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O universitário André Luiz Primão Lopes já é concursado do Tribunal de Justiça e se prepara para a carreira de diplomata | Aniele Nascimento / Gazeta do Povo
O universitário André Luiz Primão Lopes já é concursado do Tribunal de Justiça e se prepara para a carreira de diplomata| Foto: Aniele Nascimento / Gazeta do Povo

Preparo físico

Entre os concursos mais concorridos e que não especificam área, exigindo apenas nível superior, estão os da Polícia Federal e das Forças Armadas. Contudo, nesses casos, o conhecimento legislativo dos bacharéis em Direito ou as habilidades matemáticas dos economistas ficam longe de ser garantia de sucesso. Essas instituições incluem rigorosas provas físicas no certame, mesmo para vagas no setor administrativo. Portanto, se o foco do candidato é trabalhar pela defesa nacional ou combater o crime, é necessário se preocupar em deixar o corpo tão preparado quanto a mente.

Sem bobear

Quer participar de concursos? Confira cinco dicas que podem ajudá-lo a organizar o caminho a ser seguido:

1. Mantenha-se informado

A internet está cheia de sites, páginas no Facebook e perfis no Twitter especializados em divulgar oportunidades abertas por novos editais. Acompanhe as atualizações sobre concursos e, quando surgir algo que interesse, gaste alguns minutos lendo o edital.

2. Faça escolhas realistas

Se sua rotina é corrida demais para dedicar horas diárias ao estudo, é melhor deixar os certames superconcorridos, como os da Receita Federal, para outro momento. É preciso ter em mente que a concorrência de alguns concursos é muito maior do que as registradas em vestibulares e que parte significativa dos candidatos dedica tempo e dinheiro na preparação. No entanto, em concursos mais específicos, universitários tendem a levar vantagem em suas áreas de estudo, já que habitualmente leem o conteúdo a ser cobrado. Portanto, avalie se seu tempo disponível e conhecimento são suficientes para entrar na disputa.

3. Organize os estudos

Estude paralelamente as disciplinas exigidas e não em sequência. Quando o candidato resolve estudar por inteiro o programa de uma disciplina para apenas depois partir para outra, corre dois riscos: o primeiro é o de que não haja tempo para ver sequer o mínimo de todos os conteúdos. O segundo é a grande probabilidade de que conteúdos vistos no início sejam esquecidos na hora da prova. Ler um pouco de cada área todos os dias e depois revisar é o melhor a ser feito.

4. Faça provas de concursos anteriores

Tradicionalmente, os conteúdos programáticos de cargos públicos não mudam tanto de um concurso para o outro, por isso vale a pena ir atrás de provas antigas para a mesma vaga e tentar resolvê-la. Isso deixa o candidato familiarizado com o estilo das questões e com a ênfase dada a cada conteúdo.

5. Cuidado com o material didático

Infelizmente, a internet e as bancas de jornal estão cheias de apostilas de má qualidade. Antes de investir dinheiro em uma dessas publicações, confira a data de impressão para saber se a parte legislativa está atualizada e dê uma boa folheada procurando por erros de impressão. Converse com concurseiros mais experientes para saber sobre as publicações mais confiáveis.

Se liga!

Confira alguns dos concursos públicos que estão com as inscrições abertas:

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

Inscrições até 18 de novembro

163 vagas de nível superior

Remunerações variam de R$ 6.130 a R$ 8.300

Taxa de inscrição: R$ 66 ou R$ 70, de acordo com o cargo pretendido

Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Inscrições até 20 de novembro

105 vagas de nível médio e superior

Remunerações variam de R$ 2.570,02 a R$ 3.980,62

Taxa de inscrição: R$ 60 (médio) ou R$ 90 (superior)

Ministério Público do Estado do Paraná

Inscrições até 26 de novembro

131 vagas de nível fundamental, médio e superior

Remunerações variam de R$ 2.387,55 a R$ 7.300,39

Taxa de inscrição: R$ 50 (fundamental), R$ 80 (médio) ou R$ 120 (superior)

INTERATIVIDADE Está nesta vida?

Você já começou a se dedicar à carreira de "concurseiro"? Que dicas pode dar a quem também que entrar nessa? Deixe seu comentário no quadro abaixo do texto.

