 para 200 toneladas por dia, segundo o seu diretor-presidente, João Ferreira Dias Filho. O faturamento, de R$ 130 milhões em 2007, também deve dobrar quando o projeto, que deve entrar em operação no primeiro trimestre de 2008, passar a rodar a plena capacidade. "As vendas do setor, que há alguns anos apenas acompanhavam o crescimento vegetativo da população, hoje avançam 3,5% ao ano", diz. Com a ampliação, o número de funcionários da fábrica deve passar de 320 para 500. Com previsão de crescer 10% em 2007, o grupo Santa Maria, de Guarapuava, está investindo US$ 10 milhões na automação da sua linha de papel de imprimir e escrever. "Mas a partir do próximo ano vamos começar a estudar nossos planos de expansão", diz Adriano Folador, gerente de gestão da empresa. Com faturamento de R$ 300 milhões previsto para 2007, a Santa Maria produz 8,5 mil toneladas por mês e emprega 1,5 mil pessoas.

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