O anúncio da nomeação do ex-reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo, Benedito Guimarães Aguiar Neto, como novo presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) na sexta-feira (24) foi interpretado como um reforço da relação do Ministério da Educação (MEC) com o setor privado de ensino superior. Em entrevista à Gazeta do Povo Benedito Aguiar negou a especulação e também comentou as críticas pelo fato de ser contrário à Teoria da Evolução.
Aguiar é engenheiro elétrico de formação, com graduação (1977) e mestrado (1982) pela Universidade Federal da Paraíba. Fez doutorado pela Technische Universität Berlin, na Alemanha (1987), e pós-doutorado pela University of Washington, nos Estados Unidos (2008). Agora será o responsável pela expansão e consolidação dos cursos de mestrado e doutorado no Brasil, bem como pela concessão de bolsas para que pesquisadores brasileiros estudem e façam produção científica no exterior.
A nomeação de Benedito Guimarães Aguiar Neto foi publicada no Diário Oficial da União junto com a exoneração do atual presidente da agência, Anderson Ribeiro Correia. Aguiar Neto foi indicado para o cargo pelo próprio Correia, que desde o ano passado já queria deixar o cargo. Ele foi eleito reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
O que pensa o novo presidente da Capes
Suas relações com o meio universitário são mesmo mais fortes no setor privado?
Benedito Aguiar: Sou professor originalmente da Universidade Federal. Fui gestor e me aposentei lá. Há nove anos assumi a Universidade Presbiteriana Mackenzie. Minha vida acadêmica foi praticamente toda desenvolvida na Universidade Federal da Paraíba e depois na Universidade Federal de Campina Grande, onde fui diretor do Centro de Ciências e Tecnologia por nove anos. Passei 33 anos em universidade federal. A minha trajetória maior foi na universidade pública. Eu sempre fui um educador e pesquisador. E fui presidente do Conselho de Reitores [Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras – Crub], que engloba tanto universidades privadas quanto públicas.
Não vai ter, então, nenhuma prioridade para universidades privadas?
Benedito Aguiar: Não, não, não. Não é universidade pública ou privada que será priorizada. Será priorizada a pesquisa, a pesquisa de qualidade. A minha defesa é pela educação de qualidade, pela valorização da ciência e pelo investimento à pesquisa de maneira que nosso país possa se destacar no cenário internacional como um país que desenvolve pesquisa de ponta. E que também desenvolva uma pesquisa voltada para os problemas locais, para os problemas do país. Como o orçamento é apertado, nós temos de definir áreas estratégicas de investimento.
"Defendo a pesquisa de qualidade, com objetivos definidos e que prioritariamente contribuam para a solução dos grande problemas nacionais. Quando o cobertor é curto, como é o nosso caso, há de se estabelecer prioridades com base nos impactos estratégicos esperados."
Os críticos à sua nomeação alegam que o senhor é contrário à Teoria da Evolução e defende o criacionismo. Qual é sua posição, afinal?
Benedito Aguiar: Defendo que possamos fomentar a pluralidade de pensamento na universidade, para desenvolver a consciência crítica do nosso aluno. Sem liberdade não se desenvolve a criatividade e a solução de problemas fica mais distante. Por que não abrir a discussão para participação daqueles que pensam diferente quanto à origem da vida? Que utilizam argumentos científicos no contexto do design inteligente? Nada de imposição, mas sim abrir para o contraditório quanto à complexa questão da origem da vida, como contraponto às teorias reinantes.
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