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O cérebro é a resposta para os problemas da educação brasileira. Simples assim? Não. Enquanto políticas públicas e iniciativas escolares focam fortemente em remexer conteúdos e carga horária de disciplinas, os neurocientistas correm por fora na tentativa de convencer com novas práticas que, para eles, são mais atrativas e eficientes.

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A primeira delas seria tirar as crianças da cadeira a tempos, com estímulos agradáveis e que descansem o cérebro. Permanecer sentado e ouvir aulas expositivas, sem descanso, não traz a possibilidade de interação com o ambiente, com o professor, com os outros alunos e com o conteúdo – esses movimentos, dizem os neurocientistas, ajudam o cérebro a absorver melhor as informações. Ao ser estimulado, um aluno tem reforçadas suas conexões entre os neurônios e a liberação de neurotransmissores que favorecem o ato de conhecer.

O processo de empatia com o professor é fundamental, garantindo que alunos produzam os neurotransmissores mais indicados para a aprendizagem: a dopamina e a ocitocina

Outra prática saudável, de acordo com os neurocientistas, é a de o professor conhecer cada aluno para desenvolver as atividades que motivem diferentes perfis. Como cada cérebro tem um ‘acionamento’ diferente é preciso respeitar essas diferenças e utilizá-las a seu favor.

“Para garantir a motivação dos diferentes perfis de alunos, os profissionais da educação precisam estar atentos às potencialidades de cada criança ou adolescente e oferecer a oportunidade deles mostrarem isso ao grupo”, explica a psicóloga e analista do comportamento Karine Angleri. “Essa prática aumenta a exposição de ideias e o senso crítico. Por exemplo, crianças ou adolescentes que são mais rápidas na execução das atividades podem ajudar os demais e, desta forma, trabalha-se não só com conteúdos, mas também o relacionamento interpessoal. Isto aumenta o engajamento das duas partes, na medida em que sempre um colega terá algo para ensinar ao outro.” Ela lembra que se deve buscar valorizar todas as tentativas dos alunos durante as atividades para garantir sua motivação, usando diferentes recursos de ensino, como estímulos visuais e táteis por exemplo.

Para a psicopedagoga e neurocientista Marta Relvas, “à medida que professor estuda estruturas do cérebro e habilidades dos alunos, pode potencializar a inteligência e as habilidades desses alunos, estimulando novas conexões neurais e usando recursos metodológicos diferenciados, como os processos motores do brincar funcional”, afirma Marta, que também é doutora e mestre em Psicanálise e autora de livros como “Neurociência e Educação, potencialidades dos gêneros na sala de aula”, publicados pela Wak Editora.

O processo de empatia também é fundamental, garantindo que alunos produzam os neurotransmissores mais indicados para a aprendizagem: a dopamina e a ocitocina. “São os hormônios da paixão, do que gostamos de fazer, que precisam ser despertados nos alunos pelo professor. O professor precisa fazer com que a turma se encante com o que ele traz, se ele não usa o encantamento, a indisciplina se instaura e a aprendizagem se perde”, afirma.

*** Confira outras contribuições que a neurociência traz para o processo da aprendizagem:

De uma forma geral, acredita-se que um ambiente estimulante pode significar 25% a mais de capacidade de aprendizagem

Estímulos

Todos são capazes de aprender, mas o aprendizado é mais efetivo se ocorrer em locais diferentes e provocado de formas diversas. Alguns estudos buscam avaliar a influência da quantidade de estímulos recebidos na infância no desenvolvimento cognitivo das crianças. De uma forma geral, acredita-se que um ambiente estimulante pode significar 25% a mais de capacidade de aprendizagem em relação a crianças que não recebem muitos estímulos. Os estímulos como o som, visão, tato, gustação e olfato são decodificados e associados, então por um trabalho conjunto do tálamo, hipotálamo e amígdalas cerebrais, são promovidas as lembranças e a aprendizagem significativa.

Físico

Um ambiente que agrada aos olhos e com um cheiro bom, também ajuda a reter informações. Há estudos que relacionam os espaços físicos com a qualidade do aprendizado e até com a memória. Ter o corpo bem estimulado é importante, mas ter o descanso devido é fundamental. O cérebro precisa do período de descanso para consolidar memórias e para se preparar para constituir novas. O cérebro humano cresce até a idade de 18 anos, mas leva até os 28, 30 anos para ser considerado maduro. Por isso que algumas aprendizagens acabam se consolidando em diferentes épocas da vida. Um conteúdo que foi passado quando um aluno tinha 10 anos, pode fazer sentido apenas quando ele se depara novamente com aquela informação, já na vida adulta, com o cérebro mais maduro.

‘Atlas’ mostra onde ficam as ideias no cérebro

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Rotina

A criança precisa ter uma rotina de estudos pré-estabelecida com horário e local apropriado. Os pais precisam oferecer um espaço adequado, sem barulho, de preferência com poucos estímulos e distrações para manter a atenção da criança na tarefa. “Normalmente sugiro aos pais que também se organizem para estar presentes no momento da tarefa, com seus afazeres ou lendo um livro, para que a criança tenha um modelo e para que possa acessar os pais, caso tenha alguma dúvida. E nunca fazer por eles, mas com eles”, afirma a psicóloga Karine Angleri. Ler em voz alta para a criança também é ferramenta poderosa para o desenvolvimento cerebral dos pequenos.

Afeto

A sala de aula que conhecemos é um local onde se passam informações e não um espaço de aprendizagem, segundo a neurocientista Marta Relvas. Falta o professor passar ao aluno, não só o conteúdo, as informações, mas também o sentido e o significado do que é abordado. “O professor tem de mostrar como aplicar o conteúdo na vida, considerando a área emocional e a recompensa. Ele deve emoldurar conteúdos pedagógico em processos emocionais positivos, que valorizem a autoestima”, afirma.

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