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Iniciativa

Sobra vontade, falta profissionalismo

O empreendedor brasileiro é tido como criativo, autoconfiante e corajoso. Quatro de cada cinco novos empresários acreditam ter o conhecimento, a habilidade e a experiência necessários para começar um novo negócio, e mais de 60% afirmam que o medo de fracassar não os impediria de abrir uma empresa. Os dados, da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada em 2005 em 30 países, parecem confirmar o senso comum de que o brasileiro é empreendedor por natureza – o país ficou em um invejável sétimo lugar no ranking do empreendedorismo.

O problema é que, muitas vezes por falta de vocação, qualificação ou experiência de seus proprietários, os empreendimentos brasileiros acabam ruindo em pouquíssimo tempo: aproximadamente 56% das empresas fecham as portas após quatro anos de funcionamento, segundo o Sebrae. A própria pesquisa do GEM fornece possíveis explicações para isso. Cerca de 30% dos empresários iniciantes dizem não ter procurado ou recebido qualquer orientação para abrir sua empresa, e 33% foram aconselhados apenas por amigos ou parentes.

Além disso, 47% se declaram empreendedores "por necessidade", ou seja, vêem em um novo negócio uma espécie de último recurso para sobreviver – e acabam entrando em mercados onde já há muitos concorrentes, caso de 66% das novas empresas.

Mas, mesmo estando abaixo da média mundial, de 77%, a proporção de brasileiros que abre uma empresa por oportunidade (53%) já é suficiente para render bons exemplos. É o caso da curitibana Eliane Aparecida Vogel, que trabalhou a vida toda como vendedora até o dia em que, no salão de beleza, ouviu a cabeleireira reclamar da falta de uma loja de cosméticos no bairro Tatuquara. Foi o que bastou para Eliane procurar orientação no Sebrae, pegar um empréstimo de R$ 2 mil no Banco Social e abrir a Eliziane Cosméticos.

Logo depois, ela pegou um financiamento de R$ 5 mil e agora faz planos para contrair o terceiro empréstimo, de R$ 10 mil. Por não ter concorrentes na região – afastada do centro de Curitiba –, Eliane tem como clientes fixos 32 salões de beleza do Tatuquara, sem contar as mulheres que compram seus cosméticos ali. A intenção é ampliar a loja, hoje com 30 metros quadrados, e contratar mais uma funcionária – hoje, ela tem ajuda apenas da filha.

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