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Feitos de Lula e FHC geram debates acalorados nas aulas. O melhor caminho para interagir é aprender a dialogar e buscar mais informações | Cristiano Mariz / O Brito News
Feitos de Lula e FHC geram debates acalorados nas aulas. O melhor caminho para interagir é aprender a dialogar e buscar mais informações| Foto: Cristiano Mariz / O Brito News

Assuntos espinhosos

Confira alguns dos temas que são abordados de forma diferente dependendo da postura política do professor:

Plano Real

Professores de esquerda tendem diminuir a participação de FHC nas vantagens alcançadas com o Plano real e a depositar o mérito do crescimento econômico no país nos ombros de Lula. Alguns até negam que FHC seja autor do plano. Seria uma iniciativa do ex-presidente Itamar Franco, do qual FHC era ministro da fazenda. Quem milita à direita lembra, por outro lado, que Itamar não fez nada mais do que permitir que FHC colocasse em prática o Plano Real.

Privatizações

A alcunha de "neoliberal" de FHC também é polêmica. Um militante de direita diria que ele não "vendeu barato o patrimônio do estado nas privatizações", como diria um esquerdista, e sim teria feito o que o famoso economista britânico John Keynes teria sugerido: depois de uma intervenção massiva do estado, para que a sociedade caminhe, deve haver a devolução para a iniciativa privada de um determinado setor econômico para conseguir capital e voltar a investir em outras áreas precárias da sociedade.

Bolsa Família

Os benefícios sociais do Bolsa Família costumam ser minimizados por professores de direita. Já docentes de esquerda se esquecerão de dizer que a ideia do programa não foi de Lula – o modelo de repasse financeiro direto nasceu em estados e municípios.

Classe média

O aumento da classe média também é um assunto controverso. Há quem diga que Lula foi o principal responsável pelo aumento do consumo e a redução do desemprego. Os de direita riem da "audácia esquerdista" dizendo que, se lula não tivesse continuado a política econômica de FHC, dificilmente teria sobrevivido no cenário internacional.

Início de aula. O tema? Política ou economia nos governos dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. O professor entra em sala e vem o discurso. Se for esquerdista "xiita", o governo de FHC será traçado como o causador de quase todos os males da humanidade. Por outro lado, se flertar com a direita, dificilmente reconhecerá os acertos de Lula. Tanto um como o outro terminará a aula com uma frase do gênero: "Esses são os fatos".

Exagero? Quem estudou nos últimos dez anos na área de Humanas em grandes universidades brasileiras sabe que não. Essa parcialidade é inofensiva quando os alunos possuem conhecimentos e recursos críticos para avaliar as informações dadas pelo professor, que sabe conviver com interpretações diferentes da sua. Torna-se negativa, no entanto, quando a aula se transforma em um palanque político e os estudantes não têm espaço para dar opinião.

"Não é possível ser totalmente imparcial em sala de aula. Os fatos políticos são os mesmos, mas abrem brecha para interpretações bem diferentes", avalia o sociólogo Valeriano Mendes Ferreira Costa, professor da Unicamp. Costa insiste, no entanto, que o professor tem de procurar abordar os temas cientificamente e não de acordo com suas opiniões pessoais. "O professor precisa estar preparado para apresentar pelo menos três ou quatro das principais interpretações mais fortes e comuns de um determinado assunto, mesmo que não concorde com algumas delas", alerta.

Análise

No caso da análise dos governos FHC e Lula, a dificuldade aumenta por ser um período histórico recente, complexo, sobre o qual ainda faltam pesquisas minuciosas. "Além disso, estudos têm mostrado que os dois governos se parecem cada vez mais. Não dá para ser radical nem de um lado e nem do outro", acrescenta Antoninho Caron, coordenador do curso de Administração da FAE Centro Universitário.

Para os alunos, o melhor é fugir de dois extremos: aceitar qualquer posicionamento sem questionar ou criticar tudo. "Alguns universitários são apáticos e apenas repetem as opiniões dos pais, dos amigos. Dessa forma, eles não adquirem o senso crítico necessário para ter uma opinião própria. O caminho para reverter essa situação é o diálogo e a busca de conhecimento", sugere Ricardo Oliveira, professor da Universidade Federal do Paraná.

E você, também enfrenta debates polêmicos em sala de aula? Dê o seu depoimento!

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