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O escritor, psiquiatra e pré-candidato à Presidência Augusto Cury (Podemos) defendeu que o Supremo Tribunal Federal (STF) precisa de reformas para que deixe de ser um "superpoder". A principal reforma seria o fim das indicações presidenciais. Com isso, a Corte teria cadeiras reservadas para magistrados de carreira, membros do Ministério Público e advogados, todos indicados por associações que as representam.
"Dois terços têm que ser da magistratura, carreira de juízes, dois ou três do Ministério Público e um advogado, não mais escolhido pelo presidente. Fim dos superpresidentes que escolhem os ministros e são chancelados pelo Senado. Quem vai escolher são as associações dos magistrados, dos promotores e também a OAB no caso dos advogados", declarou Cury, em entrevista ao Correio Braziliense concedida neste sábado (2).
Entre as outras reformas propostas por ele estão a imposição de um mandato de oito anos para os ministros — com o objetivo de "oxigenar" o Tribunal — a imposição de idade mínima de 50 anos, o "fim da espetacularidade do voto", com restrição às transmissões ao vivo dos julgamentos.
"O STF tem que mudar, não pode ser um superpoder. Eu sei que eu sou lido lá, dou muitas conferências para o Judiciário e gratuitamente", argumentou.
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Cury se apresenta como alternativa à polarização
Em suas redes sociais, Cury se apresenta como "a voz contra a polarização". O anúncio da pré-candidatura surpreendeu por ter ocorrido sem qualquer sinalização anterior, vinda de alguém que até então não estava envolvido na política partidária.
"O Brasil está radicalmente polarizado, o país está adoecido. As pessoas não conseguem perceber que opositores não são inimigos a serem abatidos, que nós podemos ter divergências de ideias, mas podemos respeitá-las", defendeu.
A ideia de reforma do Judiciário vem ganhando corpo após as revelações do caso Master. A investigação da Polícia Federal (PF) revelou relações entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
O clima favoreceu a rejeição pelo Senado da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso. Foi a primeira rejeição em 132 anos. Com isso, o presidente Lula (PT) fica ao lado de Floriano Peixoto na lista de presidentes derrotados na pauta. Já Messias é o sexto rejeitado em toda a história brasileira.







