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Ameaça do União Brasil em lançar chapa “puro-sangue” pode colocar o ex-juiz Sérgio Moro de volta à corrida presidencial| Foto: União Brasil

O presidente do União Brasil, deputado Luciano Bivar (PE), colocou os presidentes nacionais de MDB, PSDB e Cidadania contra a parede ao ameaçar abandonar as negociações por uma candidatura única de terceira via à Presidência da República. O União insiste em encabeçar a chapa eleitoral, o que passou a dificultar as negociações. Se essa estratégia falhar, o partido tem na mesa alternativas que podem, inclusive, ressuscitar a pré-candidatura do ex-juiz Sergio Moro.

Interlocutores de MDB, PSDB e Cidadania e parlamentares do União Brasil confirmam à Gazeta do Povo que Bivar deixou claro o desejo de lançar uma chapa "puro-sangue", ou seja, com nomes do próprio partido para presidente e vice-presidente. Nesse caso, Moro largaria na frente para estar presente nessa composição.

Membros dos outros partidos alegam que Bivar pleiteia a cabeça de chapa sob a alegação de que o partido com o maior fundo eleitoral e o maior tempo de horário eleitoral gratuito entre as legendas envolvidas nas conversas deve ter prioridade. Mas a cúpula do União Brasil nega e sustenta que o critério defendido por seu presidente é de que o pré-candidato único será aquele que tiver o maior respaldo de sua sigla.

Na próxima semana Bivar se reúne com os presidentes de MDB, PSDB e Cidadania para renegociar os termos e critérios da candidatura única. A previsão inicial era de que um nome de consenso seja anunciado em 18 de maio.

Embora seja encarada como um blefe pelos demais partidos, a ameaça de Bivar colocou em "xeque" o projeto da terceira via. Sem o União Brasil e parte dos cerca de R$ 1 bilhão do fundo eleitoral que o partido terá para as eleições, o centro político fica ainda mais fragilizado. De quebra, fortalece a polarização e alimenta as correntes internas desses partidos que apoiam as pré-candidaturas do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A hipótese de uma chapa pura, que, em princípio, deixaria o partido isolado politicamente, dá a Bivar e ao União Brasil quatro alternativas de costura política, sendo que três envolvem o ex-juiz. Moro pode ser recolocado como pré-candidato à Presidência; ser pré-candidato a vice-governador de São Paulo na chapa do atual governador, Rodrigo Garcia (PSDB); ou ainda se lançar pré-candidato ao Senado.

Quais são os planos "A" de Bivar e Moro em relação à terceira via

Antes de cogitar uma chapa "puro-sangue", Bivar vai insistir para que o União Brasil seja o cabeça de chapa. Foi por esse motivo que ele se lançou pré-candidato à corrida presidencial. Caso consiga um acordo com MDB, PSDB e Cidadania, a ideia é que, a princípio, ele próprio encabece a chapa. "Nosso candidato é o Luciano Bivar, já fechamos isso, ele encabeçaria", destaca um deputado do partido.

Por esse motivo, a legenda terá um representante na próxima reunião e defenderá sua pré-candidatura. "O MDB e o PSDB querem que a gente financie tudo, porque temos dinheiro [do fundo eleitoral], mas não querem que a gente dispute. Isso não aceitamos. Semana que vem saberemos se chegamos a um acordo ou não", critica uma liderança do partido.

Outro deputado influente da legenda reconhece que a postura de Bivar é mais um balão de ensaio para recolocar o União Brasil em melhor posição na mesa de negociações. Lideranças admitem que a pré-candidatura de Bivar pode não vingar, mas defendem que ele adote as estratégias que melhor valorizem o capital político partidário.

As pesquisas eleitorais são apontadas como motivos pelo qual Bivar não levaria adiante sua pré-campanha. As mais recentes o colocam com uma intenção de votos entre 0%, segundo o levantamento da FSB Pesquisa contratado pelo banco BTG Pactual, e 0,2%, de acordo com o Instituto Ideia. Os baixos índices também são citados por MDB, PSDB e Cidadania como argumentos para rejeitar sua pré-candidatura.

O grande objetivo do presidente do União Brasil, porém, não é necessariamente assegurar a sua pré-candidatura, mas a cabeça de chapa a seu partido. A hipótese de o União Brasil encabeçar a pré-candidatura única da terceira via sem que Bivar consiga subir nas pesquisas poderia criar a chance de Moro voltar a ser cogitado.

Uma corrente do União Brasil que apoia a pré-candidatura do ex-juiz sustenta que, na pesquisa espontânea feita pelo Instituto Ideia, ele aparece com 2%, índice superior ao obtido por João Doria (PSDB), ex-governador de São Paulo, e empatado tecnicamente dentro da margem de erro com Ciro Gomes (PDT).

