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Contas públicas

Tesouro, BC e Previdência têm superávit de R$ 10,7 bi em julho

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Rombo, no entanto, chega a R$ 81,3 bilhões no ano, acima dos R$ 70,3 bilhões registrados no mesmo período de 2025. (Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

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O governo central registrou superávit primário de R$ 10,78 bilhões em julho, resultado que reúne as contas do Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, segundo dados divulgados na quinta-feira (28). O número ficou praticamente em linha com a previsão dos economistas, de R$ 10,68 bilhões, e representa uma forte melhora em relação ao déficit de R$ 59,07 bilhões registrado no mesmo mês de 2025.

O resultado foi sustentado pelo aumento das receitas para R$ 226,3 bilhões, crescimento real de 7,7% sobre julho do ano passado, enquanto as despesas somaram R$ 215,5 bilhões, queda real de 20,7%.

Um dos principais fatores para a diferença foi o calendário de pagamento dos precatórios, as dívidas judiciais do governo, antecipado para março enquanto que, no ano passado, ocorreram principalmente em julho.

Os dados do Tesouro mostram que os pagamentos de sentenças judiciais despencaram 99% em julho na comparação anual, uma redução de R$ 37,1 bilhões. A mudança teve forte impacto sobre as despesas previdenciárias, que caíram R$ 18,1 bilhões, ou 17,7%, no período.

Também houve redução nos gastos com pessoal e encargos sociais, de R$ 4,2 bilhões, queda de 8,9%. Na direção contrária, as despesas com créditos extraordinários aumentaram R$ 4,2 bilhões devido a medidas adotadas para reduzir os impactos econômicos do conflito no Oriente Médio.

Pelo lado das receitas, os principais avanços vieram de:

  • Imposto de Renda: alta de R$ 7 bilhões, crescimento de 9,1%;
  • Exploração de recursos naturais: aumento de R$ 5 bilhões, alta de 29,4%;
  • Receitas previdenciárias líquidas: crescimento de R$ 4,2 bilhões, avanço de 7,4%.

Esses resultados compensaram a queda de R$ 3 bilhões na arrecadação da Cofins e de R$ 1 bilhão no PIS/Pasep. Apesar do superávit de julho, o resultado acumulado no ano ainda é negativo.

De janeiro a julho, o governo central registra déficit primário de R$ 81,3 bilhões, acima dos R$ 70,3 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Em 12 meses, o déficit chega a R$ 71,6 bilhões, equivalente a 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB).

A meta fiscal estabelecida para 2026 prevê superávit de 0,25% do PIB, com tolerância de 0,25 ponto percentual, além de determinadas despesas que não entram no cálculo. Para este ano, o governo estima que descontará até R$ 57,8 bilhões para cumprir a meta.

Embora esse desconto ajude o governo, os pagamentos continuam a ser realizados, o que eleva a dívida pública e amplia a desconfiança do mercado financeiro na capacidade de contenção do endividamento.

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