Depois de meses de muita especulação, a TIM confirmou nesta quinta-feira (12), por meio de um comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que está em negociações com a operadora de telefonia Intelig. A empresa italiana afirmou que estão em curso "discussões preliminares" por conta do interesse da TIM nos ativos e atividades da empresa, que hoje está nas mãos de Docas Investimentos, pertencente ao empresário Nelson Tanure.
De acordo com uma fonte que tem acompanhado as negociações, as conversas entre as empresas tiveram início em outubro do ano passado. Na ocasião, a TIM teria encomendado a uma consultoria levantamento de valor de mercado da Intelig. Na ocasião, diz a fonte, chegou-se à quantia de R$ 800 milhões. O valor teria ficado bem abaixo do preço estipulado por Docas, que, no início das negociações, teria pedido R$ 2 bilhões pelo ativo.
Por não ter ação em bolsa, os números da Intelig são pouco conhecidos pelo mercado e dificultam a avaliação do preço real do ativo. De acordo com levantamento feito por um analista de mercado, a empresa teve receita líquida aproximada de R$ 750 milhões em 2008. Ele acrescenta que, em seus cálculos, a empresa não valeria muito mais que isto.
"O setor de telecomunicações tem sido o que menos perdeu com a crise. Não acredito, portanto, que tenha ocorrido alteração do valor de mercado, nem para cima, nem para baixo, de outubro para cá", completa o analista.
Conhecida como empresa de chamadas de longa distância, a Intelig tem hoje como principal atrativo seu backbone, rede de fibra ótica que permite conexão nacional e internacional de alta performance para a transmissão de dados. De acordo com especialistas no setor de telecomunicações, este é o único ativo deste porte à venda no País, tornando-se objeto de cobiça de outras operadoras.
A Intelig foi comprada pela Docas Investimentos em janeiro do ano passado. Na ocasião, Tanure adquiriu por valor não informado 100% das posições do consórcio que controlava a empresa: National Grid, Sprint Nextel e France Telecom.
Ainda de acordo com a fonte que tem participado das conversações, Tanure estaria tentando negociar com a TIM a venda de uma fatia da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), que detém os direitos sobre as marcas do Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil. "A inclusão de parte da CBM no pacote não está agradando os italianos", acrescenta ele.
A TIM atravessou em 2008 um ano difícil no Brasil. No segundo trimestre do ano passado, a empresa amargou prejuízo de R$ 34,1 milhões. Na época, começaram a circular boatos de que a Telecom Italia, que atravessa dificuldades financeiras no exterior, poderia vender as operações brasileiras. Meses depois, durante a divulgação dos planos de investimentos da Telecom Italia no mundo, a controladora reafirmou seu interesse nos negócios do Brasil, afirmando que o País era seu segundo foco de interesse, atrás apenas da Itália.
No mês passado, a TIM promoveu mudança em sua presidência no Brasil. O executivo Mário César Pereira de Araújo, há seis anos no cargo, foi substituído pelo italiano Luca Luciani.
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