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Com os reajustes da gasolina, abastecer o carro flex com etanol voltou a ser vantajoso em vários locais. | Giuliano Gomes/Gazeta do Povo
Com os reajustes da gasolina, abastecer o carro flex com etanol voltou a ser vantajoso em vários locais.| Foto: Giuliano Gomes/Gazeta do Povo

Os aumentos no preço da gasolina devolveram a competitividade ao etanol, que vem ganhando a preferência dos motoristas. Em abril, as vendas de etanol hidratado chegaram a 1,5 milhão de metros cúbicos, maior volume mensal desde o final de 2009, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No acumulado do primeiro quadrimestre, as vendas de hidratado subiram 32,5% em relação ao mesmo período de 2014, enquanto a gasolina comum teve queda de 3,5%.

Em junho, enquanto o preço do litro da gasolina é de R$ 3,30 na média nacional, o do etanol hidratado é de R$ 2,12, equivalente a 64,3% do derivado do petróleo – abaixo, portanto, da marca de 70% habitualmente usada para definir até que ponto o álcool é competitivo.

Vantagem no paraná

Apesar da alta de preços no fim de maio, o Paraná segue oferecendo o combustível a um preço vantajoso, equivalente em média a 67,5% do preço da gasolina, segundo a ANP. Enquanto o consumo de gasolina no estado teve queda superior a 10% entre janeiro e abril, o consumo do hidratado subiu 16%.

Além da reação do etanol, a queda de 14% do preço internacional do açúcar contribui para a previsão de uma safra mais alcooleira em 2015. A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) prevê que na safra recém-iniciada 42% da cana será direcionada para o açúcar e 58%, para o etanol, cuja produção deve atingir 27,28 bilhões de litros – 10,95 bilhões de anidro (misturado à gasolina) e 16,33 bilhões de hidratado. Para segurar a oferta e manter a rentabilidade na entressafra, as unidades devem trabalhar com amplos estoques de álcool.

Países do G7 querem acabar com consumo de fósseis até 2100

Após encontro mundial dedicado ao combate às mudanças climáticas na segunda-feira retrasada (8), na Alemanha, os líderes do G7 anunciaram um compromisso das nações mais industrializadas do mundo em reduzir a zero o uso de combustíveis fósseis e a emissão de gases de efeito estufa até 2100. Eles concordaram em reduzir de 40% a 70% das emissões de CO2 até 2050, com base nos níveis de 2010. Considerada fundamental para manter a temperatura média global e evitar consequências catastróficas, a medida é vista com positividade pelo setor de combustíveis renováveis e como um alerta para a conscientização e a mudança de comportamento do consumidor. “Mesmo que de longo prazo, é uma sinalização importante. O Brasil já esta fazendo sua lição de casa, substitui aproximadamente 40% da gasolina com etanol e isso deve crescer, mas infelizmente o governo tem ido na contramão, com políticas que distorcem o preço da gasolina”, diz Plínio Nastari, da Datagro. “O aumento dos preços da gasolina serve para mostrar o real custo dos combustíveis fósseis para o meio ambiente e o planeta. Vemos um sinal de conscientização”, completa Mirian Bacchi.

Outros dois fatores contribuem para a ascensão do etanol. Primeiro, a queda do ICMS em alguns estados e o aumento da tributação sobre a gasolina em R$ 0,22 por litro via retomada da Cide e PIS/Cofins. Em segundo lugar, o aumento da mistura de anidro na gasolina, que em março passou de 25% para 27%, após meses de negociações com o setor sucroenergético e a indústria automobilística, também deve gerar uma demanda extra, estimada em 1,36 bilhão de litros em um ano.

A consultoria Datagro espera que ao longo de 2015 o consumo de etanol para uso combustível ultrapasse o volume de gasolina A (pura), repetindo o fenômeno ocorrido entre 2009 e 2010. “Se o preço do etanol cair ainda mais em relação à gasolina, devemos assistir a um aumento do consumo do etanol ainda maior, pois a frota atual de carros flex é muito maior do que em 2009”, diz o presidente da Datagro, Plínio Nastari.

No entanto, os especialistas consideram prematuro dizer que o cenário atual é o bastante para uma retomada de investimentos nas usinas, principalmente devido à falta de regulamentação para fixação do preço da gasolina, o que daria segurança aos investidores. “Temos um ânimo positivo, o etanol pode compensar o preço do açúcar. Mas o valor do etanol está na média dos últimos 13 anos e os custos de produção aumentaram, prejudicando a rentabilidade. Vai haver uma reestruturação, as unidades mais eficientes devem cobrir os custos e adquirir as que estão em dificuldades, mas precisamos de empenho do governo”, diz Mirian Bacchi, pesquisadora do Cepea e professora da Esalq/USP.

Segundo a Unica, o setor encerrou 2014 com um total de 80 usinas paradas ou em processo de recuperação judicial, e a previsão é de mais dez neste ano. “No curtíssimo prazo, temos que voltar para o azul. Pra isso, precisamos de medidas políticas estáveis, regulação de preço e estímulos pra melhorar eficiência do etanol no carro flex, fatores que podem aumentar a confiança no investidor”, diz Elizabeth Farina, presidente da entidade.

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