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Paulo Guedes
Ministro Paulo Guedes apresenta a equipe da Economia na cerimônia de transmissão de cargo, em 2 de janeiro de 2019: do time original só restou um.| Foto: Washington Costa/MDIC

Dos sete secretários especiais que formavam o "dream team" do ministro da Economia, Paulo Guedes, apenas um permanece no governo. É o Carlos da Costa, que comanda a Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade. Todos os outros seis deixaram o governo, sendo que dois deles pediram demissão e dois foram demitidos.

A mais recente baixa é a de Waldery Rodrigues Júnior, secretário especial de Fazenda desde janeiro de 2019. Ele foi demitido por Guedes nesta terça-feira (27) após a crise na elaboração do Orçamento de 2021. A polêmica foi instalada quando o Congresso subestimou as despesas obrigatórias para superestimar as emendas parlamentares.

Segundo os congressistas, a manobra teve aval da equipe econômica. Porém, depois, a área fiscalista do ministério, da qual Waldery fazia parte, comunicou que teria de cortar parte das emendas, sob risco de o presidente Jair Bolsonaro cometer crime de responsabilidade se não fizesse.

O impasse gerou uma crise política e Guedes e sua equipe saíram desgastados. O Centrão, que virou base aliada do presidente Bolsonaro, tem pressionado pela volta do Ministério do Planejamento. Eles alegam que a fusão da Fazenda e do Planejamento no atual Ministério da Economia centralizou demais os poderes na mão de Guedes.

A saída de Waldery, que será substituído pelo atual secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, é uma tentativa de o ministro resistir às pressões pelo fatiamento do seu ministério. Interlocutores do ministro dizem que ele não abre mão de ficar com o Planejamento e a Fazenda.

O atual Ministério da Economia é resultado da fusão de quatro antigos ministérios: Planejamento, Fazenda, Previdência e Trabalho e Desenvolvimento e Comércio Exterior. Guedes montou um time de sete secretários especiais para assumir as funções que antes eram desempenhadas por essas pastas extintas. Os secretários especiais têm um cargo equivalente a um vice-ministro.

Atualmente, são oito secretários especiais, já que o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) foi vinculado ao Ministério da Economia e ganhou o status de secretária especial. Até 2019, o programa foi de responsabilidade da Casa Civil e da secretaria de Governo.

Os outros secretários especiais que foram embora

Além de Waldery, outros cinco secretários especiais que começaram o governo ao lado do ministro Paulo Guedes deixaram seus postos. A maior parte deles era amigo pessoal ou profissional de Guedes. O objetivo era que eles ajudassem a dar vida à prometida agenda liberal, que tem patinado nesses 27 meses de governo.

Marcos Cintra, que comandava a Receita Federal, foi o primeiro secretário especial a cair, ainda em 2019, ao propor o retorno da CPMF. Bolsonaro pediu a demissão dele.

Waldery Rodrigues Júnior, que foi demitido nesta terça, já tinha balançado no ano passado, quando propôs congelar por dois anos aposentadorias e pensões para financiar o Renda Brasil, programa social estudado para substituir o Bolsa Família.

Salim Mattar, ex-secretário especial de Desestatização, Desinvestimentos e Mercados, e Paulo Uebel, ex-secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, pediram demissão. Eles ficaram insatisfeitos com a demora para tirar do papel as privatizações e a reforma administrativa, respectivamente.

Já Rogério Marinho foi promovido do cargo de secretário especial de Previdência e Trabalho para ministro do Desenvolvimento Regional. Ex-braço direito de Guedes, Marinho é hoje o principal desafeto do ministro na Esplanada.

Marcos Troyjo, que comandava a secretária especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, foi promovido para a presidência do Banco dos Brics.

Estatais também sofreram baixas

As baixas na equipe econômica original montada por Guedes não se resumem aos secretários especiais. André Brandão, então presidente do Banco do Brasil, foi demitido após Bolsonaro discordar do plano de enxugamento de agências e corte de pessoal do banco. Antes, Rubem Novaes já tinha deixado o cargo por não se adaptar à cultura de Brasília. Novaes é amigo pessoal de longa data de Guedes.

Outro amigo próximo do ministro é Roberto Castello Branco, que foi dispensado da presidência da Petrobras porque Bolsonaro ficou insatisfeito com a política de reajuste do preços dos combustíveis e com o tratamento dado aos caminhoneiros, base de apoio do governo. Ele deixou o cargo neste mês.

No BNDES, Joaquim Levy foi demitido no começo de 2019 por ser considerado por Bolsonaro um "petista infiltrado". Wilson Ferreira pediu demissão da Eletrobras neste ano ao ver reduzidas as chances de privatização da Eletrobras.

Entre os cargos de mais destaque, somente Pedro Guimarães, da Caixa Econômica Federal, e Roberto Campos Neto, do Banco Central, permanecem desde o começo do governo. Campos Neto, inclusive, tem mandato até 2024, após o Congresso aprovar a independência formal da instituição monetária.

Quem deixou o primeiro escalão do time original de Guedes

Secretários especiais que assumiram junto com Guedes, em janeiro de 2019:

  • Marcos Cintra - ex-secretário especial da Receita Federal - demitido em setembro de 2019
  • Rogério Marinho - ex-secretário especial de Previdência e Trabalho - promovido a ministro em fevereiro de 2020
  • Salim Mattar, ex-secretário especial de Desestatização, Desinvestimentos e Mercados - pediu demissão em agosto de 2020
  • Paulo Uebel, ex-secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital - pediu demissão em agosto de 2020
  • Marcos Troyjo - ex-secretário de Comércio Exterior e Internacionais  - promovido a presidente do banco dos Brics em junho de 2020
  • Waldery Rodrigues Júnior - ex-secretário especial de Fazenda - demitido em abril de 2021

Presidentes das principais estatais que assumiram junto com Guedes, em 2019:

  • Joaquim Levy - ex-presidente do BNDES - demitido em junho de 2019
  • Rubem Noaves - ex-presidente do Banco do Brasil - pediu demissão em julho de 2020
  • Wilson Ferreira Júnior - ex-presidente da Eletrobras - pediu demissão em janeiro de 2021, oficializada em março
  • Roberto Castello Branco - ex-presidente da Petrobras - demitido em fevereiro de 2021, oficializado em abril
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