Devido à falta de transporte, estudantes do Distrito Federal andam até 12 quilômetros por dia para chegar à escola onde estudam. Essa é a rotina dos irmãos Danilo e Daniel, que moram na área rural de Paranoá, cidade-satélite de Brasília, e estudam em Itapoã, outra região administrativa da capital.
"Aqui precisa muito de um transporte, porque é uma dificuldade grande para as crianças subir este alto aqui todo dia, mas é o jeito de estudar", afirma a mãe e dona-de-casa Rosália Maria da Silva. A família veio da Paraíba há dois meses para tentar a vida em Brasília.
"Nem eu nem meu marido sabemos ler nem escrever nada. Então, é para o futuro deles e para o nosso também."
A estrada de chão batido, cercada por pinheiros, é a parte mais complicada do trajeto que os dois irmãos percorrem todos os dias. Quando chove há muita lama e quando não chove, poeira. E ao voltar para casa, por volta das 18h, já está escuro.
Eles começam a se arrumar duas horas e meia antes do início das aulas e pegam a estrada às 11h. Com chuva ou sol forte, o desafio é cumprido - são 6 km na ida e 6 km na volta, 12 km por dia, 60 km por semana. No fim do mês, Danilo e Daniel andam 240 km, distância equivalente ao trajeto de Brasília a Goiânia.
Depois do chão batido, a batalha continua no asfalto. No acostamento, eles se arriscam. A jornada só termina no Centro de Ensino Fundamental Nº 01 do Itapoã. É quando eles estudam e podem descansar um pouco. No fim do dia, todo o caminho tem de ser percorrido de novo.
Mais difícil que andar os 12 km diários é falar sobre o sonho que pode se perder pela estrada. "É muito cansativo. Muito ruim. É muito longe pra chegar lá", desabafa o estudante Danilo da Silva, 13 anos. Ele chora ao falar sobre a esperança de ter outra vida. "Tudo isso pra ter um futuro melhor, pra gente poder trabalhar. É uma batalha muito dura."
O secretário de Educação do DF, José Luiz Valente, afirma que a secretaria entrou em contato com o DFTrans (autarquia encarregada pelo serviço de transporte do Distrito Federal) e que o problema será solucionado. Ele disse que existe um ônibus que passa pela região, mas que depende de uma "adequação de horários" que não cabe à Secretaria de Educação.
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