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Eleições 2026

Corrida ao governo da Bahia tem polarização entre PT e herdeiro do clã Magalhães

Candidatos eleição 2026 ao governo da Bahia
Centro-direita se une em apoio a ACM Neto em oposição ao governo petista de Jerônimo Rodrigues. (Foto: Fotomontagem Gazeta do Povo (Vinícius Lima/Liderança União Brasil Câmara; Marcelo Camargo/Agência Brasil))

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A eleição para o governo da Bahia é considerada a maior disputa do Nordeste em números de eleitores com peso na corrida presidencial pela formação dos palanques no estado. Neste ano, o eleitorado já assiste ao prelúdio do confronto entre o PT e o clã Magalhães, de Antônio Carlos Magalhães, o ACM, durante a pré-campanha, que aponta para a polarização no pleito de outubro entre os dois tradicionais grupos políticos baianos.

A eleição de outubro deve ser uma reedição da disputa entre o governador baiano, Jerônimo Rodrigues (PT), e ACM Neto (União) travada em 2022, quando ambos foram para o segundo turno em um pleito decidido por uma diferença de aproximadamente 400 mil votos no quarto maior colégio eleitoral do país.  

Incumbente do cargo, o governador buscará a reeleição com apoio de Lula e dos ex-governadores petistas Jaques Wagner e Rui Costa. A dupla estará na chapa de Rodrigues na disputa eleitoral pelas duas cadeiras do estado ao Senado. Enquanto Wagner disputará a reeleição, o ex-ministro Rui Costa deixou a Casa Civil no início de abril para se dedicar à campanha e reforçar o palanque do sucessor político na Bahia. 

A hegemonia petista no estado dura quase 20 anos, desde a vitória de Wagner nas eleições de 2006. Depois de duas décadas de governos do PT, a gestão de Jerônimo Rodrigues sofre desgaste com a desaprovação de 50% do eleitorado, conforme a última pesquisa Real Time Big Data. De acordo com o levantamento, 31% dos entrevistados consideram a gestão do petista como ruim ou péssima, e 43% afirmam que o governo Rodrigues é regular. 

Ainda segundo a pesquisa, a segurança pública é a principal preocupação da população da Bahia, sendo que 34% avalia que a área deve ser a prioridade na próxima gestão estadual. No meio político, o setor é considerado o calcanhar de Aquiles da campanha à reeleição de Rodrigues e da continuidade do PT no governo, por causa do aumento da violência e da expansão do crime organizado no estado. 

O Atlas da Violência 2025, organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta que a Bahia tem a segunda maior taxa de homicídios registrados por 100 mil habitantes no país: 43,9 conforme os dados mais recentes disponíveis, atrás somente do estado do Amapá, com taxa de 57,4. Uma década antes, o estado ocupava o oitavo lugar nessa lista, o que representa um aumento de 11,7% no período analisado.

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Quem são os pré-candidatos ao governo da Bahia 

  • ACM Neto (União Brasil)

Ex-prefeito de Salvador por dois mandatos e principal herdeiro político da oligarquia Magalhães. É vice-presidente nacional do União Brasil.

  • Jerônimo Rodrigues (PT)

Atual governador e nome da continuidade do ciclo petista iniciado em 2007, construiu a carreira como articulador político do grupo de Rui Costa.

  • Ronaldo Mansur (PSOL)

Presidente do diretório estadual do PSOL, ele representa a pré-candidatura com discurso ligado a movimentos sociais.

ACM Neto é principal opositor para continuidade do PT na Bahia

Neto do ex-governador baiano e do ex-presidente do Senado Antônio Carlos Magalhães (falecido em 2007), ACM Neto deve polarizar a eleição com o governador petista ao aglutinar o apoio de partidos de centro-direita e direita. Ex-prefeito de Salvador, ACM Neto conseguiu fazer o sucessor na prefeitura da capital e manteve o apoio a Bruno Reis (União) na reeleição municipal em 2024, o que significa um forte recall nas urnas soteropolitanas.

