Professores, funcionários e alunos da Universidade de São Paulo (USP) entram em greve nesta terça-feira, 27, contra o congelamento dos salários na instituição em 2014. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e em parte da Universidade Estadual Paulista (Unesp), as três categorias também decidiram cruzar os braços. Professores da USP e da Unicamp não faziam greve geral desde 2009.

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Quase mil representantes das três instituições ainda prometem um ato hoje à tarde na Assembleia Legislativa, na zona sul, onde haverá audiência sobre a crise das universidades. A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT), de oposição ao governo estadual (PSDB), também coleta assinaturas para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue a crise na USP. Das 32 assinaturas necessárias, 25 haviam sido recolhidas até ontem.

Pelo alto comprometimento das receitas com salários, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp) propôs, há duas semanas, reajuste zero para docentes e servidores neste ano, o que levou às greves. A situação crítica da USP, que gasta 105% dos repasses com salários, foi a que mais pesou na decisão. Segundo o Cruesp, o reajuste das categorias será rediscutido entre setembro e outubro.

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Na Unesp, onde a greve começou na semana passada, 13 das 34 unidades têm paralisação parcial de docentes e servidores. Segundo a instituição, os câmpus mantinham as atividades essenciais até ontem.

Embora a greve dos servidores da Unicamp tenha começado sexta-feira, a instituição afirmou que o funcionamento é normal na maioria das 22 unidades. Já o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp estima adesão de ao menos 60% da categoria à greve, que terá participação dos docentes a partir de hoje. Professores, funcionários e alunos de cada unidade da USP decidiam sobre a adesão à greve geral até a noite de ontem.

Saldo em queda

A meta fixada pela USP era usar R$ 573,7 milhões de suas reservas durante o ano. Desse total, 62,47% já foram gastos só nos quatro primeiros meses de 2014. Como gasta com salários mais do que recebe do Tesouro Estadual, a universidade planejou consumir parte de sua poupança para equilibrar as contas e bancar atividades, como pesquisa e extensão. No mês passado, o saldo da poupança da instituição era de R$ 2,31 bilhões.

O consumo rápido das reservas neste ano se deu pelo alto montante de restos a pagar e outros débitos deixados pela gestão de João Grandino Rodas. Em janeiro, o atual reitor, Marco Antonio Zago, assumiu com R$ 417 milhões de dívidas dos anos anteriores. Como ainda eram compromissos assumidos pelo antecessor, o congelamento de obras e contratações, proposto por Zago em fevereiro, não impediu a queima de reservas. A expectativa da reitoria é desacelerar os gastos da reserva nos próximos meses.

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