O "plano A" do próprio Moro é alimentar sua pré-candidatura à Presidência da República, admitem interlocutores. O ex-juiz sabe, porém, que seu nome sofre resistências internas na legenda. A hipótese de reinseri-lo como pré-candidato também não é bem-vista nas cúpulas dos demais partidos, embora seus aliados do União Brasil defendam que nenhum outro teria chances de romper a polarização.

Como a chapa pura, o "plano B" do União Brasil, é avaliada internamente

Na impossibilidade de um acordo com os partidos que negociam a terceira via, o lançamento de uma chapa "puro-sangue" é tratado como "plano B" no União Brasil, partido que nasceu da fusão entre PSL e DEM. Nesse cenário, Bivar encabeçaria a pré-candidatura e Moro seria o vice.

Essa alternativa é a mais bem avaliada no partido na hipótese de chapa pura, uma vez que diferentes alas são contrárias à hipótese de o ex-juiz levar sua campanha adiante. O secretário-geral do União Brasil e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, afirmou que pediria a impugnação da filiação de Moro após ele falar que "não desistiu de nada".

A "ala do DEM" liderada por ACM Neto no União Brasil não é a única contrária à hipótese de uma pré-candidatura de Moro. Outros também são, a exemplo de parlamentares que se filiaram na janela eleitoral. "Não é só essa turma [do ACM], o Bivar hoje é o único nome de consenso capaz de levar adiante [uma pré-candidatura presidencial] sem uma divisão muito drástica", diz um deputado.

A rejeição externa e interna a Moro torna incerta a possibilidade de ele encabeçar a chapa presidencial pelo União Brasil mesmo no "plano B". Seus interlocutores e aliados no partido analisam, porém, que, nessa configuração, nada impediria Bivar de apoiá-lo mais a frente, caso consiga reduzir as resistências e mostrar bom desempenho nas pesquisas.

Mesmo que Bivar encabece a chapa, contudo, a candidatura própria do União Brasil não é uma unanimidade do partido. Caciques e pré-candidatos de cargos majoritários, ou seja, para governos estaduais e ao Senado, apoiam que os recursos do fundo eleitoral priorizem suas campanhas, bem como a de candidatos aliados às assembleias legislativas e a reeleição da bancada na Câmara dos Deputados.

A priorização de recursos do fundo a pré-candidatos a deputados estaduais, federais, senadores e governadores agrada diferentes alas do União Brasil, inclusive a corrente que prefere formar palanques com Bolsonaro nos estados. Já em Pernambuco, o partido é simpático a Lula.

Senado e vice-governador são os planos "C" e "D" de Moro e União Brasil

Por essa resistência interna a uma pré-candidatura presidencial, outras duas alternativas são analisadas por Bivar e Moro. O "plano C" é indicá-lo como pré-candidato ao Senado na chapa com o governador tucano Rodrigo Garcia. Mesmo essa opção também enfrenta a resistência do atual presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Milton Leite (União Brasil), que almeja o cargo.

O "plano D" trabalhado para Moro no União Brasil é indicá-lo como pré-candidato a vice-governador na chapa com Garcia. O partido disputa o espaço com o MDB, que pleiteia a indicação do recém filiado Edson Aparecido, ex-secretário de Saúde na gestão Doria, nome próximo de Garcia e de confiança do prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB).

Os planos "C" e "D" dependem, contudo, de Moro voltar a se tornar um candidato viável. Por esse motivo, Bivar e os aliados mais próximos defendem os movimentos adotados por ele, inclusive a possibilidade de alçar o ex-juiz como opção à Presidência da República.

O cálculo eleitoral analisado por Bivar é de que, como postulante ao Palácio do Planalto, Moro pode elevar seu capital político e assegurar a vitória à vaga única ao Senado ou "forçar" sua adesão como vice de Garcia. A composição com os tucanos pode depender, no entanto, do tratamento dado pelo PSDB nos próximos encontros e negociações, inclusive na reunião da próxima semana.

"Nosso argumento é tentar estabelecer um critério [do nome que tiver maior respaldo em seu partido], que, inclusive, tem probabilidade de ser mais benéfico a [senadora] Simone [Tebet, pré-candidata do MDB] ou ao Doria", sustenta uma liderança do União Brasil sobre a relação e as negociações com o MDB, PSDB e Cidadania. "Se mantiver do jeito que está, vamos ser chapa pura", complementa.

A hipótese de Moro como candidato à Câmara é rechaçada no partido. Interlocutores do ex-ministro afirmam que ele disputará algum cargo majoritário e que apoiará a esposa Rosângela Moro para deputada federal.

Metodologia das pesquisas citadas na reportagem 

O Instituto FSB Pesquisa ouviu, por telefone, dois mil eleitores entre os dias 22 a 24 de abril de 2022. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pelo banco BTG Pactual e está registrada no TSE com o protocolo BR-04676/2022.

O levantamento do instituto Ideia, encomendado pela revista Exame, ouviu 1.500 pessoas, por telefone, entre os dias 15 e 20 de abril. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-02495/2022.

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