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Minas Gerais

A disputa apertada entre Lula e Flávio em estado decisivo para as eleições desde 1989

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Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro disputam eleitorado de Minas Gerais, estado decisivo para o resultado geral final. (Foto: Fotomontagem Gazeta do Povo (Ricardo Stuckert/PR e Charles Vieira/ Campanha Flavio Bolsonaro))

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Visto como um dos estados decisivos da disputa presidencial desde 1989, Minas Gerais chega à eleição deste ano reproduzindo o equilíbrio entre os dois principais candidatos. Levantamento da Gazeta do Povo com base na série de pesquisas Quaest realizadas neste ano mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu de uma vantagem de seis pontos sobre Flávio Bolsonaro (PL) em abril para uma diferença de apenas um ponto em julho.

Na rodada mais recente, divulgada nesta semana, o candidato da oposição aparece numericamente à frente pela primeira vez, com 31% contra 30% do petista no cenário estimulado sem Pablo Marçal (PRTB). A redução da vantagem de Lula aparece de forma gradual na série.

Como a margem de erro é de três pontos percentuais, os dois permanecem tecnicamente empatados, mas a sequência mostra uma mudança no equilíbrio registrado pelo instituto ao longo do ano. Em abril, o petista tinha 33% das intenções de voto, contra 27% de Flávio, uma diferença de seis pontos. Em julho, os dois se aproximaram: Lula caiu para 30% e Flávio subiu para 29%, reduzindo a distância para um ponto.

Para o cientista político Elias Tavares, o equilíbrio em Minas Gerais ganha relevância porque o estado historicamente reproduz parte das divisões políticas, econômicas e regionais do país. “Quando Minas está dividida, é difícil imaginar uma eleição nacional tranquila”, afirma.

Segundo ele, o estado não determina sozinho o resultado presidencial, mas dificilmente pode ser ignorado em uma disputa apertada. A pesquisa de agosto também mostra que uma parcela relevante do eleitorado ainda não escolheu um candidato.

No cenário sem Pablo Marçal, 17% dos entrevistados disseram estar indecisos, enquanto outros 8% afirmaram que votariam em branco ou nulo ou que não pretendem votar. A pesquisa se completa com a presença de outros nomes, mas sem que nenhum deles se aproxime dos dois primeiros colocados.

O ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo), que tinha 11% em abril e 12% em julho, aparece com 7% agora em agosto. Já Ronaldo Caiado (PSD) registra 3%, e Renan Santos (Missão), também 3%.

Os números analisados correspondem ao cenário estimulado de primeiro turno, aquele em que a Quaest apresenta aos entrevistados uma lista com os nomes dos candidatos à Presidência.

Minas mantém eleição aberta e aumenta peso da disputa nacional

Para analistas políticos ouvidos pela Gazeta do Povo, a proximidade entre as intenções de voto em Lula e Flávio em Minas Gerais ganha relevância pelo histórico eleitoral do estado, mas não permite, por si só, antecipar o resultado nacional. Para Elias Tavares, a explicação para a sequência observada desde 1989 está nas características do próprio eleitorado mineiro.

“Minas é quase uma miniatura eleitoral do Brasil”, afirma. Segundo ele, o estado reúne “regiões mais pobres, regiões industriais, agronegócio, grandes cidades e um interior muito, muito grande”.

Por isso, o comportamento do eleitor mineiro tem potencial de ajudar a compreender o cenário nacional, embora não haja uma simplificação de que quem vence no estado necessariamente será eleito presidente. O histórico de nove eleições consecutivas em que isso ocorreu, entretanto, mantém Minas sob uma atenção especial na atual disputa.

“Eu não diria que Minas determina quem será o presidente. […] O que acontece é que Minas reproduz muito das divisões econômicas, sociais e regionais do país. Minas não prevê o resultado nacional por magia, é que ela se parece muito com o Brasil”, explica Tavares.

Magno Karl, cientista político do movimento Livres, também considera que o comportamento de Minas tem valor preponderante para a leitura da disputa nacional. Ele reforça que a explicação está na própria composição do estado. “A composição do estado funciona como um microcosmo nacional”, afirma.

Para Karl, o aspecto mais relevante da evolução recente é a estabilidade observada entre Lula e Flávio nas primeiras rodadas da pesquisa. A alteração mais recente, com a passagem de Flávio para a dianteira numérica, ocorre junto com uma redução da intenção de voto em Zema. Segundo o cientista político, esse movimento pode indicar uma reorganização do eleitorado de oposição ao presidente Lula.

“Em Minas houve estabilidade relativa, mas a Quaest mais recente aponta duas movimentações importantes: Flávio ganhou dois pontos e assumiu a dianteira numérica pela primeira vez no estado, e Romeu Zema caiu de 12% para 7%, uma queda fora da margem, que sugere transferência interna dentro do campo de oposição”, afirma.

Na avaliação de Karl, essa movimentação pode indicar uma escolha pelo chamado "voto útil" entre eleitores que rejeitam Lula. O fenômeno, porém, não significa que Flávio tenha alcançado o limite de seu potencial no estado.

“O piso de Flávio parece consolidado, mas o desafio de subir o seu teto permanece”, afirma. Para o cientista político, o eleitorado mineiro está disponível para a oposição a Lula, mas a desorganização desse campo, marcada pela indefinição e pela pulverização de candidaturas, pode limitar o desempenho do candidato do PL.

O equilíbrio não é uma novidade em Minas, que é o segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 16 milhões de eleitores. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro no estado por uma diferença de apenas 0,42 ponto percentual: o petista teve 50,21% dos votos, contra 49,79% do então presidente.

Metodologia das pesquisas citadas na reportagem

  • A Quaest ouviu 1.482 eleitores de Minas Gerais entre 21 e 28 de abril de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S/A e registrada no TSE sob o número BR-00430/2026.
  • Em julho, a Quaest ouviu 1.482 eleitores de Minas Gerais entre 22 e 26 de julho de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S/A e registrada no TSE sob o número BR-O9333/2026.
  • Na pesquisa mais recente, a Quaest entrevistou 1.506 eleitores de 16 anos ou mais entre 21 e 24 de agosto de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-09818/2026.

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