i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
Relações comerciais

Ameaça de Trump: quais produtos brasileiros correm risco de taxação nos EUA

  • PorAndrea Torrente, especial para a Gazeta do Povo
  • 23/08/2020 11:43
aço trabalhador
Aço é um dos produtos brasileiros que podem sofrer a retaliação de Donald Trump.| Foto: Bigstock.

O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou taxar as importações brasileiras se o governo de Jair Bolsonaro não reduzir as tarifas impostas pelo Brasil ao etanol dos Estados Unidos. Trump não especificou quais produtos estão na mira, mas especialistas avaliam que aço e carnes podem ser afetados.

Ferro e aço representam 10% das exportações brasileiras para os EUA e, no primeiro semestre deste ano, somaram US$ 1,2 bilhão. As carnes bovina processada e suína têm um peso muito menor: as exportações com destino ao mercado norte-americano em 2020 giraram em torno de US$ 60 milhões, de acordo com Ministério da Economia. Não há dados disponíveis sobre a carne bovina in natura, que voltou a ser exportada para os EUA em fevereiro, após três anos de suspensão.

“A possibilidade de retaliação é real porque o tema é sensível, por causa do cenário eleitoral americano, mas não só por isso. O agro americano – açúcar, milho e soja principalmente – é um lobby bastante habilidoso. Independente das eleições, já tem uma pressão muito forte”, avalia Verônica Prates, especialista em comércio exterior da consultoria BMJ.

Atualmente, o Brasil aplica a isenção para importação de até 750 milhões de litros de etanol dos EUA por ano, mas a partir daí a tarifa é de 20%. A cota já foi flexibilizada, mas a embaixada norte-americana no Brasil tem feito apelos ao governo para derrubar as tarifas.

Apesar das ameaças de Trump, os principais produtos brasileiros exportados para os EUA – como petróleo e derivados, celulose, maquinários e aviões – devem ser poupados da taxação, de acordo com José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil.

Isso porque, em muitos casos, as exportações brasileiras são de empresas americanas instaladas no Brasil. “Seria um tiro no pé. Teoricamente não há produtos de peso que possam ser taxados que tenham impacto positivo nos Estados Unidos e negativo no Brasil. Hoje os produtos são mais pulverizados. Mas Trump é imprevisível”, afirma.

Nessa guerra comercial, os Estados Unidos são muito menos protecionistas que o Brasil. Em média, os EUA aplicam uma tarifa de 2,3% sobre os produtos importados. No Mercosul a taxa média é de 14%, segundo o Ministério da Economia.

O Brasil na guerra comercial EUA-China

Embora Bolsonaro reforce a todo momento sua amizade com Trump e a proximidade do Brasil com os EUA, a China é disparadamente o primeiro parceiro comercial brasileiro. No primeiro semestre de 2020, as trocas comerciais entre os dois países somaram cerca de US$ 60 bilhões, mais que o dobro da corrente de negócios com os EUA (US$ 26 bilhões).

“A gente não pode se dar ao luxo de escolher um lado. O mais saudável para o Brasil é não se posicionar. Mas, independente da guerra comercial, não é interessante para o Brasil ficar dependente de nenhum mercado comprador, seja Estados Unidos, seja China”, diz Verônica.

O país asiático comprou 35% das exportações brasileiras de janeiro a julho. Os EUA, menos de 10%. Se a balança comercial brasileira apresentou superávit de US$ 32 bilhões no primeiro semestre, a principal causa foi a forte redução das importações. Elas somaram US$ 93 bilhões, enquanto no mesmo período do ano passado foram de US$ 101 bilhões.

Por causa da pandemia, as exportações brasileiras como um todo também caíram. A redução é de quase 7% em relação ao ano passado, mas, para os Estados Unidos, a queda foi maior: -38% no primeiro semestre. Hoje o Brasil tem um saldo negativo de US$ 3 bilhões no comércio com os EUA.

“O Brasil infelizmente hoje não tem força política e econômica para contrariar os Estados Unidos”, avalia Castro. Sobre a amizade entre Trump e Bolsonaro, ele diz que o Brasil não tem escolha, mas que “em alguns casos o Brasil está sendo usado” pelo presidente americano na guerra contra a China.

