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Puxado por Ceará e Alagoas

Nordeste tem as 136 escolas públicas com melhor nota em português e matemática nos anos iniciais

Ideb
O Nordeste concentra as 135 escolas públicas brasileiras com as maiores notas de português e matemática nos anos iniciais do ensino fundamental, de acordo com o Saeb 2025. (Foto: Imagem de IA/Gazeta do Povo com ChatGPT)

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O Nordeste concentra as 136 escolas públicas brasileiras com as maiores notas de português e matemática nos anos iniciais do ensino fundamental – isto é, até o 5º ano –, de acordo com dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025, divulgados no dia 5 de agosto pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O levantamento considera 42.458 escolas públicas de todo o Brasil. Das 136 escolas, 99 ficam no Ceará, 36 em Alagoas e uma na Paraíba. A primeira instituição fora do Nordeste aparece apenas no 137º lugar: a Escola Municipal Tempo Integral Damiana da Cunha, de Mossâmedes, em Goiás, com média de 323,405. Não há 135º colocado porque duas escolas empatam na 134ª posição, com 323,455 – a Escola Vicente Antenor, de Sobral, no Ceará, e a Escola Municipal Fernando Juazeiro, de União dos Palmares, em Alagoas.

O cálculo considera a média simples das proficiências de língua portuguesa e matemática no Saeb, e não o Ideb. A diferença é importante porque o Ideb também incorpora a taxa de aprovação dos estudantes. Esse recorte permite, portanto, comparar diretamente o desempenho demonstrado pelos alunos só em português e matemática.

A instituição com maior média do país é a Escola Municipal Francisca das Chagas de Aguiar, de Coreaú, no Ceará. Ela alcançou 336,34 pontos em português e 352,14 em matemática, média de 344,24. Em segundo lugar vem a Escola Municipal de Educação Básica Nossa Sra do Mont Serrat, de Coruripe, em Alagoas, com 344,215. O terceiro posto também é de Coreaú: a Escola Municipal José de Sales, com 344,15.

A supremacia nordestina não desaparece quando o recorte é ampliado. Entre as 500 escolas públicas com maior média no 5º ano, 460 – ou seja, 92% – estão no Nordeste. O Ceará sozinho tem 352 instituições nesse grupo, seguido por Alagoas, com 81. Pernambuco aparece com dez, Paraíba com sete, Piauí com seis, enquanto Bahia e Maranhão têm duas cada. O estado não nordestino mais bem representado é Goiás, com nove escolas.

A concentração também ocorre em poucos municípios. Entre as 136 primeiras escolas, Coruripe, em Alagoas, tem 16 instituições; Sobral, no Ceará, aparece com 14, mesmo número de União dos Palmares, em Alagoas. Cruz tem nove, Pedra Branca e Mombaça têm oito cada e Coreaú aparece com sete.

O que explica o domínio de Ceará e Alagoas

A concentração no Nordeste é puxada sobretudo por Ceará e Alagoas, que reúnem 135 das 136 escolas no topo do ranking.

No caso cearense, o desempenho é resultado de uma política construída ao longo de mais de duas décadas. O modelo colocou a alfabetização nos primeiros anos como prioridade e combinou metas de aprendizagem, avaliações frequentes, formação de professores, material didático estruturado e acompanhamento das escolas. A experiência já havia transformado o Ceará no principal caso de sucesso do país nos anos iniciais muito antes do Saeb de 2025.

A virada começou no município de Sobral, onde uma avaliação feita no início dos anos 2000 mostrou que 48% dos estudantes eram analfabetos funcionais. A rede passou a estabelecer objetivos claros de aprendizagem, avaliar os alunos periodicamente, oferecer reforço a quem ficava para trás e investir na formação continuada dos professores. Diretores passaram a ser escolhidos com maior peso para critérios técnicos e professores e escolas receberam incentivos ligados ao desempenho.

A cidade também adotou materiais comuns e sistemas de acompanhamento capazes de mostrar rapidamente onde os alunos estavam tendo dificuldade. O uso de componente fônico na alfabetização também foi fundamental.

Parte desse modelo foi levado para outros municípios do estado. Criado em 2007, o Programa Alfabetização na Idade Certa (Paic), que garante a alfabetização de crianças até 7 anos de idade, foi levado para todo o Ceará. O estado também vinculou parte da distribuição do ICMS ao desempenho dos municípios e criou premiações para escolas com bons resultados, fazendo com que melhorar a aprendizagem passasse a ter consequências também para gestores municipais.

Tudo isso ajuda a entender por que o destaque atual já não se limita ao exemplo famoso de Sobral, mas alcança municípios como Coreaú, Cruz, Pedra Branca, Mombaça, entre outros.

Coruripe, em Alagoas, seguiu uma trajetória própria, mas com vários elementos semelhantes. A rede municipal estruturou currículo e materiais pedagógicos, avaliações periódicas, formação continuada e programas de reforço e recuperação para estudantes com dificuldades. Também reorganizou a rede, inclusive escolas rurais, e manteve uma equipe técnica relativamente estável na Secretaria de Educação. O resultado não é recente: no Ideb de 2019, Coruripe já tinha obtido nota 8,9 nos anos iniciais.

Alagoas também passou a ampliar esse tipo de política para além de experiências municipais isoladas. O Escola 10, criado pelo governo estadual em parceria com as prefeituras, estabeleceu metas de alfabetização na idade certa e de desempenho em português e matemática, avaliações, formação e acompanhamento das redes, além de mecanismos de incentivo associados aos resultados.

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