Salário polpudo

No último concurso da Receita Federal, o salário oferecido à vaga de auditor-fiscal era de R$ 13,6 mil. Foram registrados 26.313 inscritos em todo o país para ocupar 200 vagas. Uma média de 131,56 candidatos por vaga.

De olho na boa remuneração e na estabilidade de empregos públicos, estudantes começam a pensar desde cedo na carreira de "concurseiros" e passam a mirar cargos municipais, estaduais e federais já na hora de escolher o curso que fará na graduação. Segundo professores acostumados com a realidade dos concursos públicos, algumas opções realmente dão vantagem aos jovens devido às habilidades desenvolvidas na faculdade e à grande carga horária em disciplinas essenciais nesse tipo de exame.

Segundo a professora Melissa Folmann, do curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e de preparatórios para concursos públicos, acadêmicos das áreas de Direito, Contabilidade, Administração e Economia contam com um leque de oportunidades muito maior do que os de outros cursos. Isso porque, além das vagas que exigem formação específica nessas áreas, esses alunos saem da faculdade mais preparados para disputas mais genéricas, que exijam apenas nível superior. É o caso dos concorridíssimos cargos de auditor da Receita Federal ou analista do Ministério da Fazenda.

Vantagem

O que beneficia estudantes de Direito é, principalmente, o conhecimento em legislação que adquirem. "Esses concursos mais gerais cobram conhecimentos jurídicos, principalmente nas áreas de Direito Administrativo e Constitucional. Os alunos que já viram o conteúdo durante a faculdade só precisam fazer uma revisão", diz Melissa.

A professora, no entanto, faz uma diferenciação entre os privilegiados. "Os alunos dos cursos de Economia, Contabilidade e Administração têm uma ótima base em Estatística e Matemática, superando os estudantes de Direito. Mas a base jurídica do curso de Direito é, naturalmente, muito superior."

Professor de Direito Tributário no Centro Universitário Uninter, Paulo Cesar da Cunha Souza concorda com Melissa e define esse quarteto de cursos como "profissões universais", justamente por viabilizarem muitas opções de carreira. "O setor público é administrativo e nele uma cultura geral é mais aproveitada do que conhecimentos muito focados", diz.

De acordo com o professor José Mario Tafuri, coordenador do curso de Direito no Centro Universitário Curitiba (Unicuritiba), muitos editais definem grupos de cursos aos quais as vagas são destinadas, o que normalmente contempla Direito, Economia e similares. "O boom de cursos de Direito que tivemos recentemente se deve justamente à alta procura das pessoas que almejam esses concorridos cargos do setor público", diz.

"É um projeto para uns dois anos, pelo menos"

Concurseiro assumido, o formando em Direito pela PUCPR André Luiz Primão Lopes, 24 anos, orgulha-se da posição que ocupa. Já é servidor do Tribunal de Justiça do Paraná, ocupando um cargo cuja exigência é de nível médio. "Eu ganho quatro vezes mais do que um advogado em início de carreira e tenho uma jornada de trabalho bem menor", diz André, ao justificar sua preferência pelo setor público.

Prestes a se tornar bacharel, ele se prepara para um dos processos seletivos mais concorridos do país: o de diplomata, uma das carreiras que aceita candidatos de todos os cursos superiores. Aos que começam agora sua rotina como "concurseiros", André faz uma recomendação realista. "Não dá para esperar retornos imediatos, principalmente quando se pretende passar em concursos muito concorridos. É um projeto para uns dois anos, pelo menos", diz.

Preparação

Quem tem conhecimento em cálculo larga na frente

Antonio More / Gazeta do Povo

Formado em Administração desde 2009, Marcelo Hesse (foto), 35 anos, tem o setor público como meta. Interessado especialmente na estabilidade de carreira, ele tem frequentado as aulas do curso Ordem Mais para obter um bom desempenho no próximo exame do Tribunal de Justiça do Paraná. Mesmo não gostando de Matemática, ele admite que a formação acadêmica o beneficia na concorrência com colegas de outras áreas nas questões de cálculo. "Sei que estou um pouco mais identificado do que o pessoal de Letras, por exemplo. Isso dá sim alguma vantagem", diz.

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