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Inglaterra

Estudantes não querem estudar Platão, Descartes e Kant “porque são brancos”

Segundo eles é preciso “descolonizar” o ensino superior. Iniciativa é criticada por outros graduandos e especialistas

  • PorDa Redação
  • 09/01/2017 16:21
Os filósofos Platão, Descartes e Kant: pensadores responsáveis por ideias que sustentam a sociedade atual | Reprodução/Wikipedia
Os filósofos Platão, Descartes e Kant: pensadores responsáveis por ideias que sustentam a sociedade atual| Foto: Reprodução/Wikipedia

Estudantes em Londres querem “afrontar a instituição branca”. Por isso, exigem que filósofos brancos – e isso inclui pensadores responsáveis pelas ideias que sustentam a sociedade civilizada, como Platão, René Descartes ou Immanuel Kant – deixem de constar obrigatoriamente no currículo de filosofia e devem ser incluídos no programa “apenas se necessário” e estudados “de um ponto de vista crítico”.

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Esse foi o pedido realizado pelo diretório acadêmico da instituição de ensino superior Escola de Estudos Orientais e Africanos (SOAS, na sigla em inglês). Segundo eles é preciso “descolonizar” o ensino superior e, para isso, a “maioria dos filósofos em nossos cursos” deve ser da África e da Ásia. A requisição faz parte de uma campanha, dizem os alunos, para uma nova abordagem do “legado estrutural e epistemológico do colonialismo dentro da nossa universidade”.

A iniciativa dos alunos foi criticada por outros estudantes e especialistas, como o pensador Roger Scruton. “Você não pode descartar toda uma área de esforço intelectual sem investigá-la, e claramente eles não investigaram o que eles entendem por filosofia branca”, disse a vários jornais da imprensa britânica. “Se eles pensam que há um contexto colonial do qual a Crítica de Kant da Razão Pura surgiu, eu gostaria de ouvir de onde tiraram isso”, acrescentou.

O professor Anthony Seldon, vice-chanceler da Universidade de Buckingham, também questionou a postura adotada pelo grêmio. “Isso é danoso, o politicamente correto está ficando fora de controle. Precisamos entender o mundo como era e não reescrever a história como alguns teriam gostado que tivesse sido”, disse em entrevista ao The Telegraph.

Já alguns representantes da reitoria preferiram entrar em diálogo com os estudantes para negociar uma saída que agrade a todos. “O debate crítico e bem informado sobre o currículo que ensinamos é uma parte saudável e apropriada do trabalho acadêmico”, declarou Deborah Johnston, da pró-reitoria da SOAS, à imprensa britânica.

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