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Alexandre Kalil prefeito BH
Alexandre Kalil (PSD), prefeito de Belo Horizonte, lidera com folga a corrida nas eleições 2020, mas enfrenta oposição aguerrida.| Foto: Rodrigo Clemente/Prefeitura de Belo Horizonte

Após a eleição do cartola Alexandre Kalil (PSD) a prefeito de Belo Horizonte em 2016 e a do empresário Romeu Zema (Novo) a governador de Minas em 2018 — dois outsiders da política —, o cenário de renovação continua presente na capital mineira. Seis partidos já oficializaram suas candidaturas e nomes novos aparecem na disputa contra o prefeito, que tenta a reeleição.

“Belo Horizonte vive um momento de renovação. Durante muito tempo, Minas foi governada pelo PSDB e pelo PT. Isso gerou muita rejeição aos dois partidos. A cidade então buscou uma nova turma para romper com esse tradicionalismo”, afirma Felipe Nunes, cientista político da UFMG.

Kalil lidera com folga a corrida com 56% das intenções de voto, segundo o último levantamento do Paraná Pesquisas ("Registro TSE n.º MG-03074/2020), e nos bastidores a expectativa é que ele dispute o governo do estado em 2022. O vice não foi oficializado, mas o nome mais cotado é o do ex-secretário municipal da Fazenda, Fuad Noman (PSD). A aliança engloba também MDB e PDT, e talvez PL e PSL.

“O Kalil se elegeu como um prefeito que não prometeu nada a não ser colocar para funcionar o que não estava funcionando. Ao longo desses quatro anos, ficou evidente que a personalidade e a atitude adotadas por ele agradaram a maior parte da população. Ele não tem meias palavras nas entrevistas e não tem medo de enfrentar questões e desafios”, explica o cientista político.

Apesar da alta aprovação, o especialista avalia que a reeleição de Kalil não está garantida. “Ele terá que dar explicações em relação à gestão da cidade e há uma oposição forte que está se organizando para construir um debate”, afirma Nunes.

Entre os trunfos, Kalil pode reivindicar a abertura do Hospital Metropolitano Doutor Célio de Castro, conhecido como Hospital do Barreiro, a renovação da frota de ônibus e as obras contra enchentes, problema crônico da capital mineira.

Jovens outsiders buscam espaço

Atrás de Kalil, desponta o radialista João Vitor Xavier (Cidadania), 38 anos. Deputado estadual no terceiro mandato, ele tem se destacado pela postura fortemente crítica ao prefeito e goza da simpatia de comerciantes e empresários. De acordo com levantamento do Paraná Pesquisas, ele tem 6,5% das intenções de voto nas eleições 2020.

Ex-tucano, Xavier é um dos autores do projeto de lei "Mar de Lama Nunca Mais", que instituiu a política estadual de segurança das barragens. A candidatura ainda não foi oficializada, assim como o nome do vice, mas o Cidadania já firmou aliança com o PTB.

O candidato do presidente Jair Bolsonaro é o deputado estadual e coordenador do movimento Direita Minas, Bruno Engler. Aos 23 anos, ele deve ser o mais novo na disputa. Amigo dos filhos do presidente, Engler deve oficializar a candidatura pelo PRTB, mesmo partido do vice-presidente Hamilton Mourão, na convenção do partido que está prevista para a próxima segunda-feira (14). Em abril, ele foi expulso do PSL, após Bolsonaro romper com o presidente do partido, Luciano Bivar.

“Conquistamos o topo da pirâmide, mas estamos muito fracos na base, nos municípios. A chance que a gente tem de mudar, de renovar é agora”, afirmou o pré-candidato em live nas redes sociais no início de setembro. Engler propõe a militarização das escolas públicas e é contra a ideologia de gênero e a doutrinação nas aulas. Ele tem 2% das intenções de voto, segundo o Paraná Pesquisas.

Defensor da reabertura da economia, o pré-candidato acusa Kalil de não aderir ao programa do governo federal para construir escolas cívico-militares por uma “questão ideológica” e de ter imposto aos belohorizontinos “o maior lockdown do mundo” durante a pandemia.

Belo Horizonte soma 1.072 óbitos provocados pela Covid-19 e 36 mil casos confirmados até 8 de setembro. A taxa de 348 mortes por milhão de habitantes é uma das mais baixas entre as cidades com mais de 300 mil habitantes.

Nome forte da esquerda é o da candidata do Psol, Áurea Carolina, 37 anos, que já oficializou a sua candidatura e a do vice Leonardo Péricles, do partido Unidade Popular pelo Socialismo. Cientista social e deputada federal desde 2018, ela se define lutadora negra feminista.

“Ela tem alta possibilidade de crescimento porque representa uma esquerda que o PT não tem conseguido mais representar em Belo Horizonte. Ela aglutina a esquerda periferia, a esquerda jovem”, avalia Nunes, da UFMG. Áurea aparece com pouco mais de 4% das intenções de voto no levantamento do Paraná Pesquisas.

BH deve ter mais de 15 candidatos nas eleições 2020

Por causa das novas regras eleitorais, que impedem as coligações proporcionais para vereadores, a tendência é ter um elevado número de candidaturas para prefeito. Embora o cenário continue indefinido, Belo Horizonte caminha para ter cerca de 15 candidatos.

O Novo, que comanda o governo estadual, vai oficializar nos próximos dias a candidatura do empresário da tecnologia, Rodrigo Paiva, 56. Em janeiro de 2019, ele assumiu a presidência da Prodemge, a empresa de TI do estado.

Paiva, que oscila entre 3% e 4% no levantamento do Paraná Pesquisas, defende uma administração mais enxuta, com menos secretarias, a informatização da prefeitura, e a municipalização de todas as escolas fundamentais que hoje pertencem ao estado.

"O prefeito é muito populista. Ele gastou 80% dos recursos da pandemia com assistencialismo e 20% com criação de UTIs", acusa Paiva, segundo o qual Kalil se isolou e evitou de dialogar com o governo estadual.

Como o Novo não faz alianças com partidos que usam dinheiro do fundo eleitoral, é grande a chance de Paiva disputar a eleição numa chapa puro-sangue. O partido tem um vereador atualmente e espera eleger pelo menos quatro. Paiva contará com o apoio de Romeu Zema.

O PT já formalizou a candidatura de Nilmário Miranda, 73, ex-deputado federal, secretário dos Direitos Humanos no governo Lula e candidato ao governo de Minas em 2002 e 2006, quando foi derrotado em ambas por Aécio Neves (PSDB). A microempresária Luana de Souza, do mesmo partido, será a vice.

“Vai ser uma eleição atípica. Não será a eleição da lacração, da aventura. A eleição da aventura foi a anterior. [Essa será a eleição] de quem é serio, de quem tem capacidade de realizar. Nós temos a folha corrida, um partido consagrado”, avalia Guima Jardim, presidente municipal do PT.

Entre as candidaturas já oficializadas estão a do empresário Fabiano Cazeca, 66, pelo Partido Republicano da Ordem Social (PROS), a do empresário Marcelo Souza e Silva, 54, pelo Patriota, e a do deputado estadual Wendel Mesquita pelo Solidariedade. O PSB cogita a candidatura do deputado federal por Minas, Júlio Delgado, 53. Já a servidora pública Luísa Barreto, 36 é a pré-candidata, do PSDB.

Metodologia da pesquisa citada

O Paraná Pesquisas ouviu um grupo de 820 entrevistados entre os dias 22 a 25 de julho de 2020. Confiança: 95%. Margem de erro: 3,5%. Registro TSE n.º MG-03074/2020.

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