Como projeto é privado, construção de novo terminal independe da paralisia do novo plano de concessões para o Porto de Paranaguá| Foto: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo

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Com anulação das audiências, terminal volta para consulta pública

O terminal de contêineres previsto pela Secretaria Especial de Portos da Presidência da República (SEP) para uma área ao leste do Porto de Paranaguá deve voltar às consultas públicas do novo plano de arrendamentos.

A proposta de arrendamento de um novo terminal no espelho d’água ao leste do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) tinha sido rejeitada com base nas audiências públicas realizadas pela SEP e pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). No entanto, com a anulação do processo, a proposta deve voltar à mesa. As novas consultas não devem acontecer antes do fim deste mês.

Sozinha, a área tinha investimento estimado em R$ 1 bilhão. A área era tão polêmica, que foi suprimida da apresentação oficial do plano pela secretaria. Em um relatório técnico interno, a proposta de terminal foi considerada inviável. Mesmo assim, a área foi incluída na primeira proposta de novas áreas para arrendamento no porto.

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A Triunfo Participações e Investimentos (TPI) e a LOGZ Logística Brasil estudam a construção de um novo terminal em Paranaguá. O plano das duas empresas, a princípio, é construir um terminal em um espaço de 2 milhões de metros quadrados a oeste do Porto de Paranaguá, na região conhecida como área do Embocuí.

INFOGRÁFICO:Veja o local para o novo terminal

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Em nota, a Triunfo Participações e Investimentos esclarece que os detalhes do projeto do novo terminal em Paranaguá ainda não foram definidos.

O interesse foi confirmado pela Triunfo em um fato relevante divulgado ao mercado. Segundo o documento, a TPI-Log e a LOGZ terão participação de 50% cada – e, de acordo com um empresário do setor que prefere não se identificar, o valor estimado para aquisição do terreno e operacionalização do projeto superaria os R$ 200 milhões.

Os planos são para os próximos cinco anos, com previsão de início das operações para 2019. Atualmente a Triunfo já opera um terminal de contêineres no Portonave, porto privado de Navegantes (SC).

"Esta é uma área que já está prevista no Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto de Paranaguá (PDZPO) e faz parte da previsão de expansão de demanda do porto para os próximos vinte anos", afirma o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino. Apesar de a área estar no plano, o superintendente diz que não há nenhuma manifestação oficial por parte das duas empresas.

No documento formulado pela Appa, a área do Embocuí tem vocação para abrigar um terminal de contêineres, mas também pode funcionar como terminal de granéis (sólidos, líquidos e de fertilizantes), veículos e até como polo industrial de metalmecânico e plataformas para operação em alto mar.

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Como o projeto é de um terminal portuário privado, a instalação não dependeria de um leilão para disputar a área. Com isso, o destravamento do projeto independe da paralisia do novo plano de concessões para o porto paranaense. TPI e LOGZ não quiseram comentar o assunto.

Projeção

No que diz respeito à demanda, o possível novo terminal complementaria a oferta do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) – único em atividade no litoral paranaense – e o Terminal de Contêineres de Pontal do Paraná, que teve seu projeto aprovado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) no fim do ano passado e tem previsão de operação para 2020.

Hoje, o TCP tem capacidade de movimentação de 1,2 milhão de TEUs (unidade de medida equivalente a contêineres de 20 pés) por ano. O terminal de Pontal do Paraná prevê que possa movimentar outros 1,4 milhão de TEUs assim que estiver em operação.

"Mesmo um terceiro terminal concorrente não seria problemático. Existe demanda para isso. O que não existe hoje é infraestrutura para que esses contêineres cheguem até o litoral paranaense", afirma o membro do conselho de infraestrutura da MV Consultoria Sebastião Almagro.

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De acordo com o PDZPO, a área tem potencial de aumentar a capacidade de movimentação em pelo menos 1 milhão de TEUs e a demanda de operação de contêineres no estado superaria os 2 milhões de TEUs até 2030.