Segundo a pesquisa Real Time Big Data divulgada em março, ACM Neto lidera o cenário estimulado de primeiro turno com 44% da intenção de voto, seguido por Jerônimo Rodrigues com 39%. Diante desse cenário, a pré-campanha de ACM Neto, que ocupa o cargo de vice-presidente nacional do União Brasil, busca o apoio dos partidos de oposição ao PT para a formação de uma frente ampla.

Entre os apoios confirmados está João Roma (PL), ex-ministro do governo Jair Bolsonaro (PL), que disputou o governo do estado nas eleições de 2022, quando teve 9% dos votos válidos no primeiro turno. Neste ano, Roma vai disputar uma das cadeiras ao Senado na chapa ao lado de Angelo Coronel (Republicanos).

Para a vaga de vice, o Progressistas indicou o ex-prefeito de Jequié Zé Cocá, com o objetivo de aproximar o interior baiano da pré-candidatura de ACM Neto. “União Brasil, PP, PSDB, PL, Republicanos e Podemos fazem parte da frente de partidos de oposição. Existe na Bahia um sentimento de mudança. São 20 anos do mesmo grupo, o que acaba gerando uma fadiga”, disse Reinaldo Braga Filho, integrante do grupo de coordenação da pré-campanha de ACM Neto.

Ele ainda lembrou que o pré-candidato recebeu, no início de abril, o apoio de José Carlos Aleluia (Novo-BA), que também era cotado para a corrida ao governo baiano. “Neste cenário [com poucos pré-candidatos], com o João Roma na disputa ao Senado, existe uma expectativa de que a eleição seja resolvida no primeiro turno”, opinou Braga Filho. Além de ACM Neto e Jerônimo Rodrigues, apenas Ronaldo Mansur mantém a pré-candidatura pelo PSOL.

Para ele, as áreas da segurança pública e da economia serão decisivas no voto do eleitorado baiano. “A violência é citada do pequeno município à cidade grande como o maior problema do baiano. A Bahia ainda tem o segundo maior índice de desemprego do Brasil”, comentou.

Segundo o IBGE, as maiores taxas de desemprego foram registradas em Pernambuco (10,4%), Bahia (9,1%) e Distrito Federal (8,7%), conforme os dados do segundo trimestre do ano passado.

  • Metodologia citada na reportagem: A pesquisa ouviu 2.000 pessoas entre os dias 10 e 11 de março. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BA-08855/2026.     

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Disputa presidencial terá novo peso na eleição baiana, avalia pré-campanha de ACM Neto

Na avaliação de Braga Filho, a principal diferença em relação à eleição passada está no ambiente político baiano e no poder de influência de Lula no estado, onde obteve mais de 70% dos votos válidos no segundo turno em 2022. “Naquela época existia uma conjuntura diferente. Não havia um sentimento de mudança, porque o governo Rui Costa tinha uma boa avaliação popular. Além disso, Lula estava muito forte nacionalmente”, comparou.

No plano nacional, ele sustenta que a tendência é de apoio formal ao pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD), tanto pela proximidade entre ele e ACM Neto quanto pelo alto índice de aprovação do ex-governador goiano na segurança pública. “Caiado é o candidato do coração dele. O ACM Neto deve anunciar apoio e fazer campanha para o ex-governador goiano, que lançou a pré-candidatura em Salvador no ano passado, quando ainda estava no União Brasil”, recordou.

No entanto, Braga Filho ressaltou que a pré-campanha abriga aliados com preferência por outros nomes, como Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo). A orientação, segundo ele, é preservar a unidade estadual sem impor alinhamento obrigatório na disputa presidencial, permitindo que diferentes grupos apoiem seus candidatos ao Palácio do Planalto.

“O ACM Neto vai ter a posição dele, mas ouvindo todo mundo, com muito diálogo, sem imposição, e vai deixar cada um livre para exercer o seu direito em relação ao voto presidencial.” A reportagem da Gazeta do Povo procurou a assessoria de imprensa do petista Jerônimo Rodrigues, mas não obteve retorno sobre o pedido de entrevista.

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