Futuro
Situação tende a piorar
Na avaliação do professor Ângelo Ricardo de Souza, a situação das escolas pode se agravar a partir de 2016, quando o ensino obrigatório passará a ser dos 4 aos 17 anos. Atualmente é dos 6 aos 14 anos. Ele teme que as escolas públicas aumentem o número de alunos em sala para atender de forma imediata às exigências legais e que promovam o inchaço das turmas para obter ganhos em escala.
Para evitar a superlotação, ele ressalta a necessidade de aprovação de uma lei nacional que estipule um número máximo de estudantes por turma. Ângelo também chama a atenção para a importância do tamanho das salas de aula. "A legislação deve combinar metragem mínima das salas e número de alunos por turma", explica.
No Paraná, uma determinação do Conselho Estadual de Educação estipula que as salas tenham no mínimo 1,20 metros quadrados por aluno. Segundo a Secretaria Estadual de Educação (Seed), uma resolução de 2001 prevê que as salas de ensino fundamental tenham entre 35 e 40 alunos, enquanto nas turmas de ensino médio a quantidade deve ficar entre 40 e 45 estudantes.
Em Curitiba, a Portaria 26/2005 da Secretaria Municipal de Educação fixa regras para creche, pré-escola, ensino fundamental e Educação de Jovens e Adultos. Nas escolas municipais de 5ª à 8ª série, por exemplo, as turmas devem ter entre 30 e 35 alunos.
Quando a filha de Noelia Regina Santos Bueno, 50 anos, começou as aulas em um colégio particular de Curitiba, no ano passado, havia mais ou menos 60 alunos na turma. Ao longo do ano, a sala foi reorganizada e a estudante passou a dividir o espaço e a atenção dos professores com mais de 100 colegas, número muito superior ao recomendado por pesquisadores da área da educação. "Devido à quantidade muito grande de alunos, os professores não conseguiam acompanhar os estudantes que não haviam entendido a matéria. E ela ficava constrangida em fazer perguntas na sala, porque o pessoal tirava sarro", conta Noelia, que atribui ao excesso de alunos parte da responsabilidade pela reprovação da filha no segundo ano do ensino médio.Professor de Matemática há 12 anos e diretor de uma escola particular da capital paranaense, Gidel Laureano Messagi explica que a superlotação é uma medida de economia adotada por algumas instituições. O raciocínio é simples: mais alunos na mesma sala aumenta a receita sem aumentar o gasto com professores. "Os pais precisam verificar se o valor da mensalidade de determinada escola não é mais baixo em função do número de alunos por sala. É preciso equalizar ensino de qualidade e bom preço", alerta. Messagi afirma que na escola que dirige há no máximo 25 alunos por sala, em turmas de ensino fundamental (1ª à 8ª série) e médio.
O excesso de alunos não é um problema exclusivo da rede privada. De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP Sindicato), Marlei Fernandes de Carvalho, a maioria das turmas de ensino médio da rede estadual tem 45 alunos, enquanto a meta aprovada em abril pela Conferência Nacional da Educação (Conae) é de no máximo 30 estudantes para essa etapa de ensino. A Conae discutiu este e outros temas da educação brasileira, do ensino infantil à pós-graduação. Do encontro saíram diretrizes para um novo Plano Nacional de Educação, com objetivos a serem perseguidos pelo governo entre 2011 e 2020.
Segundo a professora de Matemática Claudiovane Parralego de Aguiar, que dá aulas na rede municipal de Curitiba e na rede estadual do Paraná, nas turmas grandes é mais difícil diagnosticar e sanar as dificuldades de cada estudante. "A correção individual dos cadernos fica difícil. É preciso fazer uma correção coletiva, o que com certeza interfere no aprendizado do aluno", afirma.
O outro lado
Turmas muito pequenas também podem prejudicar a formação do estudante, como explica Ângelo Ricardo de Souza, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR). "A escola não é só um espaço de transmissão de conhecimentos, também tem a função de colocar jovens e crianças em convívio, porque é dessa forma que o estudante aprende limites", afirma.
Ele cita o caso da Escola Municipal Melvin Jones, de Londrina, que foi incluída em um relatório de 2004 coordenado pelo Ministério da Educação sobre instituições públicas com condições de qualidade. Na época, a menor turma do colégio, uma sala de primeira série do ensino fundamental, contava com apenas sete estudantes. "Uma professora reclamava que tinha dificuldades de estabelecer determinadas atividades de ensino com a turma", conta.
De acordo com a diretora atual da escola, Telma Andrade de Carvalho Pitta, de lá para cá o colégio foi ampliado e recebeu mais estudantes. Hoje as turmas têm cerca de 20 alunos. "A vantagem de uma sala bem pequena é que você pode sentar ao lado da criança com dificuldade de aprendizagem. A desvantagem é que há menos interação em sala", diz a professora Cyntia Ruiz Lozano Oliveira, que está há 14 anos na instituição e acompanhou as mudanças. Para a professora Maria Lúcia Tomasi Carli, em turmas um pouco maiores, como as que existem hoje, é possível estabelecer parâmetros de comparação do trabalho das crianças.
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