Assim se explicariam os ataques a Pequim desferidos pelo chanceler Ernesto Araújo, o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). “No fundo, ele [Trump] quer que o Brasil fale e eventualmente pague o preço”, afirma Castro.

O que muda se Joe Biden for eleito

O candidato democrata Joe Biden, que lidera as pesquisas para a Casa Branca, escolheu a senadora Kamala Harris como vice na chapa. Kamala já criticou a política ambiental brasileira no ano passado, o que mostra que as relações entre os dois governos podem se complicar em caso de uma vitória democrata.

“O jogo do Brasil tem quer ser político. Os democratas são muito protecionistas, vamos ter que ter um jogo de cintura político e diplomático muito grande”, afirma Castro.

Hoje os dois países têm negociações em três frentes principais: facilitação do comércio, boas práticas regulatórias e comércio digital. A maior vitória até o momento foi a abertura, em fevereiro, do mercado norte-americano para a carne bovina brasileira.

“Tivemos avanços no governo Bolsonaro, mas demorou para a máquina pública e o empresariado se aproveitarem dessa circunstância e dessa janela. A eventual eleição de Biden muda um pouco as prioridades, mas mais para o lado de lá do que para o lado de cá”, explica Verônica.

7 COMENTÁRIOSDeixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 7 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.

  • C

    Cidadão Brasileiro

    ± 14 horas

    Trump é capitalista até que a concorrência seja superior em competitividade. A partir daí ele é um intervencionista que berra America first feito pirralho pirracento. Não passa de um hipócrita. Bolsonaro lhe lambe as botas, mas isso é na melhor hipótese tolice, Trump nunca hesitará em tirar vantagem política, econômica ou pessoal quebrando acordos firmados de modo calculado justamente para isso.

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]

  • M

    Matraca Trica

    ± 14 horas

    Não é mais amiguinho do capitão, gado?

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    1 Respostas
    • C

      Clovis Costa Knabben

      ± 14 horas

      O que é gado? Deve ser um grupelho de animais que se alimenta de pasto transformado em "Mortadela"!!!!

      Denunciar abuso

      A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

      Qual é o problema nesse comentário?

      Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

      Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]

  • S

    STF

    ± 20 horas

    Toda taxação beneficia a indústria nacional, que geralmente é ineficiente e com produtos desatualizados, em detrimento do CONSUMIDOR, que nunca é lembrado nestes acordos.

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    2 Respostas
    • M

      MATEUS CORDEIRO INSSA

      ± 12 horas

      Ricardo Munhozdarocha Guimarães: A grosso modo, a taxação tem 2 propósitos: proteger uma indústria nacional em desenvolvimento e proteger a indústria nacional de concorrência desleal externa. Em excesso piora a eficiência nacional pela falta de concorrência. No outro extremo, desprotege demais: países com mão de obra quase gratuita, com pesado incentivo governamental ou com táticas de dump (venda com prejuízo até quebrar a concorrencia).O assunto é bastante complexo, não tem uma regra que única que dá sempre certo.

      Denunciar abuso

      A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

      Qual é o problema nesse comentário?

      Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

      Confira os Termos de Uso

    • R

      Ricardo Munhozdarocha Guimarães

      ± 17 horas

      Mas como a taxação aduaneira, em exportação pode favorecer uma empresa em época de real fraco se isso diminui seus negócios?

      Denunciar abuso

      A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

      Qual é o problema nesse comentário?

      Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

      Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]

  • R

    Ricardo Munhozdarocha Guimarães

    ± 21 horas

    Como um cidadão comum, sem conhecimento sobre políticas de proteção e macroeconomia, me pergunto: Afinal para que servem essas taxações? diminuem as exportações certamente, funcionam como imposto e isso é muito anti-liberal para um governo que tem aspirações de redução do Estado, cria uma tendencia em gerar taxação "reversa" no país de destino (que de fato está acontecendo, como o artigo demonstra). Para que serve isso afinal? aceito explicações...

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]