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UFBA promove ato "contra a barbárie" em crítica a Jair Bolsonaro
Evento foi apresentado pelo reitor da UFBA João Carlos Salles, abertamente crítico a Jair Bolsonaro| Foto: UFBA

A Universidade Federal da Bahia (UFBA) promoveu, nesta terça-feira (18), um evento on-line com o tema "Educação contra a barbárie - Ato Público em Defesa da Educação". O evento teve como temáticas centrais críticas a cortes no orçamento das instituições de ensino superior federais e à seleção de reitores pelo presidente Jair Bolsonaro a partir das listas tríplices encaminhadas pelas universidades.

Com condução institucional da UFBA, o ato contou com o apoio de movimentos sociais e sindicais, em especial o Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia (Apub), o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Universidades Públicas Federais no Estado da Bahia (Assufba) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da instituição.

O evento foi encabeçado pelo reitor da UFBA, João Carlos Salles Pires da Silva. O dirigente, que é ex-membro da Ação Popular Marxista Leninista, é um desafeto do presidente da República e faz críticas frequentes ao governo federal. Silva, que até o ano passado exercia também o cargo de presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), foi o apresentador da transmissão.

Em quase quatro horas de transmissão, o ato contou com a fala de professores universitários, dirigentes de outras instituições de ensino, parlamentares, estudantes, representantes de movimentos sociais e sindicais e de entidades de classe. As participações foram intercaladas com apresentações artísticas.

Os discursos concentraram-se em críticas ao governo federal, principalmente quanto ao orçamento disponibilizado à educação superior e à pesquisa científica e a episódios considerados como “ataques à universidade pública”, como a seleção de reitores por Bolsonaro a partir de listas tríplices encaminhadas pelas instituições de ensino. A escolha de um dos três nomes enviados por um colegiado máximo da universidade pelo presidente da República, entretanto, consta na legislação que trata do processo de seleção dos dirigentes universitários.

Outro assunto bastante abordado durante a transmissão foi a gestão do governo federal da pandemia da Covid-19. Diversas falas citaram episódios considerados erros por parte Ministério da Saúde e comportamentos de Bolsonaro considerados negacionistas – houve também referências ao presidente da República como “genocida”.

“Fora ao genocida. Nós sabemos que a universidade só terá força e educação para se desenvolver se esse governo sair do comando do nosso país”, disse a deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA) em discurso durante o evento.

Além da transmissão pela internet, fez parte do ato a publicação de um site trazendo frases de artistas, servidores públicos, alunos da UFBA e demais representantes da comunidade universitária com mensagens diversas sobre educação pública e críticas ao presidente da República.

UFBA divulga manifesto contra Jair Bolsonaro

Como parte do ato, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) publicou um manifesto em defesa da educação, no qual evidencia os pontos que nortearam a manifestação. O texto faz críticas diretas a Jair Bolsonaro e cita que o atual presidente tem “desmontado o legado de gestões anteriores”. O texto cita que há uma “trágica combinação de asfixia orçamentária e ataques à autonomia universitária”.

“Servem, ademais, à barbárie a gestão irresponsável da saúde na pandemia e o ataque indiscriminado a políticas de Estado que visam ao bem comum – ataque que se mostra cruel na involução do orçamento dos sistemas de educação, saúde e cultura, com graves retrocessos naquelas políticas de Estado que, ao contrário, necessitam a proteção de metas claras de expansão continuada”, cita um trecho da nota.

“Desse modo, além de exigir recomposição orçamentária e investimentos que garantam o funcionamento de funções estatais relativas a políticas públicas, à educação, à saúde e à cultura, à proteção da vida, aos direitos básicos de nosso povo e ao meio ambiente, devemos resistir a todas as manifestações de retrocesso cultural, de violência e embrutecimento das relações sociais”, diz outro trecho do manifesto.

A Gazeta do Povo contatou a UFBA e questionou a instituição a respeito do tamanho do déficit estimado em seu orçamento para 2021, bem como quanto à existência ou não de recursos públicos na organização do evento. Não houve retorno até a publicação da reportagem. As informações serão acrescentadas se forem enviadas pela universidade.

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