Qualidade da experiência escolar influencia tanto a felicidade das crianças quanto as suas possibilidades de aprendizagem.| Foto: Pixabay

Crianças passam uma parcela significativa do dia na sala de aula, por isso a escola ganha papel fundamental na manuntenção da saúde mental dos estudantes: em um ambiente voltado para o bem estar, elas têm acesso a ferramentas que podem ajudá-las a construir a sua própria felicidade.

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Na Inglaterra, cerca de 58 mil crianças em idade escolar recebem algum tipo de assistência para problemas de saúde mental, de acordo com dados dos Comissários de Trabalho Infantil na Inglaterra publicados pelo Telegraph. Esse índice se reflete na sala de aula: ali, uma em cada dez crianças sofre com depressão, ansiedade ou outros problemas de saúde mental.

O cenário geral mostra estudantes cada vez mais infelizes: o índice de felicidade é o mais baixo da década, segundo o relatório “The Good Childhood Report”, da organização britânica The Children’s Society. De acordo com o documento, cerca de 200 mil jovens no país têm a sua infelicidade ligada a falta de suporte emocional. 

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Ambiente escolar 

No ambiente escolar, essas condições determinam a experiência das crianças desde a educação infantil. A pressão por resultados leva a uma tendência de transformação da educação infantil em um modelo equivalente ao que antes era reservado ao ensino fundamental, com foco em notas e desempenho, e diminuição do tempo dedicado a brincadeiras e lazer, de acordo com estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Virgínia. 

“Nossas descobertas sugerem uma mudança para um conteúdo de alfabetização e matemática mais desafiador”, apontam os pesquisadores. “No entanto, eles também destacam uma redução preocupante do tempo gasto em atividades artísticas, musicais, científicas e selecionadas por crianças, bem como o uso muito mais frequente de testes padronizados.” 

Com menos tempo para brincadeiras, a experiência escolar das crianças é afetada, o que pode ter influência sobre o seu desenvolvimento. Uma análise do pesquisador e educador Scott Hughes indica que a qualidade da experiência escolar influencia tanto a felicidade das crianças quanto as suas possibilidades de aprendizagem. Segundo ele, isso pode ser mensurado pelo clima da sala de aula: quanto mais energia entre os alunos, maiores as chances de uma experiência positiva e de uma aprendizagem de qualidade. 

“A qualidade positiva ou negativa das experiências escolares influencia o senso de felicidade e bem-estar das crianças”, diz. “Uma sala de aula vibrante – por meio da energia, dos interesses, envolvimento e vozes das crianças - é um marcador que indica que ‘tudo está bem’ com as crianças enquanto elas aprendem.” 

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Iniciativas 

Uma iniciativa no Reino Unido busca educar as crianças para a saúde mental. O projeto desenvolvido por um grupo de professores britânicos busca treinar crianças de 5 a 13 anos com ferramentas para a construção do seu próprio bem estar. Para isso, são ensinados tópicos como gentileza, gratidão, responsabilidade e crescimento pessoal.  

Os estudantes são incentivados a construírem seus próprios currículos para o programa, com foco nas possibilidades pessoais para melhoria da sua aprendizagem e felicidade e para o bem estar da sua comunidade. Em seguida, criam planos com dez passos para as melhorias desejadas, e são incentivados a compartilhar esses planos com as suas escolas e comunidade. 

Como parte do processo, um professor da escola participante é nomeado “inspetor de felicidade” e fica encarregado de acompanhar o progresso das crianças e dos seus planos. O resultado traz maior autoconfiança, que leva a um aumento da participação em clubes e atividades extracurriculares. De acordo com as próprias crianças, elas passam a ter mais positividade bem estar e felicidade. 

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Publicado por Gazeta do Povo em Terça-feira, 15 de agosto de 2017