
São Paulo - Seguindo a tendência de filmes em 3D, Era do Gelo 3, em cartaz no país desde a semana passada, investe na tecnologia para tornar a experiência de ir ao cinema "mais gratificante para o público". Na opinião do brasileiro Carlos Saldanha, 40 anos, que dirigiu os três desenhos da série (sendo o primeiro ao lado de Chris Wedge responsável pelos grunhidos de Scrat), os espectadores têm se mostrado bastante entusiasmados com a novidade.
Entretanto, frisa Saldanha, a estrela da nova animação não é o 3D. "A tecnologia está presente para servir aos objetivos da narrativa", garante. "Se a história e os personagens não forem bons e cativantes, não adianta nada. O filme simplesmente não emplaca."
Fazer uma animação em 3D, porém, custa tempo e dinheiro. E, nesse negócio, tempo é tão ou mais valioso que dinheiro. "O mercado está super concorrido e, por isso, os prazos estão muito apertados. A pressão é grande para que façamos um filme cada vez mais rápido", admite Saldanha, que trabalha na Blue Sky, ateliê ligado à Fox.
Devido ao 3D, a produção do filme ficou cerca de 10% mais cara (o orçamento ficou em U$S 100 milhões valor considerado baixo para uma animação). Além disso, consumiu 20% mais tempo de trabalho, que levou dois anos e meio para ser concluído período considerado curto para um desenho. Os cuidados com os detalhes também aumentam. Os cortes devem ser um pouco mais lentos e as tomadas, mais abertas.
Para superar as dificuldades, Saldanha apostou na tecnologia, e também na criatividade. "A tecnologia tem limites e a criatividade serve para driblar essas limitações", explica. Uma das soluções tecnológicas encontradas pela equipe para agilizar a produção foi a feitura de planos de fundo padrões, para serem usados em todas as cenas do filme. Assim, só os personagens e a área ao redor da ação deles precisavam ser animados de forma detalhada.







