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Bruno Covas (Psdb) é eleito prefeito de São Paulo
Bruno Covas (Psdb) é eleito prefeito de São Paulo.| Foto:

Bruno Covas (PSDB) foi reeleito prefeito de São Paulo. Covas derrotou Guilherme Boulos (Psol) e recebeu 2.978.278 votos, ou 59,45% dos votos válidos. O resultado do segundo turno, realizado neste domingo (29), saiu às 19h, com 93,68% das urnas apuradas.

Boulos conseguiu 2.031.477 votos, cerca de 40,55% dos votos válidos. A abstenção foi de 30,75%, ou 2.591.312 eleitores não foram votar. O candidato do Psol ligou para Covas e o parabenizou pela reeleição, admitindo a derrota.

Ao comemorar a vitória, na noite deste domingo, Covas afirmou que "é possível fazer política sem ódio". Ele apelou para a moderação e o equilíbrio. "Vou governar para todos. A partir de amanhã não existe distrito azul e vermelho, existe a cidade de São Paulo", disse o prefeito.

Ele agradeceu também seu vice, Ricardo Nunes (MDB), que ao longo da campanha foi alvo de questionamentos por suas ligações controversas com as creches conveniadas e por uma denúncia de violência doméstica em 2011.

"Queria fazer uma homenagem e agradecimento especial ao meu vice Ricardo Nunes, que sofreu muito durante essa campanha. Esteja certo, Ricardo, que partir de 1.º de janeiro vamos governar e mostrar para São Paulo quem nós somos e qual é a nossa visão de mundo. Tenho certeza que todo sacrifício vai valer a pena", acrescentou Covas.

De olho na sucessão presidencial, o governador de São Paulo, João Doria (Psdb), utilizou seu discurso após a reeleição do prefeito para mandar recados ao presidente Jair Bolsonaro. "Foi a vitória do equilíbrio, do bom senso e da capacidade de gestão", disse o governador, no comitê de campanha do partido. "Bruno representa a esperança e perspectiva de mudança", completou, agradecendo os partidos que estiveram junto aos tucanos nestas eleições.

Na visão do governador, o Psdb foi o grande vencedor destas eleições no estado de São Paulo, sabe conjugar união e não foi negacionista no combate à pandemia. "Eleições terminaram e não há foco em nova eleição, mas em vacinação", afirmou. "A família Covas é de guerreiros". Em seguida, Doria disse que o filho do prefeito reeleito, que tem 15 anos, será parlamentar no futuro.

Ao reconhecer a derrota, Boulos (Psol) disse que a partir de agora irá trabalhar para o que a sua campanha conseguiu "construir e unir em São Paulo sirva de inspiração para o Brasil para ajudar a derrotar o atraso e o autoritarismo". "Não tenho dúvida alguma de que apesar da gente não ter ganho esta eleição, a gente saiu vitorioso. É o início de um ciclo que se anuncia", afirmou o candidato.

O candidato também cumprimentou o oponente vitorioso nesta disputa Bruno Covas (PSDB) e disse desejar que ele tenha sorte pelos próximos quatro anos "sabendo que uma imensa parcela da sociedade quer mudança e que a periferia seja tirada do abandono". Segundo Boulos, "o mandato que ele Covas vai assumir a partir de janeiro não é um cheque em branco. Nós vamos fazer o nosso papel de cobrar e fiscalizar".

O prefeito conseguiu manter a vantagem que apresentou durante o primeiro turno, em que Covas registrou 32,85% dos votos válidos, contra 20,24% de Boulos. Nas duas semanas de campanha pelo segundo turno, o tucano tentou atribuir ao adversário o rótulo de “radical”. Citou mais de uma vez que tinha vencido o radicalismo no primeiro turno e venceria no segundo.

Boulos reagiu ressaltando o apoio de João Doria à candidatura de Covas. O governador de São Paulo tem alto índice de rejeição entre os paulistanos. Covas era vice-prefeito de Doria e assumiu a prefeitura da capital paulista em 2018. As ações para enfrentar a pandemia de Covid-19 também foram um dos assuntos mais presentes nas discussões entre os candidatos.

Na última sexta-feira (27), Boulos testou positivo para a Covid-19, o que o obrigou a ficar isolado. Por causa disso, o candidato do Psol não pôde participar do debate promovido pela TV Globo na sexta, que acabou sendo cancelado. Ele também não pôde votar no domingo. De sua casa, no bairro Campo Limpo, ele apareceu na sacada erguendo um cartaz com a escrita "Vamos virar!".

Covas vai governar com uma ampla coalizão. Sua coligação no 1º turno contou com dez partidos: PP, MDB, PODE, PSC, PL, Cidadania, DEM, PTC, PV, Psdb, Pros, MDB. No 2º turno ele recebeu apoio de Márcio França, mas não do PSB, Celso Russomanno (Republicanos), Joice Hasselmann (PSL) e Andrea Matarazzo (PSD)

Covas pode contar com uma ampla maioria na Câmara Municipal. Dos 55 vereadores eleitos no dia 15, apenas 14 são de PT (8) e Psol (6).

Como foi a campanha em São Paulo

Covase Boulos travaram uma disputa sem golpes baixos e as propostas para a cidade dominaram o debate. O prefeito usou o horário eleitoral para defender sua administração e exaltar sua trajetória política e pessoal, como o enfrentamento de um câncer, a gestão da pandemia e o legado herdado do avô, o ex-governador tucano Mário Covas.

O prefeito evitou ainda colar sua imagem à do governador paulista João Doria, do mesmo partido, que tem alta rejeição entre os eleitores. Covas, que foi eleito vice-prefeito em 2016, herdou a administração em 2018, quando Doria abandonou o mandato para disputar o governo do estado e acabou se elegendo com o slogan “BolsoDoria”.

Acusações de irregularidades pairaram sobre a campanha de Covas, como as suspeitas de uso de dinheiro da prefeitura nos convênios das creches para beneficiar um grupo político ligado ao vice-prefeito, Ricardo Nunes (MDB). Os adversários tentaram ainda colar a imagem do prefeito a nomes da velha guarda tucana, como os ex-governadores Geraldo Alckmin e José Serra, envolvidos em escândalos de corrupção.

Boulos perdeu, mas surpreendeu

Candidato à Presidência em 2018, Boulos soube explorar bem as redes sociais e sua campanha descontraída o aproximaram do eleitorado mais jovem. Professor e militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, ele escolheu como vice a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, na época no PT e hoje do Psol.

Ao longo das semanas, Boulos escalou posições até empatar em segundo lugar nas pesquisas. Dialogando com os moradores das periferias e acusando o prefeito de representar a elite paulista, ele conseguiu abocanhar parte do eleitorado do PT. No segundo turno, o candidato do Psol conseguiu unir a esquerda: PT, PDT, PcdoB e PSB - mas não Márcio França - passaram a apoiá-lo.

Apesar da derrota, o bom resultado de Boulos o projeta nacionalmente. Ele deve se tornar um protagonista das eleições presidenciais de 2022.

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