Símbolos ajudam a criar um sentimento de pertencimento em qualquer agrupamento humano. Na universidade, não é diferente. Mas o que cobras, balanças, flechas e letras gregas têm a ver com os cursos? Entenda o que justifica algumas dessas escolhas.
Contabilidade
O cajado com um elmo alado e envolto por duas cobras é conhecido como Caduceu de Mercúrio, ou Hermes. O Conselho Federal de Contabilidade menciona Juan-Eduardo Cirlot, autor de “O dicionário dos símbolos”, para explicar a origem da figura. A mitologia conta que o deus mensageiro teria lançado o bastão entre duas serpentes que brigavam para que elas se entrelaçassem e assumissem uma atitude mais amistosa. Essa postura de intermediação foi relacionada ao longo da história com o comércio e as relações de troca, fazendo de Mercúrio o deus dos negociantes. Com isso, não foi preciso muito para que o Caduceu fosse adotado para representar os cursos de Contabilidade. A semelhança com o símbolo de Medicina faz com que ambos sejam confundidos com frequência.
Direito
A Justiça e, consequentemente, os cursos de Direito são simbolizados por uma figura feminina, com os olhos vendados, que carrega nas mãos uma espada e uma balança. Segundo o jurista Tércio Sampaio Ferraz Júnior, citado pelo Supremo Tribunal Federal, a mulher é Diké, ou Iustitia, filha de Zeus e Têmis. A espada e a balança estão vinculadas à punição e à igualdade, elementos essenciais nas teorias jurídicas. Apesar de a imagem ter se tornado padrão, a deusa da Justiça não era representada da mesma forma na Grécia e em Roma. Diké tem uma espada só na versão grega e só está vendada na versão romana
Administração
É provavelmente o mais brasileiro dos símbolos acadêmicos. A marca é fruto de um concurso promovido pelo Conselho Federal de Administração, em 1979. Diante de 309 propostas, o projeto vencedor foi desenvolvido pela curitibana Oficina da Criação. O símbolo é cheio de significados. As setas centrais indicam um objetivo comum e a disposição das formas geométricas remete às ações de organizar, direcionar, orientar, coordenar, arbitrar e planejar.
Medicina
No logotipo da Organização Mundial da Saúde ou do Conselho Federal de Medicina, lá está a serpente em volta de um cajado rústico – símbolo que representa o Bastão de Asclépio, ou Esculápio, o deus da Medicina. Na versão mitológica citada no artigo “Do Bastão de Esculápio ao Caduceu de Mercúrio”, do médico Paulo Roberto Prates, Asclépio seria filho de Apolo e teria sido criado pelo centauro Quiron, encarregado de ensinar o menino a curar as pessoas. Em pouco tempo, Asclépio ganhou a habilidade de curar inclusive os mortos. A serpente estaria relacionada a uma crença grega de que as cobras seriam dotadas de grande sabedoria. De acordo com artigo do médico João Bosco Botelho, a capacidade da serpente de mudar a pele teria relacionado o animal à cura.
Psicologia
Há mais de uma versão para o uso da letra grega “Psi” para simbolizar a Psicologia. Segundo a pesquisa “A letra Psi enquanto símbolo da Psicologia”, do psicólogo Claudio Drews, o uso da letra já esteve relacionado ao tridente de Poseidon, deus grego dos mares, e ao trio de teorias chamadas de comportamentais, fenomenológicas e cognitivas. Drews, no entanto, considera mais crível uma origem mais simples, ligada à etimologia da palavra psique (alma), que no alfabeto grego é expressa pelos sinais ÏÏ Ïή. Como a palavra “psicologia” só se popularizou no século 18, é possível que os primeiros estudiosos tenham optado por usar apenas a primeira letra grega como forma de compactação do termo.
Medicina Veterinária
O símbolo usado pelos médicos veterinários foi o desenho que venceu um concurso promovido pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, em 1994. Como em Medicina, o bastão e a serpente são símbolos de Esculápio, deus da arte de curar na Grécia Antiga. O bastão colocado no centro representa um galho de árvore, significando as forças da natureza e seus poderes curativos. A serpente representa a sabedoria e a prudência usadas para preservar e regenerar a saúde. A letra “V” designa a profissão. A cobra envolta em um bastão, circundados por um anel, também é símbolo de Odontologia.
Economia
Com vários elementos, o símbolo dos economistas é explicado pelo Conselho Federal de Economia. O conjunto da folha de acanto colocada sobre uma cornucópia – vaso em forma de chifre com frutos e flores, que representa a fertilidade na mitologia greco-romana – significa a ciência da boa administração de bens. O acanto lembra a riqueza na arte helênica. O globo faz alusão ao alcance mundial da profissão. Já a roda dentada simboliza a indústria, o estágio mais adiantado da produção de bens.
Turismo
Lançado em 2003 pela Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais de Turismo, o símbolo da profissão é formado por um globo em movimento, com o Brasil em destaque. A composição significa o profissional atuando em um mundo globalizado e seus desafios. A profissão de turismólogo foi oficializada no Brasil em 12 de janeiro de 2012, pela Lei 12.591.
Engenharia
Não existe um símbolo mundial da Engenharia. Engrenagens, roldanas e materiais de medição são usados em diversos países para fazer referência à profissão. No Brasil, o Conselho Federal de Engenharia e muitos cursos superiores usam a imagem da deusa Minerva inserida em uma moldura em forma de engrenagem. Informalmente, muitos atribuem a composição às características da deusa latina. Minerva é símbolo da sabedoria, mas também é guerreira – por isso, veste armadura, capacete, lança e escudo – e mestra em artes manuais. Engenhosa, a deusa aparece como uma grande inventora e inspiradora dos homens em projetos criativos.
Pedagogia e Filosofia
A coruja é normalmente usada para representar os cursos de Pedagogia e Filosofia – ainda que não haja um símbolo oficial para essas profissões. Na mitologia grega, ela representa a sabedoria por ser o animal símbolo da prudente deusa Atena. Há quem diga também que as características do bicho contribuíram para essa relação: ponderação, calma e olhos grandes para adquirir conhecimento. A atividade noturna da coruja seria outro indício para os gregos da sua relação com a inteligência, período considerado mais apropriado para a reflexão.
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