O polo automotivo paranaense teve, entre 1997 e 2007, um grupo semelhante ao que a região do Grande ABC acaba de formar. E está na hora de reativá-lo, desta vez com novos objetivos, defende Roberto Karam, presidente do Sindicato da Indústria Metal-Mecânica (Sindimetal-PR) entidade que criou o extinto Paraná Automotivo, em parceria com o Sebrae e o Tecpar.
O programa paranaense tinha a intenção de capacitar as empresas locais a se tornarem fornecedoras das montadoras que vieram para o estado na segunda metade da década de 1990 (Volkswagen/Audi, Renault/Nissan e a extinta Chrysler). Era uma tentativa de auxiliar potenciais fornecedoras a modernizar a produção e a gestão de custos, capacitar funcionários e atingir a escala de produção e o padrão de qualidade exigido pelas multinacionais. Hoje, o Paraná é o terceiro maior polo automotivo do país, com cerca de 11% das vendas totais de veículos, atrás de São Paulo (44%) e Minas Gerais (25%), segundo estudo do site Automotive Business.
Queixas
No entanto, nem todos os objetivos do programa do Sindimetal foram alcançados. De noventa empresas locais que se habilitaram a participar em 1997, apenas 17 efetivamente entraram para a cadeia automotiva. Que, por sinal, poderia ser mais integrada, uma vez que a maior parte da produção local de componentes ainda é vendida a montadoras de outros estados. Também não faltam queixas contra o fim do apoio do governo estadual, em 2003, quando Roberto Requião assumiu o poder com um discurso de combate às montadoras que se instalaram no estado graças a benefícios fiscais concedidos pelo governador anterior, Jaime Lerner.
À exceção da compra da Tritec Motors, de Campo Largo, pela Fiat Powertrain Technologies (FPT), no ano passado, e de ampliações nas montadoras já instaladas, não houve grandes investimentos nos últimos seis anos. Nesse período, a fábrica de motores da General Motors acabou indo para Joinville (SC) e a nova unidade da Toyota, para Sorocaba (SP).
"O Paraná Automotivo capacitou 17 empresas locais, que foram agregadas às 53 estrangeiras que participariam da cadeia de fornecedores. No início, o índice de peças paranaenses em um carro pronto era de pouco mais de 2%, e hoje é certamente muito maior. Nesses 12 anos, o polo automotivo se consolidou e, aos poucos, o programa foi perdendo sua razão de ser", avalia Karam. "Mas as relações entre montadoras e fornecedoras estão mudando muito. E é de interesse das montadoras continuar elevando o índice de autopeças que compram na região, para não depender tanto de componentes importados, sujeitos sempre às variações do câmbio."







