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Fachada da sede do governo do Amazonas
Decreto do governo do Amazonas permitiu a reabertura das escolas| Foto: Divulgação

Enquanto escolas públicas estão com as portas fechadas, em Manaus, no Amazonas, a reabertura das instituições particulares foi permitida pela primeira vez desde que as aulas foram interrompidas em 17 de março devido à pandemia do novo coronavírus. Máscaras, o uso de álcool em gel, barreira acrílica e rodízio de alunos são alguns dos cuidados que fazem parte do protocolo de retorno estabelecido pelo governo estadual.

De acordo com a Federação Nacional de Escolas Particulares (Fenep), o Amazonas foi o primeiro estado do Brasil a autorizar as aulas presenciais em meio à pandemia. Antes, algumas cidades do Mato Grosso já haviam retomado as atividades, em maio, porém elas foram suspensas novamente por causa do avanço da doença no estado. Algumas unidades da federação já têm, inclusive, a previsão para o retorno das aulas. (Veja abaixo.)

O decreto estadual (nº 42.461), publicado em 3 de julho pelo governo do Amazonas, autorizou a volta às aulas a partir de 6 de julho para a rede privada, incluindo creches, escolas e faculdades particulares. A norma manteve a suspensão das aulas no âmbito da rede pública estadual de ensino.

Para o funcionamento integral, as escolas privadas tiveram que seguir recomendações da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas. Entre elas: evitar aglomerações, compartilhamento de materiais entre os alunos, aula limitada a 50% da capacidade de lotação e distanciamento de 1,5 metro entre as cadeiras nas salas de aula.

Conforme o decreto, o contato físico nas aulas de educação física ficará proibido, as brinquedotecas deverão permanecer fechadas, os horários de intervalos devem ser redefinidos para evitar aglomerações, e cada estabelecimento deverá ofertar rotina de aferição de temperatura corporal.

O uso de máscaras e de álcool em gel para a higienização é obrigatório. Além disso, as instituições deverão divulgar materiais informativos para a prevenção da Covid-19. Ao todo, 70% das instituições de ensino na capital amazonense, do infantil ao médio, retornaram com as atividades presenciais fazendo rodízio entre as turmas, além das mudanças de horário de entrada e saída, e intervalos.

Segundo o presidente da Fenep, Ademar Pereira, a reabertura - depois de quatro meses - só foi possível devido ao fato de o úmero de infectados pela doença ter caído com as medidas de distanciamento social no estado. "O comércio foi aberto e outros serviços também. Agora, nessa terceira fase, é a vez das escolas", destacou.

"Cada instituição definirá seus critérios de reabertura. O governo entendeu que elas [escolas particulares] poderiam retomar, porque cada uma tem sua agilidade, e melhor gestão comparado às escolas públicas. Então, é uma decisão inteligente liberar as privadas, porque as outras vão aprendendo também", explicou.

A prefeitura de Manaus informou que não há previsão para o retorno das aulas presenciais na rede municipal e que isso só será possível a partir das deliberações dos órgãos de saúde. Já as instituições particulares foram incluídas no plano de reabertura do governo estadual.

Além disso, a prefeitura destacou que trabalha em um plano de retorno às aulas presenciais para o ensino público, conforme as orientações do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. A administração municipal reforçou ainda que jamais optará por qualquer decisão que coloque alunos, professores e outros servidores da educação em risco.

Do total de 87 mil estudantes da rede particular de Manaus, 60 mil retornaram às aulas presenciais. Cerca de 27 mil não voltaram para as salas, devido à insegurança das famílias por causa da Covid-19.

Ensino híbrido

A Fenep Amazonas participou da construção desse protocolo de retorno. De acordo com a presidente da entidade no estado, Elaine Saldanha, eles seguiram seis eixos: distanciamento social, higiene pessoal, higienização dos equipamentos e dos ambientes, comunicação, monitoramento e controle.

Elaine explica que todos esses cuidados trouxeram a necessidade de manter o ensino remoto e também fazer alguns dias com aulas presenciais. "Hoje estamos trabalhando com o ensino híbrido, para que nós possamos dividir as turmas em duas, 50 % neste caso. Em algumas escolas, dependendo do número de alunos, também fazem a divisão por horários. Uma turma entra em um horário e outra em horário diferente", afirma.

Para ela, somente dessa maneira serão evitadas as aglomerações, que é uma das exigências, e essa alternância possibilita o rodízio no número de alunos nas escolas. "Vimos desde o dia 6 de julho uma melhora na confiança dos pais em mandar os filhos para a escola. Obviamente, que estão todos preocupados, tanto os pais, professores e colaboradores", afirmou a presidente.

"Existiu uma ansiedade muito grande até o nosso retorno, porém, como fizemos um retorno bem gradativo, algumas escolas ainda não retornaram, então isso ficou muito diluído. O retorno está sendo bem tranquilo. Nós não identificamos nenhuma ocorrência, nem de febre ou outros sintomas, porque todos estão aferindo a temperatura ao entra nos colégios", explicou.

Segundo Elaine, os alunos que ainda estão em casa acompanham as aulas via internet, mas a tendência é aumentar o número de estudantes nas escolas nos próximos dias, porque os pais, professore e os próprios alunos estão se sentindo mais seguros.

Retorno das escolas em outros estados

O retorno será gradual em todos os estados como está ocorrendo em Manaus. Alguns estados já definiram as datas de retorno como mostra um levantamento feito pelo Fenep. Acre, Alagoas, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo já têm previsão para o retorno das aulas nas escolas particulares.

Segundo o mapeamento do órgão, São Paulo mantém o retorno definido para 8 de setembro. No Rio de Janeiro, a prefeitura informou que as aulas nas escolas privadas estão autorizadas a partir do dia 3 de agosto. No Acre e no Piauí, a retomada pode ocorrer em setembro. Já o Distrito Federal publicou um novo decreto que permite o retorno das aulas presenciais em 27 de julho. O retorno também para agosto deve ocorrer nos estados do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte (dia 17), Pará (dia 3), Mato Grosso do Sul (dia 24), Maranhão (dia 10) apenas para alunos do terceiro ano do Ensino Médio, e Alagoas.

O governo do Tocantins pretende retomar com o ensino remoto em 3 de agosto. O monitoramento realizado pelo Fenep é atualizado diariamente.

Já Sergipe, Santa Catarina, Roraima, Rondônia, Paraná, Pernambuco, Paraíba, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Espírito Santo, Ceará, Bahia e Amapá ainda não tem previsão de retorno.

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