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Artista Edilberto Sobrinho, durante a apresentação do desenho “O Coito”. Foto: Facebook | Reproduçao.
Artista Edilberto Sobrinho, durante a apresentação do desenho “O Coito”. Foto: Facebook | Reproduçao.| Foto:

Desenhos com símbolos cristãos misturados com genitálias e orgias fizeram parte de uma aula-exposição realizada durante uma semana de debates de filosofia organizada na Universidade Federal do Piauí (UFPI). O evento, realizado no auditório Noé Mendes, no Centro de Ciências Humanas e Letras, no último dia 28 de março, teve a aprovação da coordenação do Departamento de Filosofia da instituição e a participação valia como atividade complementar no curso.

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A iniciativa recebeu críticas da comunidade acadêmica, não só pelo teor pornográfico e de afronta a quem professa a religião cristã, mas também pelo uso das dependências da universidade para esse fim.

Um dos desenhistas convidados para expor suas obras e explicá-las em palestra foi Edilberto Sobrinho, formado em Artes Plásticas pela UFPI, que se apresenta como um artista que usa lápis grafite para mesclar “arte sacra com satanismo, blasfêmia, sexo homossexual, genitálias masculinas e referências à cultura pop”. Ele expôs um “Autorretrato amamentando o Anticristo” no hall de entrada do evento e apresentou obras obscenas no auditório para os alunos. Outro desenhista convidado, Mickael Viana, apresentou uma desenho em que substitui o rosto de Cristo crucificado por um animal com chifres.

Uma das obras expostas e criticadas por alunos e professores
Uma das obras expostas e criticadas por alunos e professores

Procurado, o Centro Acadêmico, organizador do ciclo de palestras, afirmou que o objetivo era discutir com os alunos, a partir dos desenhos, “a arte como expressão política e filosófica” sem “nenhuma intenção de ofender”.

A Comissão de Liberdade Religiosa da OAB-PI publicou uma nota de repúdio à iniciativa. “Chegou ao conhecimento desta Comissão, que (...) na Universidade Federal do Piauí – UFPI está sendo exibido para o público em geral a ‘II Exposição de Arte Alternativa Piauiense’ na qual são replicadas imagens e cenários de conhecimento público e mundial ligados à fé cristã, atribuindo a tais sinais sagrados conotações políticas e sexuais em verdadeiro escárnio e vilipêndio sem precedentes, debochando voluntária e conscientemente por meio da dessacralização dos seus objetos (ou seus representativos) de culto de alto valor para a fé cristã”.

“Liberdade está umbilicalmente unida à responsabilidade”, continuou a manifestação da Comissão. “Esta Comissão de Liberdade Religiosa declara seu repúdio e irresignação acerca da aludida exposição depreciativa cuja divulgação estimula o desrespeito e menospreza todos os cristãos e seus adeptos”.

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Procurada, a UFPI informou que, apesar de terem sido realizadas nas instalações da universidade, era o Centro Acadêmico quem respondia pelas palestras.

“O evento foi de inteira responsabilidade do Centro Acadêmico e dentro do debate sobre o tema envolvendo artistas, estudantes e professores ligados à estética da arte”, disse o comunicado enviado pela UFPI.

“Reafirmamos que a Universidade Federal do Piauí tem como missão  propiciar a elaboração, sistematização e socialização do conhecimento filosófico, científico, artístico e tecnológico adequado ao saber contemporâneo e à realidade social, formando recursos que contribuam para o desenvolvimento econômico, político, social e cultural local, regional e nacional. Portanto, não comunga com qualquer tipo  ofensa e agressão dirigida a pessoas, religiões, sexo, ideologia política e instituições. A UFPI, é uma instituição plural e democrática respeita a liberdade de expressão”, continuou a nota.

A instituição também negou ter teria publicado em suas redes sociais imagens ofensivas à religião. “Foi publicado, apenas, cartaz do evento e que ainda está disponível”, concluiu.

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